Me conta um colega do JT, altamente entendido em flores e plantas, que as flores brancas são as que geralmente desabrocham à noite e têm perfume. Porque são polinizadas por insetos, que são ativos à noite, têm vista ruim e olfato bom. Isso a propósito da minha maravilhosa dama da noite que, ele me contou, é também conhecida por flor de baile, porque dura exatamente o tempo de um baile (dos tempos antigos, claro, que começavam às 22 e iam até as 4 da manhã), e por causa da delicadeza e requinte do seu formato (claro que isso se refere a um tempo em baile era uma coisa requintada e que as moças eram consideradas delicadas). Não é chiquíssimo?
Contou-me, ainda, que Darwin, sem conhecer o bicho, predisse que havia um inseto de tromba muito comprida, porque só assim seria possível polinizar uma orquídea de esporos muito longos. Algum tempo depois, um botânico descobriu uma borboleta que, de fato, tinha uma tromba muito longa e era responsável pela polinização da tal orquídea. A bichinha ganhou aquele nome científico chique, que não lembro mais qual é, mas tem nele o termo ‘predicta’, por causa de Darwin.
Outra coisa que fiquei sabendo é que a ora-pro-nobis que vive ameaçando tirar o sol da Ig, de tanto que cresce, dá flor. Muito bonita, por sinal, mas não conheço flor feia. Nunca vi a tal flor do ora-pro-nobis – e desconfio que as podas constantes não deixam tempo para a planta florescer. Segundo o cururu entendido em flores e plantas, também é uma flor que dura pouco. Agora fiquei curiosa. Vou podar a trepadeira, mas vou deixar uns galhos compridões só pra ver se ele floresce. Problema é que essas folhas, refogadas, ficam uma delícia!!!
Esse colega ficou de me dar mudas de um cacto que também dá flores brancas noturnas e efêmeras. E de um outro cacto, cujas flores aparecem em zigue-zague.
A natureza cuida dos seus seres. Ainda bem que tem alguém que cuida...
*_*
E não tem nada a ver com flores, plantas e natureza, mas esqueci de contar outro avanço tecnológico que me deixou boquiaberta. Me senti assim no meio de um desses seriados que a gente cansa de ver nas Warner e Sony da vida. "Oi, estou aqui no escritório e você está no viva-voz. Minha sócia está aqui do lado, pra participar da entrevista, ok?" - isso foi o primeiro episódio. No segundo, o cururu saca o celular, liga pra uma pessoa pra confirmar uma informação e deixa o aparelho ligado sobre a mesa, com a pessoa falando do lado de lá e conversando com a gente do lado de cá.
Sempre achei meio complicado fazer entrevista por telefone. Gosto de olhar para a cara da pessoa com quem estou conversando, sacar alguma reação, algum movimento, observar os tiques nervosos que o entrevistado nem percebe que tem. Agora, com esse negócio de botar um monte de gente conversando com você ao mesmo tempo, parece que meu gosto se tornou antiquado demais.
Acho que eu estou antiquada...
março 29, 2006
março 28, 2006
A secretária, poderosa, recomendou: ele está com a agenda apertada, então você tem de chegar pontualmente às 10. Até antes, se possível. A gente não discute com secretária mandona - a gente obedece.
Era do outro lado da cidade, metrô e ônibus dava quase duas horas. Mas acordei de madrugada e cheguei antes das 10, às 9h45. E, claro, o cururu chefe da secretária mandona não tinha chegado ainda. Ligou, disse que estava preso no trânsito. Chegou por volta de 10h30, pediu desculpas - pelo menos é educado...
Executivos, bah!!!
Sentadinha na recepção para um chá de cadeira de 45 minutos - e o prédio era non smoking, existe isso no Brasil, o mundo está perdido!!! - tinha um monte de neguinho entrando. Saindo também, mas era mais entrando. A esmagadora maioria de mochila nas costas e cara de nerd. 60% orientais. Toda a força ao yellow power! Lembrei da mochila que o filho carrega pro trabalho todos os dias, com o lanche, porque não tem nenhum lugar pra se comer durante a madrugada lá, onde ele trabalha.
Pensei que os meninos da empresa eram previdentes. Ali, do outro lado da cidade, também não tem muito lugar pra se comer. Ingenuidade minha. Depois me contaram que os funcionários todos carregam os respectivos laptops de casa para o trabalho e vice-versa. Quer dizer, não era lanche coisa nenhuma. Era trabalho mesmo.
Outra coisa curiosa é a tecnologia dos crachás. Todos têm o seu - e está certo. Mas um carrega num fio pendurado no pescoço e se curva pra passar o cartão na catraca da entrada (eletrônica, claro!). Outro traz pendurado no cós da calça e tira para entrar. E tem aqueles que usam uma espécie de molinete, com o cartão preso na ponta da linha, que se solta e volta a se enrolar conforme é puxado. Fiquei deslumbrada. É a tecnologia de ponta chegando aos crachás. Agora também quero um desses...
E como faço pra ir embora?
Era do outro lado da cidade, metrô e ônibus dava quase duas horas. Mas acordei de madrugada e cheguei antes das 10, às 9h45. E, claro, o cururu chefe da secretária mandona não tinha chegado ainda. Ligou, disse que estava preso no trânsito. Chegou por volta de 10h30, pediu desculpas - pelo menos é educado...
Executivos, bah!!!
Sentadinha na recepção para um chá de cadeira de 45 minutos - e o prédio era non smoking, existe isso no Brasil, o mundo está perdido!!! - tinha um monte de neguinho entrando. Saindo também, mas era mais entrando. A esmagadora maioria de mochila nas costas e cara de nerd. 60% orientais. Toda a força ao yellow power! Lembrei da mochila que o filho carrega pro trabalho todos os dias, com o lanche, porque não tem nenhum lugar pra se comer durante a madrugada lá, onde ele trabalha.
Pensei que os meninos da empresa eram previdentes. Ali, do outro lado da cidade, também não tem muito lugar pra se comer. Ingenuidade minha. Depois me contaram que os funcionários todos carregam os respectivos laptops de casa para o trabalho e vice-versa. Quer dizer, não era lanche coisa nenhuma. Era trabalho mesmo.
Outra coisa curiosa é a tecnologia dos crachás. Todos têm o seu - e está certo. Mas um carrega num fio pendurado no pescoço e se curva pra passar o cartão na catraca da entrada (eletrônica, claro!). Outro traz pendurado no cós da calça e tira para entrar. E tem aqueles que usam uma espécie de molinete, com o cartão preso na ponta da linha, que se solta e volta a se enrolar conforme é puxado. Fiquei deslumbrada. É a tecnologia de ponta chegando aos crachás. Agora também quero um desses...
E como faço pra ir embora?
março 21, 2006
Então, estava assim: três amigos reunidos numa mesa, todos devidamente acompanhados das namoradas e eu, a mãe, de xereta. O quarto amigo era exatamente o que estava no altar, o protagonista do dia, o noivo. E, de novo, aquele momento de mosquinha que pousa e fica só observando, ouvindo, anotando...
Histórias engraçadas, mas nada de hora da saudade. Eles são amigos, conversam com freqüência, mesmo que não se encontrem. E a grande fonte de gozação era o meio-fraque do padrinho, aquele que até pouco tempo atrás só usava calça de moleton... Ninguém me tira da cabeça que o noivo fez de propósito. Deve ter pensado: “qual o amigo que ficaria mais sacaneado por usar esse tipo de roupa?” A escolha foi fácil... E ser padrinho é uma honra que não se declina.
Mas valeu tudo, do começo ao fim. Festa com direito a música sertaneja - pasmem, o povo dança isso loucamente, foi o que levou todo mundo pro meio do salão! – e até momento I’ll Survive (gozado, todo mundo associa essa música aos gays, mas todo mundo adora dançá-la e solta a franga) e YMCA (com os movimentos copiados do Village People). Decididamente não tem nada mais divertido e brega do que festa de casamento.
Fiquei contente de, mais uma vez – foram dois fins de semana consecutivos! – presenciar um momento feliz da vida do meu filho, de saber que ele é uma pessoa querida por um bocado de gente muito boa. Como disse o pai do noivo, amigos são muito especiais.
A segunda é que foi de lascar. Como se não bastasse ser segunda-feira, a gripe atacou com força e com vontade. E eu fiquei meio de molho, me sentindo profundamente infeliz, alternando momentos de suadouro intenso com calafrios arrepiantes. Hoje a vida está melhor, bem melhor. Então, hoje a vida volta ao normal.
Mas a cabeça está vazia, parece que nada se fixa. Os pensamentos chegam e vão embora, nem dá tempo de pensar direito. Será que o cérebro está todo voltado para produção de catarro? Aliás, se houvesse uso industrial de catarro, eu seria uma fábrica de produção diuturna – e estaria rica. Só que seria passageiro, porque, todo toda boa gripe, essa deve ir embora logo.
Pelo menos, é o que eu espero...
Histórias engraçadas, mas nada de hora da saudade. Eles são amigos, conversam com freqüência, mesmo que não se encontrem. E a grande fonte de gozação era o meio-fraque do padrinho, aquele que até pouco tempo atrás só usava calça de moleton... Ninguém me tira da cabeça que o noivo fez de propósito. Deve ter pensado: “qual o amigo que ficaria mais sacaneado por usar esse tipo de roupa?” A escolha foi fácil... E ser padrinho é uma honra que não se declina.
Mas valeu tudo, do começo ao fim. Festa com direito a música sertaneja - pasmem, o povo dança isso loucamente, foi o que levou todo mundo pro meio do salão! – e até momento I’ll Survive (gozado, todo mundo associa essa música aos gays, mas todo mundo adora dançá-la e solta a franga) e YMCA (com os movimentos copiados do Village People). Decididamente não tem nada mais divertido e brega do que festa de casamento.
Fiquei contente de, mais uma vez – foram dois fins de semana consecutivos! – presenciar um momento feliz da vida do meu filho, de saber que ele é uma pessoa querida por um bocado de gente muito boa. Como disse o pai do noivo, amigos são muito especiais.
A segunda é que foi de lascar. Como se não bastasse ser segunda-feira, a gripe atacou com força e com vontade. E eu fiquei meio de molho, me sentindo profundamente infeliz, alternando momentos de suadouro intenso com calafrios arrepiantes. Hoje a vida está melhor, bem melhor. Então, hoje a vida volta ao normal.
Mas a cabeça está vazia, parece que nada se fixa. Os pensamentos chegam e vão embora, nem dá tempo de pensar direito. Será que o cérebro está todo voltado para produção de catarro? Aliás, se houvesse uso industrial de catarro, eu seria uma fábrica de produção diuturna – e estaria rica. Só que seria passageiro, porque, todo toda boa gripe, essa deve ir embora logo.
Pelo menos, é o que eu espero...
março 13, 2006
Sábado teve churrasco em casa. Eu na churrasqueira – adoro! -, só ouvindo o papo rolar. Descobri muitas coisas interessantes. Nada como juntar velhos amigos do filho pra saber o que ditocujo fazia nos tempos de estudante. E eu que achava que ele nunca aprontava nada... Bom, tem mãe que é cega mesmo... E – acho – mãe de filho calado é mais cega ainda... Mas nada que me preocupasse, nada que me tirasse o sono. E, segundo meu outro filho, tem coisas que a gente não conta nem conversa com a mãe. Tá certo.
Foi bem gostoso, todo mundo numa boa, curtindo, matando saudade do companheiro que agora está do outro lado do país. Se fosse Europa, estaria num outro país, bem distante. E apesar de não ter muito tempo de formados, esse povo já tem histórias pra contar, coisas boas, engraçadas, curiosas. Meu ouvido funcionou a mil e, mesmo assim, tenho certeza de que perdi vários lances. Não tem importância, a gente não precisa saber tudo...
Mas o dia inteiro em pé, na frente da churrasqueira, teve seu preço. Nada fora do comum e, de certa forma, era até esperado. Mas o domingo foi de bode. O que também foi bom, porque fiquei quietinha num canto. O máximo que me permiti foi pedir comida chinesa. E chega, hein!
Há algum (muito) tempo, não teria nenhum problema. Emendaria o churrasco com a feirinha de artesanato que o outro filho me chamou pra ir. E, se bobeasse, até ia à festa da coleguinha no sábado à noite. É, o tempo passa mesmo. A gente sente nos ossos... Se bem que uma extravaganciazinha de vez em quando não mata ninguém. Faz o sangue circular mais depressa, renova os pensamentos, dá novo ânimo (às vezes tira, mas isso é só na hora). Gostei. Se me chamarem de novo, de novo faço. Sem medo de ser feliz.
No mais, a vida segue, tranqüila e sem sobressaltos. Um crochezinho básico ajuda a passar o tempo, o tempo está esfriando, os gatos passam bem. É aquela rotina quase chata, mas reconfortante. Chega um tempo que a gente fica feliz com a perspectiva de que tudo vai continuar do mesmo jeito por algum tempo. Depois enche o saco, mas enquanto o depois não chega, é uma delícia. Algumas certezas são necessárias, dão à gente um certo conforto. é como eu disse: a rotina reconforta.
E mesmo dentro das certezas, sempre tem o imponderável. Aquele que a gente sabe que pode aparecer a qualquer momento, pra deixar a gente mais feliz ou não, mas sempre mais sábia. Que pode mudar tudo ou só algumas coisinhas. Acho que o bom da rotina é isso: saber que, a qualquer momento, ela pode ser quebrada.
E a gente nem precisa se esforçar pra isso.
Foi bem gostoso, todo mundo numa boa, curtindo, matando saudade do companheiro que agora está do outro lado do país. Se fosse Europa, estaria num outro país, bem distante. E apesar de não ter muito tempo de formados, esse povo já tem histórias pra contar, coisas boas, engraçadas, curiosas. Meu ouvido funcionou a mil e, mesmo assim, tenho certeza de que perdi vários lances. Não tem importância, a gente não precisa saber tudo...
Mas o dia inteiro em pé, na frente da churrasqueira, teve seu preço. Nada fora do comum e, de certa forma, era até esperado. Mas o domingo foi de bode. O que também foi bom, porque fiquei quietinha num canto. O máximo que me permiti foi pedir comida chinesa. E chega, hein!
Há algum (muito) tempo, não teria nenhum problema. Emendaria o churrasco com a feirinha de artesanato que o outro filho me chamou pra ir. E, se bobeasse, até ia à festa da coleguinha no sábado à noite. É, o tempo passa mesmo. A gente sente nos ossos... Se bem que uma extravaganciazinha de vez em quando não mata ninguém. Faz o sangue circular mais depressa, renova os pensamentos, dá novo ânimo (às vezes tira, mas isso é só na hora). Gostei. Se me chamarem de novo, de novo faço. Sem medo de ser feliz.
No mais, a vida segue, tranqüila e sem sobressaltos. Um crochezinho básico ajuda a passar o tempo, o tempo está esfriando, os gatos passam bem. É aquela rotina quase chata, mas reconfortante. Chega um tempo que a gente fica feliz com a perspectiva de que tudo vai continuar do mesmo jeito por algum tempo. Depois enche o saco, mas enquanto o depois não chega, é uma delícia. Algumas certezas são necessárias, dão à gente um certo conforto. é como eu disse: a rotina reconforta.
E mesmo dentro das certezas, sempre tem o imponderável. Aquele que a gente sabe que pode aparecer a qualquer momento, pra deixar a gente mais feliz ou não, mas sempre mais sábia. Que pode mudar tudo ou só algumas coisinhas. Acho que o bom da rotina é isso: saber que, a qualquer momento, ela pode ser quebrada.
E a gente nem precisa se esforçar pra isso.
março 01, 2006
Carnaval passou e foi uma prévia do futuro. Em casa, meus gatos e eu. Mais ninguém. Como teste, funcionou. Foi bom. No fundo, é tudo uma questão de hábito.
Filho agora está em novo endereço - por sinal, ele nem sabia direito qual era, 24 horas depois de estar morando lá. Ainda se adaptando a novas rotinas que ele mesmo tem de criar. Vai ser logo, tenho certeza. Ele tem know-how pra isso. A minha sensação de fracasso continua, mas isso acho que nem o tempo cura. Achei que como ele já tinha ido uma vez seria mais leve. Não foi. É coisa de mãe – e quem tem uma ou é uma sabe que é assim mesmo que funciona. Há muitos anos eu digo que a gente prepara os filhos pra ir pro mundo, só não se prepara pra ver os filhos irem pro mundo. É isso...
Leio no blog de uma nova e jovem amiga que ela acaba de comprar um livro do Saramago e que se prepara para isso há algum tempo, sempre adiando por achar que não estava madura o suficiente. Só pra consolá-la, devo dizer que há livros que não hesito em comprar. Simplesmente não compro. Ou compro e deixo guardado na estante, me desafiando. Mas são títulos que decidi que só vou ler quando estiver bem velhinha, pra ter todo o tempo do mundo pra compreender o que de fato está escrito. A Montanha Mágica do Thomas Mann é um deles. E embora todo mundo diga que Proust é uma maravilha, continuo achando que tenho de ter mais tempo pra ele. Por enquanto, não tenho. Mas desconfio que no fundo é um pouco de preguiça mesmo, ainda mais com essa profusão de leituras mais leves e digestivas que saltam das prateleiras o tempo todo. Coisa pra encher os olhos e esvaziar a cabeça.
Bobagens. É assim que me refiro a esses livros. A denominação foi adotada imediatamente pelo livreiro que freqüenta a redação. E tem o setor drogas pesadas, altamente viciantes, tipo Nora Roberts e outros quetais. Ele chega perto e fala bem baixinho: hoje tem droga pesada... Ele sabe que sou viciada em drogas e bobagens. E é o meu maior credor, hoje em dia.
As manhãs andam reservadas para o crochê, que enche os olhos, ocupa as mãos e a cabeça e dá satisfação imensa quando o trabalho fica pronto. Fui eu que fiz.
A gramática pode estar errada, mas a satisfação é certa.
Filho agora está em novo endereço - por sinal, ele nem sabia direito qual era, 24 horas depois de estar morando lá. Ainda se adaptando a novas rotinas que ele mesmo tem de criar. Vai ser logo, tenho certeza. Ele tem know-how pra isso. A minha sensação de fracasso continua, mas isso acho que nem o tempo cura. Achei que como ele já tinha ido uma vez seria mais leve. Não foi. É coisa de mãe – e quem tem uma ou é uma sabe que é assim mesmo que funciona. Há muitos anos eu digo que a gente prepara os filhos pra ir pro mundo, só não se prepara pra ver os filhos irem pro mundo. É isso...
Leio no blog de uma nova e jovem amiga que ela acaba de comprar um livro do Saramago e que se prepara para isso há algum tempo, sempre adiando por achar que não estava madura o suficiente. Só pra consolá-la, devo dizer que há livros que não hesito em comprar. Simplesmente não compro. Ou compro e deixo guardado na estante, me desafiando. Mas são títulos que decidi que só vou ler quando estiver bem velhinha, pra ter todo o tempo do mundo pra compreender o que de fato está escrito. A Montanha Mágica do Thomas Mann é um deles. E embora todo mundo diga que Proust é uma maravilha, continuo achando que tenho de ter mais tempo pra ele. Por enquanto, não tenho. Mas desconfio que no fundo é um pouco de preguiça mesmo, ainda mais com essa profusão de leituras mais leves e digestivas que saltam das prateleiras o tempo todo. Coisa pra encher os olhos e esvaziar a cabeça.
Bobagens. É assim que me refiro a esses livros. A denominação foi adotada imediatamente pelo livreiro que freqüenta a redação. E tem o setor drogas pesadas, altamente viciantes, tipo Nora Roberts e outros quetais. Ele chega perto e fala bem baixinho: hoje tem droga pesada... Ele sabe que sou viciada em drogas e bobagens. E é o meu maior credor, hoje em dia.
As manhãs andam reservadas para o crochê, que enche os olhos, ocupa as mãos e a cabeça e dá satisfação imensa quando o trabalho fica pronto. Fui eu que fiz.
A gramática pode estar errada, mas a satisfação é certa.
fevereiro 13, 2006
Volta ao trabalho, semana II. Tudo em paz e em ordem. A cabeça está tranqüila, mas o nariz anda reclamando. Maldito ar condicionado!!! A gente conserta no final de semana e, já na segunda, começa tudo de novo...
Segunda sempre é sossegado. Acho que o povo ainda está meio de bode do domingo, então muito pouca coisa acontece. Felizmente. Meu domingo costuma sempre ser de descanso, mas o corpo acostuma rapidinho e sempre reclama da atividade na segunda.
E por falar em corpo, nada a ver com o meu, claro, passei a manhã vendo corpos fantásticos. Esqueça os super-homens, os homem-aranha, os X-men. Lindos são os atletas que fazem patinação de velocidade nas Olimpíadas de Inverno. E as roupas que eles vestem botam qualquer super-herói no chinelo.
Roupas colantes, que realçam o corpo todo, tudo o que tem de ser realçado. E que coxas, tragam-me meus sais!!! Japoneses e chineses em vermelho e preto; americanos de negro com detalhes cinza e branco; holandeses de cor de laranja e preto; noruegueses de azul claro e vermelho. Os russos, de vermelho com a parte superior em branco com florzinhas estilizadas estavam um tanto viadinhos. Os canadenses, de vermelho, com detalhes em preto e cinza remetendo à maple leaf da bandeira, lindos! Os poloneses colocaram um grifo no peito e lembravam armaduras medievais. Tudo devidamente recheado por rapazes atléticos, bem alimentados, bem treinados... Sai de baixo!!!
Por uma questão de raízes, torci pelos japoneses. Que foram bem, apesar de não levarem medalha: quarto, sexto, décimo terceiro e décimo oitavo, numa lista de 37 participantes. Nada mal.
De vez em quando a TV mostrava flashes de alguma coisa que fiz questão de assistir pra ver se entendia. O tal curling – dizem – envolve precisão e sensibilidade. E é chato pra cacete. Pelo menos para quem está vendo. Acho que jogar deve ser mais divertido. E ainda dizem que tênis é chato...
Mudando de pato a ganso, aliás de pato a gato, Priscila foi embora. Demorou uns dias, a dona dela parecia não querer ter a gatinha de volta, mas acabou indo. Tenho saudades, mas acho que uma a mais, no caso, ia fazer alguma diferença... Pra consolar, Maguinha, minha preta e branca fake, continua firme no viveiro de Ig...
Cada louco com sua mania...
Segunda sempre é sossegado. Acho que o povo ainda está meio de bode do domingo, então muito pouca coisa acontece. Felizmente. Meu domingo costuma sempre ser de descanso, mas o corpo acostuma rapidinho e sempre reclama da atividade na segunda.
E por falar em corpo, nada a ver com o meu, claro, passei a manhã vendo corpos fantásticos. Esqueça os super-homens, os homem-aranha, os X-men. Lindos são os atletas que fazem patinação de velocidade nas Olimpíadas de Inverno. E as roupas que eles vestem botam qualquer super-herói no chinelo.
Roupas colantes, que realçam o corpo todo, tudo o que tem de ser realçado. E que coxas, tragam-me meus sais!!! Japoneses e chineses em vermelho e preto; americanos de negro com detalhes cinza e branco; holandeses de cor de laranja e preto; noruegueses de azul claro e vermelho. Os russos, de vermelho com a parte superior em branco com florzinhas estilizadas estavam um tanto viadinhos. Os canadenses, de vermelho, com detalhes em preto e cinza remetendo à maple leaf da bandeira, lindos! Os poloneses colocaram um grifo no peito e lembravam armaduras medievais. Tudo devidamente recheado por rapazes atléticos, bem alimentados, bem treinados... Sai de baixo!!!
Por uma questão de raízes, torci pelos japoneses. Que foram bem, apesar de não levarem medalha: quarto, sexto, décimo terceiro e décimo oitavo, numa lista de 37 participantes. Nada mal.
De vez em quando a TV mostrava flashes de alguma coisa que fiz questão de assistir pra ver se entendia. O tal curling – dizem – envolve precisão e sensibilidade. E é chato pra cacete. Pelo menos para quem está vendo. Acho que jogar deve ser mais divertido. E ainda dizem que tênis é chato...
Mudando de pato a ganso, aliás de pato a gato, Priscila foi embora. Demorou uns dias, a dona dela parecia não querer ter a gatinha de volta, mas acabou indo. Tenho saudades, mas acho que uma a mais, no caso, ia fazer alguma diferença... Pra consolar, Maguinha, minha preta e branca fake, continua firme no viveiro de Ig...
Cada louco com sua mania...
fevereiro 06, 2006
De volta.
Achei que ia ser doloroso, mas nem foi tanto. Provavelmente porque eu também deixei – pelo menos por enquanto – de achar que tudo o que a gente faz aqui é bobagem. Bobagem é a gente questionar o trabalho que faz. Digo por enquanto porque nunca se sabe como vai ser o futuro e vai que em alguma hora uma megabobagem mexa comigo... Férias têm o poder de deixar a gente calminha, calminha...
Bom, mas cá estou, de volta ao trabalho.
Linda (sempre), leve e solta, mas vermelhinha do sol tomado no final de semana enquanto brincava com o neto numa piscina no interior de São Paulo. Um pouco ardida, mas isso passa. E é bom, masoquismo à parte, porque lembra os bons momentos.
O fim de semana também trouxe uma novidade: Ranzinza, na verdade, chama-se Priscila e tem dona. Cuja foi buscá-la em casa, mas não levou. Deixou-a lá, para eu me despedir. Ainda tive uma noite com a bichinha, que, só pra provocar, veio dormir no meu travesseiro... Mas já combinei com a dona dela e ela vai mesmo voltar pra casa. Onde a esperam outros 11 gatinhos!
Quem disse que sou a única tarada por gatos naquela rua?
Minha única bronca nessa história é que Priscila me lembra a rainha do deserto, o filme. Será que a gata ganhou esse nome por causa dos olhos azuis do Terence Stamp? O filme é divertidíssimo, mas acho que a gatinha merecia um nome melhor. Mas, enfim, não sou eu a dona da bichinha e quem dá nome aos filhos são os pais.
Espero que agora Priscila fique em casa, quietinha. E que eu possa visitá-la de vez em quando...
Achei que ia ser doloroso, mas nem foi tanto. Provavelmente porque eu também deixei – pelo menos por enquanto – de achar que tudo o que a gente faz aqui é bobagem. Bobagem é a gente questionar o trabalho que faz. Digo por enquanto porque nunca se sabe como vai ser o futuro e vai que em alguma hora uma megabobagem mexa comigo... Férias têm o poder de deixar a gente calminha, calminha...
Bom, mas cá estou, de volta ao trabalho.
Linda (sempre), leve e solta, mas vermelhinha do sol tomado no final de semana enquanto brincava com o neto numa piscina no interior de São Paulo. Um pouco ardida, mas isso passa. E é bom, masoquismo à parte, porque lembra os bons momentos.
O fim de semana também trouxe uma novidade: Ranzinza, na verdade, chama-se Priscila e tem dona. Cuja foi buscá-la em casa, mas não levou. Deixou-a lá, para eu me despedir. Ainda tive uma noite com a bichinha, que, só pra provocar, veio dormir no meu travesseiro... Mas já combinei com a dona dela e ela vai mesmo voltar pra casa. Onde a esperam outros 11 gatinhos!
Quem disse que sou a única tarada por gatos naquela rua?
Minha única bronca nessa história é que Priscila me lembra a rainha do deserto, o filme. Será que a gata ganhou esse nome por causa dos olhos azuis do Terence Stamp? O filme é divertidíssimo, mas acho que a gatinha merecia um nome melhor. Mas, enfim, não sou eu a dona da bichinha e quem dá nome aos filhos são os pais.
Espero que agora Priscila fique em casa, quietinha. E que eu possa visitá-la de vez em quando...
fevereiro 01, 2006
Computador é um bicho muito estranho. Assim, do nada, ele pifa. Não dá sinal, não apita, não suspira, não grita. De repente, pára. O meu, nem ligou. E, por ser um ser estranho, é só uma questão de trocar de tomada. Aí funciona beleza. Mas o técnico vem amanhã, se tudo der certo (pra ele, claro). Por isso, acho que é o último post antes da volta ao trabalho. De sexta a domingo, estarei fora, não vai dar pra escrever.
Aí, sim. Não vou suspirar, nem gemer, nem gritar. Mas vai doer. É tão bom ficar em casa... Segunda vai ser terrível. Mas ainda é quarta. Então, ainda há tempo pra ser curtido.
Lembro, toda vez que estou para voltar ao trabalho, de um período sem trabalho. Quase dois anos curtindo casa e filhos, cortesia de um certo momento de milagre econômico. Claro que chegou uma certa altura em que não deu mais. Então, o jeito foi arrumar trabalho de novo. A noite anterior à volta ao trabalho foi doída. Chorei muito. Lamentei ter de vender meu precioso tempo pra alguém – se não me engano, naquela ocasião era para os Civita -, por um preço que eu duvidava que fosse justo. Mas não tinha jeito. Voltei. E não deu pra parar nunca mais.
Continuo achando que não é um bom negócio. Claro que preciso do salário, mas meu tempo vale muito mais. Como não tem jeito, sigo adiante e só penso nisso nesses momentos, quando estou prestes a voltar. Não adianta muito e nem ajuda. Mas não consigo deixar de lembrar.
É como diz o ditado: não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe...
********
Ela é ranzinza como nunca vi. Mal-humorada, brava. Mas é linda. E vai ficar mais bonita ainda, mas não sei se vai ficar aqui.
Foi assim: uma senhorinha que mora na rua de baixo bateu aqui em casa e disse que largaram uma gatinha no jardim da casa dela há duas semanas. "Ela é mansinha, deve ter dono. Avisei todos os vizinhos, mas até agora não apareceu ninguém..." A senhorinha estava à procura de um lugar para a bichinha. O marido é alérgico e já estava começando a ter problemas sérios. E acho que minha casa já está sendo vista como uma casa de gatos... Assim...
Ela é mansinha, sim, mas só com gente. Rosna cada vez que vê um gato - aqui em casa isso quer dizer o tempo inteiro. Só fica tranqüila e dorme ao lado da gente. É siamesa, de manchas bem escuras e olhos azul-turquesa, de um azul inacreditavelmente bonito. Deve ter uns cinco meses. Por enquanto não tem nome. Vai depender da adaptação dela à casa e aos outros gatos. E, claro, de aparecer o dono (duvido) ...
Alguém quer uma gatinha?
Aí, sim. Não vou suspirar, nem gemer, nem gritar. Mas vai doer. É tão bom ficar em casa... Segunda vai ser terrível. Mas ainda é quarta. Então, ainda há tempo pra ser curtido.
Lembro, toda vez que estou para voltar ao trabalho, de um período sem trabalho. Quase dois anos curtindo casa e filhos, cortesia de um certo momento de milagre econômico. Claro que chegou uma certa altura em que não deu mais. Então, o jeito foi arrumar trabalho de novo. A noite anterior à volta ao trabalho foi doída. Chorei muito. Lamentei ter de vender meu precioso tempo pra alguém – se não me engano, naquela ocasião era para os Civita -, por um preço que eu duvidava que fosse justo. Mas não tinha jeito. Voltei. E não deu pra parar nunca mais.
Continuo achando que não é um bom negócio. Claro que preciso do salário, mas meu tempo vale muito mais. Como não tem jeito, sigo adiante e só penso nisso nesses momentos, quando estou prestes a voltar. Não adianta muito e nem ajuda. Mas não consigo deixar de lembrar.
É como diz o ditado: não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe...
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Ela é ranzinza como nunca vi. Mal-humorada, brava. Mas é linda. E vai ficar mais bonita ainda, mas não sei se vai ficar aqui.
Foi assim: uma senhorinha que mora na rua de baixo bateu aqui em casa e disse que largaram uma gatinha no jardim da casa dela há duas semanas. "Ela é mansinha, deve ter dono. Avisei todos os vizinhos, mas até agora não apareceu ninguém..." A senhorinha estava à procura de um lugar para a bichinha. O marido é alérgico e já estava começando a ter problemas sérios. E acho que minha casa já está sendo vista como uma casa de gatos... Assim...
Ela é mansinha, sim, mas só com gente. Rosna cada vez que vê um gato - aqui em casa isso quer dizer o tempo inteiro. Só fica tranqüila e dorme ao lado da gente. É siamesa, de manchas bem escuras e olhos azul-turquesa, de um azul inacreditavelmente bonito. Deve ter uns cinco meses. Por enquanto não tem nome. Vai depender da adaptação dela à casa e aos outros gatos. E, claro, de aparecer o dono (duvido) ...
Alguém quer uma gatinha?
janeiro 24, 2006
Aleluia, viva, viva!!! A temperatura caiu um pouco e já é possível até articular alguma coisa com algum sentido.
O primeiro botão da dama da noite abriu esta noite – ainda faltam dois (eram três, mas um caiu com o temporal de sexta-feira) que, pelo jeito, vão abrir juntos. Os botões da catléia também abriram, revelando uma magnífica orquídea branca de miolo esverdeado, um primor de delicadeza. Vou sair daqui a pouco pra comprar filme pra máquina, não quero perder esses instantes. Sei lá quando essa orquídea vai florir de novo...
O livro novo já está quase no final. É O Condenado, de Bernard Cornwell, um cara que fez vasta pesquisa sobre a lenda do rei Arthur – escreveu duas trilogias sobre o tema. Daí que fiz confusão e disse que o livro que estava lendo era sobre esse período. Não é. É ambientado no início do século XIX, quando a Inglaterra acabava de sair da guerra contra a França (aquela interminável). Gostoso de ler e mostra uma realidade completamente diferente da nossa. Uma viagem diferente, que leva a gente para um mundo totalmente desconhecido, com muitas viagens a cavalo, poucos banhos e nenhuma higiene...
Isso me remete a um artigo publicado recentemente no Estadão, o do biólogo Fernando Reinach, falando sobre como a evolução da medicina mudou o conceito humano de dor física. Ele conclui que o homem, hoje, não sabe o que é dor. E, baseada no exemplo que ele dá, acho que concordo. E não vejo nenhum motivo que me incentive a descobrir o que é dor de verdade.
Reinach descreve a descoberta de uma múmia que teve um dente de metal implantado na arcada. Dito assim, hoje, parece ser tranqüilo (embora, pra mim, nada que se refira a dentes e dentistas seja tranqüilo). Mas ele lembra que, na época em que viveu a tal múmia, não havia anestesia para extrações nem próteses dentárias. Assim, o tal implante teve de ser colocado em seguida à extração do dente e martelado no osso para se fixar. Me arrepio de pavor só de pensar em como isso foi feito, mas deve ter dado certo, porque o dente estava lá na múmia até os dias de hoje.
A coluna do Reinach (publicada todas as quartas) sempre tem algum dado interessante que leva a gente a pensar. Cada uma tem um tema e o autor coloca, no final, indicação de livros e/ou textos que aprofundam o assunto para quem tiver interesse.
E viva a lidocaína!!!
O primeiro botão da dama da noite abriu esta noite – ainda faltam dois (eram três, mas um caiu com o temporal de sexta-feira) que, pelo jeito, vão abrir juntos. Os botões da catléia também abriram, revelando uma magnífica orquídea branca de miolo esverdeado, um primor de delicadeza. Vou sair daqui a pouco pra comprar filme pra máquina, não quero perder esses instantes. Sei lá quando essa orquídea vai florir de novo...
O livro novo já está quase no final. É O Condenado, de Bernard Cornwell, um cara que fez vasta pesquisa sobre a lenda do rei Arthur – escreveu duas trilogias sobre o tema. Daí que fiz confusão e disse que o livro que estava lendo era sobre esse período. Não é. É ambientado no início do século XIX, quando a Inglaterra acabava de sair da guerra contra a França (aquela interminável). Gostoso de ler e mostra uma realidade completamente diferente da nossa. Uma viagem diferente, que leva a gente para um mundo totalmente desconhecido, com muitas viagens a cavalo, poucos banhos e nenhuma higiene...
Isso me remete a um artigo publicado recentemente no Estadão, o do biólogo Fernando Reinach, falando sobre como a evolução da medicina mudou o conceito humano de dor física. Ele conclui que o homem, hoje, não sabe o que é dor. E, baseada no exemplo que ele dá, acho que concordo. E não vejo nenhum motivo que me incentive a descobrir o que é dor de verdade.
Reinach descreve a descoberta de uma múmia que teve um dente de metal implantado na arcada. Dito assim, hoje, parece ser tranqüilo (embora, pra mim, nada que se refira a dentes e dentistas seja tranqüilo). Mas ele lembra que, na época em que viveu a tal múmia, não havia anestesia para extrações nem próteses dentárias. Assim, o tal implante teve de ser colocado em seguida à extração do dente e martelado no osso para se fixar. Me arrepio de pavor só de pensar em como isso foi feito, mas deve ter dado certo, porque o dente estava lá na múmia até os dias de hoje.
A coluna do Reinach (publicada todas as quartas) sempre tem algum dado interessante que leva a gente a pensar. Cada uma tem um tema e o autor coloca, no final, indicação de livros e/ou textos que aprofundam o assunto para quem tiver interesse.
E viva a lidocaína!!!
janeiro 22, 2006
O calor derretendo os miolos não permite muita elocubração. Então, ler John Grisham foi uma tranqüilidade. O Corretor, historinha simples, ao estilo do Grisham, bem construída, bem traduzida, que não deixa muito espaço para raciocínios. Perfeito. Vou começar outro, espero que seja tão descompromissado como esse. O título não lembro, depois eu conto. Só sei que se passa na Inglaterra, em época posterior ao rei Arthur. Nada como botar um pouco de fantasia na vida...
Todo dia cedo leio a previsão do tempo esperando o anúncio de uma frente fria. Hoje desanimei: só na quarta-feira?!?! E mesmo assim virá só com chuva e um "leve declínio da temperatura". Até lá já terei derretido... O jornal tem notícia ruim até na previsão do tempo...
O filho fez pão, que vou experimentar daqui a pouco com manteiguinha. Delícia! Acho que vou fazer uma gelatina pra comer amanhã cedo.
E vou encher uma bolsa com gelo e colocar na cabeça pra manter Tico e Teco ativos...
Todo dia cedo leio a previsão do tempo esperando o anúncio de uma frente fria. Hoje desanimei: só na quarta-feira?!?! E mesmo assim virá só com chuva e um "leve declínio da temperatura". Até lá já terei derretido... O jornal tem notícia ruim até na previsão do tempo...
O filho fez pão, que vou experimentar daqui a pouco com manteiguinha. Delícia! Acho que vou fazer uma gelatina pra comer amanhã cedo.
E vou encher uma bolsa com gelo e colocar na cabeça pra manter Tico e Teco ativos...
janeiro 20, 2006
Criei vergonha na cara: arrumei os armários. Não foi tudo, porque ninguém é de ferro e só de olhar as blusas de lã o suor me escorria pelo rosto e nublava a visão. Essa parte fica pra quando esfriar um pouco. Talvez eu aproveite aquela semana de inverno que costuma ter todo ano...
Mais da metade das férias se fora e, embora não tenha feito boa parte do que tinha me proposto fazer, acho que o saldo é bom. Dois livros lidos até agora - As crônicas de Nárnia (falta ver o filme) e o último do Michael Crichton, Estado de Medo. Este me deixou com a cabeça cheia de minhocas sobre a tal consciência ecológica e preservação do meio ambiente. Ele derruba uma séries de conceitos que a gente costuma ter como certos - e, o que é pior, prova o que diz. Será que me enganei tanto por tanto tempo?
"Tenho mais respeito pelas pessoas que mudam de visão depois de adquirir novas informações do que por aquelas que se aferram à mesma visão que têm há 30 anos. O mundo muda. Ideólogos e fanáticos, não."
E ele conclui: "Estou certo de que há certezas demais no mundo." Companheiro, estou contigo e não abro. Mas eu queria ter algumas certezas na vida. Porque só eu tenho dúvidas?
Uma amiga cheia de certezas absolutas esteve comigo nos últimos dias. Só aumentou minha confusão. Como alguém pode ter tanta certeza sobre tantas coisas? Dizem que o tempo melhora a gente, que os mais velhos têm certezas cristalizadas. Pelo jeito, acho que ainda não estou velha o bastante pra isso...
Mas estou de férias e deve ser por isso que dá tempo de minhocar tanta coisa. Em tempo de trampo, não dá muito tempo, não... E já dizia Millor há muitos anos: 'Livre pensar é só pensar."
Continuando o inventário das férias, descansei um bocado, montei algumas pulseiras de balangandãs, bati muita perna, cuidei das minhas plantinhas - minha dama da noite está com 4 botões, cada um num estágio diferente, o que quer dizer que elas vão abrir em noites diferentes, o jasmim já deu duas florzinhas (ele é novinho, no ano que vem tenho certeza que vai ficar coberto) e descobri hoje que tenho uma orquídea com quatro lindos botões. Não sei que orquídea é essa, acho que é uma catléia, mas não lembro de ter ganhado alguma. Preciso comprar filme pra máquina, documentar essas flores todas. Ah, sim, e costurei de montão - até sacolinha pra por um presente para um amigo.
Uma das melhores coisas do mundo é você ter o seu tempo e fazer dele o que lhe der na telha. Sem horário, sem compromisso, sem obrigação. Fazer se quiser e o que quiser. E aí vale até tomar banho de esguicho de mangueira ou sair pulando no quintal no meio da chuva.
Sabe a Libertad, a minúscula amiga da Mafalda das tiras do Quino? Gosto das coisas simples, ela dizia. Com toda razão...
Mais da metade das férias se fora e, embora não tenha feito boa parte do que tinha me proposto fazer, acho que o saldo é bom. Dois livros lidos até agora - As crônicas de Nárnia (falta ver o filme) e o último do Michael Crichton, Estado de Medo. Este me deixou com a cabeça cheia de minhocas sobre a tal consciência ecológica e preservação do meio ambiente. Ele derruba uma séries de conceitos que a gente costuma ter como certos - e, o que é pior, prova o que diz. Será que me enganei tanto por tanto tempo?
"Tenho mais respeito pelas pessoas que mudam de visão depois de adquirir novas informações do que por aquelas que se aferram à mesma visão que têm há 30 anos. O mundo muda. Ideólogos e fanáticos, não."
E ele conclui: "Estou certo de que há certezas demais no mundo." Companheiro, estou contigo e não abro. Mas eu queria ter algumas certezas na vida. Porque só eu tenho dúvidas?
Uma amiga cheia de certezas absolutas esteve comigo nos últimos dias. Só aumentou minha confusão. Como alguém pode ter tanta certeza sobre tantas coisas? Dizem que o tempo melhora a gente, que os mais velhos têm certezas cristalizadas. Pelo jeito, acho que ainda não estou velha o bastante pra isso...
Mas estou de férias e deve ser por isso que dá tempo de minhocar tanta coisa. Em tempo de trampo, não dá muito tempo, não... E já dizia Millor há muitos anos: 'Livre pensar é só pensar."
Continuando o inventário das férias, descansei um bocado, montei algumas pulseiras de balangandãs, bati muita perna, cuidei das minhas plantinhas - minha dama da noite está com 4 botões, cada um num estágio diferente, o que quer dizer que elas vão abrir em noites diferentes, o jasmim já deu duas florzinhas (ele é novinho, no ano que vem tenho certeza que vai ficar coberto) e descobri hoje que tenho uma orquídea com quatro lindos botões. Não sei que orquídea é essa, acho que é uma catléia, mas não lembro de ter ganhado alguma. Preciso comprar filme pra máquina, documentar essas flores todas. Ah, sim, e costurei de montão - até sacolinha pra por um presente para um amigo.
Uma das melhores coisas do mundo é você ter o seu tempo e fazer dele o que lhe der na telha. Sem horário, sem compromisso, sem obrigação. Fazer se quiser e o que quiser. E aí vale até tomar banho de esguicho de mangueira ou sair pulando no quintal no meio da chuva.
Sabe a Libertad, a minúscula amiga da Mafalda das tiras do Quino? Gosto das coisas simples, ela dizia. Com toda razão...
janeiro 10, 2006
Feliz ano novo pra todo mundo!!!
E já se passaram 10 dias do novo ano. E eu estou em férias!!!
Carregando pedras – mas é bom. Hoje, por exemplo, pulei da cama as 6 da matina e fui pro Ceasa comprar plantinhas. Na verdade, comprei uma arvorezinha pra colocar num vasão que tinha guardado. E, claro, nunca é só isso. Aí fui mexer no jardim porque comprei também umas mudinhas de lírios-do-vento (vou procurar saber mais dessas florzinhas na internet em seguida). E tive de abrir espaço pra elas, o que quer dizer que as paulistinhas foram pro lixo. Mas elas estavam espalhadas demais, tomando conta do canteiro. Deixei algumas – elas estão exuberantes!
Fim de semana no interior, na casa da sogra da filha, com a filha e o neto. Preguiça total. Li quase a metade das Crônicas de Nárnia. Quero ver se leio tudo antes de ver o filme. Trouxe montanhas de verduras, fresquinhas, colhidas da horta. Metade da feira está feita, só faltaram as frutas. O que me faz lembrar: tenho de pegar o dinheiro da feira e da semana no banco. Eu estou em férias, mas a casa e as contas, não. Seria bom se estivessem...
Marquei dentista pra hoje à tarde. Parece que todo ano, quando saio em férias, vou ao dentista. Saco. Mas necessário.
Ainda falta arrumar os armários do quarto, o que estou adiando desde as férias do ano passado. Quem sabe neste eu crio vergonha? É viver pra ver...
Tem coisas que não adianta mandar fazer: é a gente que tem de pegar no breu, mesmo...
E já se passaram 10 dias do novo ano. E eu estou em férias!!!
Carregando pedras – mas é bom. Hoje, por exemplo, pulei da cama as 6 da matina e fui pro Ceasa comprar plantinhas. Na verdade, comprei uma arvorezinha pra colocar num vasão que tinha guardado. E, claro, nunca é só isso. Aí fui mexer no jardim porque comprei também umas mudinhas de lírios-do-vento (vou procurar saber mais dessas florzinhas na internet em seguida). E tive de abrir espaço pra elas, o que quer dizer que as paulistinhas foram pro lixo. Mas elas estavam espalhadas demais, tomando conta do canteiro. Deixei algumas – elas estão exuberantes!
Fim de semana no interior, na casa da sogra da filha, com a filha e o neto. Preguiça total. Li quase a metade das Crônicas de Nárnia. Quero ver se leio tudo antes de ver o filme. Trouxe montanhas de verduras, fresquinhas, colhidas da horta. Metade da feira está feita, só faltaram as frutas. O que me faz lembrar: tenho de pegar o dinheiro da feira e da semana no banco. Eu estou em férias, mas a casa e as contas, não. Seria bom se estivessem...
Marquei dentista pra hoje à tarde. Parece que todo ano, quando saio em férias, vou ao dentista. Saco. Mas necessário.
Ainda falta arrumar os armários do quarto, o que estou adiando desde as férias do ano passado. Quem sabe neste eu crio vergonha? É viver pra ver...
Tem coisas que não adianta mandar fazer: é a gente que tem de pegar no breu, mesmo...
dezembro 30, 2005
Provavelmente nãovai dar tempode escrever antes de entrar 2006. Então, este será o último post de 2005.
Good bye, so long, farewell. Este já está nos estertores. Que venha logo o novo.
Fim de ano é sempre meio devagar. Todo mundo reduz o ritmo, a cidade fica bem mais lenta, mais tranqüila. Meio que em compasso de espera. Nada começa, muita coisa termina. Ano novo, vida nova. É isso aí.
Eu, de folga, também estou meio devagar. E por absoluta falta de costume com o teclado de casa, estou apanhando do meu próprio computador. Acho que em janeiro vou ter de comprar um teclado novo. Esse aqui tem de levar porrada na barra de espaço pra dar espaço...
Bom, ano que vem tem mais. By bye, so long, farewell. See you soon!
Que venha logo o novo...
Good bye, so long, farewell. Este já está nos estertores. Que venha logo o novo.
Fim de ano é sempre meio devagar. Todo mundo reduz o ritmo, a cidade fica bem mais lenta, mais tranqüila. Meio que em compasso de espera. Nada começa, muita coisa termina. Ano novo, vida nova. É isso aí.
Eu, de folga, também estou meio devagar. E por absoluta falta de costume com o teclado de casa, estou apanhando do meu próprio computador. Acho que em janeiro vou ter de comprar um teclado novo. Esse aqui tem de levar porrada na barra de espaço pra dar espaço...
Bom, ano que vem tem mais. By bye, so long, farewell. See you soon!
Que venha logo o novo...
dezembro 27, 2005
A gente comemora tempo de separação? Acho que não é de bom tom, nem deve fazer muito bem à saúde mental. Mas hoje, dia 27 de dezembro, fariam 32 anos que estaria casada, se casada continuasse. E amanhã, dia 28 de dezembro, completarei 5 anos de separada...
Tempo suficiente pra se fazer um balanço e ver como ficou. Distante o suficiente para uma análise menos apaixonada, mais fria. E, só de querer analisar, já mostra que ainda tem importância. Se não tivesse, nem lembraria... Mas é meio automático, já que as duas aconteceram muito próximas em dia e mês. Ano, não. Entre um e outro, são 27 anos e muita água passada por baixo da ponte.
O mais engraçado é que as coisas continuaram a mudar ao longo desses cinco anos. A grande mudança desencadeou uma série de outras que, acredito, ainda estão rolando. Outras coisas aconteceram independentemente da grande mudança, mas acentuaram a importância dela.
A vida é outra. A realidade é outra. Eu sou outra. Acho que continuo bobinha em algumas coisas. Aí é inevitável, tem coisa que não tem conserto. Em outras, fiquei desconfiada – perdi a confiança em várias pessoas e não consegui ainda confiar em outras. Minha vida passou a ser cada vez mais minha e só minha. Não se meta onde não foi chamado. E, se eu pedir socorro, pode ter certeza de que é porque é absolutamente necessário e imprescindível. E quero ajuda sem sermão nem explicação.
Aprender a viver só é uma arte. Aprender a ser só é ainda mais difícil. Estou no caminho, acho. Aos cinco anos, meus filhos já comiam e se vestiam sozinhos, já argumentavam comigo, até já liam e escreviam alguma coisa. Eu, cinco anos depois, ainda não estou firme nas pernas, ainda tomo tombos, caio de bunda ou de joelhos, me esfolo um tanto. Nada que polvidine e band-aid não possam consertar.
Eu aprendo. Sempre aprendi.
Tempo suficiente pra se fazer um balanço e ver como ficou. Distante o suficiente para uma análise menos apaixonada, mais fria. E, só de querer analisar, já mostra que ainda tem importância. Se não tivesse, nem lembraria... Mas é meio automático, já que as duas aconteceram muito próximas em dia e mês. Ano, não. Entre um e outro, são 27 anos e muita água passada por baixo da ponte.
O mais engraçado é que as coisas continuaram a mudar ao longo desses cinco anos. A grande mudança desencadeou uma série de outras que, acredito, ainda estão rolando. Outras coisas aconteceram independentemente da grande mudança, mas acentuaram a importância dela.
A vida é outra. A realidade é outra. Eu sou outra. Acho que continuo bobinha em algumas coisas. Aí é inevitável, tem coisa que não tem conserto. Em outras, fiquei desconfiada – perdi a confiança em várias pessoas e não consegui ainda confiar em outras. Minha vida passou a ser cada vez mais minha e só minha. Não se meta onde não foi chamado. E, se eu pedir socorro, pode ter certeza de que é porque é absolutamente necessário e imprescindível. E quero ajuda sem sermão nem explicação.
Aprender a viver só é uma arte. Aprender a ser só é ainda mais difícil. Estou no caminho, acho. Aos cinco anos, meus filhos já comiam e se vestiam sozinhos, já argumentavam comigo, até já liam e escreviam alguma coisa. Eu, cinco anos depois, ainda não estou firme nas pernas, ainda tomo tombos, caio de bunda ou de joelhos, me esfolo um tanto. Nada que polvidine e band-aid não possam consertar.
Eu aprendo. Sempre aprendi.
dezembro 26, 2005
Quase uma semana sem postar nada – quase, não, é uma semana mesmo. Mas esta última semana do natal é infernal. Tanto pra se fazer e tão pouco tempo pra curtir. É assim, ano após ano após ano. E a gente continua, porque é assim mesmo que tem de ser e é como dá certo.
Mas este ano teve novidade: o domingo de natal foi totalmente solitário. Achei ótimo. Ouvi o CD que ganhei sem reclamação de ninguém – tá, ninguém tem obrigação de gostar de Madredeus só porque eu gosto. O disco está lindo. Ouvi duas vezes. E passei o resto do dia vendo a trilogia de O Senhor dos Anéis.
Já tinha visto no cinema, um de cada vez, conforme passou. E tinha revisto o segundo e o terceiro, em DVD, que comprei. Pedi o primeiro no Natal – e ganhei. Aí vi todos, um depois do outro. Foi ótimo – fiquei ainda mais apaixonada pelo filme. E uma certeza, que comecei a ter depois do primeiro filme, quando o vi pela primeira vez, se cristalizou: elfo tem de ter cara de Orlando Bloom. Lindo!!!
Olha, deu pra cansar. São três filmes, cada um deles com cerca de três horas (olhei no IMDB: o primeiro tem 178 minutos; o segundo, 179 minutos; e o terceiro, 201 minutos!). Mas vale a pena. Pra mim, valeu a pena mesmo, porque adorei os filmes. E continuo chorando no final deles, por causa da amizade do Sam com o Frodo. E, como dizem por aí, o que é de gosto regala a vida.
Bom mesmo vai ficar a partir de quarta-feira. Aí começa a folga de ano Novo. E depois, férias!!!! Um monte de nada pra fazer, tempo de sobra pra ler, ver TV, filmes, bordar, crochetar, tricotar, pintar o sete, tudo o que se tem vontade. Mas acho que a primeira providência será ficar pelo menos uma semana longe de jornais, notícias e coisas afins. Será difícil, mas não impossível. Vamos tentar.
O nada exige muita prática e eu continuo tentando...
Mas este ano teve novidade: o domingo de natal foi totalmente solitário. Achei ótimo. Ouvi o CD que ganhei sem reclamação de ninguém – tá, ninguém tem obrigação de gostar de Madredeus só porque eu gosto. O disco está lindo. Ouvi duas vezes. E passei o resto do dia vendo a trilogia de O Senhor dos Anéis.
Já tinha visto no cinema, um de cada vez, conforme passou. E tinha revisto o segundo e o terceiro, em DVD, que comprei. Pedi o primeiro no Natal – e ganhei. Aí vi todos, um depois do outro. Foi ótimo – fiquei ainda mais apaixonada pelo filme. E uma certeza, que comecei a ter depois do primeiro filme, quando o vi pela primeira vez, se cristalizou: elfo tem de ter cara de Orlando Bloom. Lindo!!!
Olha, deu pra cansar. São três filmes, cada um deles com cerca de três horas (olhei no IMDB: o primeiro tem 178 minutos; o segundo, 179 minutos; e o terceiro, 201 minutos!). Mas vale a pena. Pra mim, valeu a pena mesmo, porque adorei os filmes. E continuo chorando no final deles, por causa da amizade do Sam com o Frodo. E, como dizem por aí, o que é de gosto regala a vida.
Bom mesmo vai ficar a partir de quarta-feira. Aí começa a folga de ano Novo. E depois, férias!!!! Um monte de nada pra fazer, tempo de sobra pra ler, ver TV, filmes, bordar, crochetar, tricotar, pintar o sete, tudo o que se tem vontade. Mas acho que a primeira providência será ficar pelo menos uma semana longe de jornais, notícias e coisas afins. Será difícil, mas não impossível. Vamos tentar.
O nada exige muita prática e eu continuo tentando...
dezembro 19, 2005
Daqui escuto uma repórter de outra editoria fazendo contatos com pessoas para uma matéria sobre o início do ano. O que as pessoas estão mudando para entrar no novo ano? Troca de trabalho ou de namorado, de casa ou de vida? Arruma armário, ajeita o jardim, muda os móveis de lugar? A moça estava procurando pessoas que estivessem fazendo as mais diferentes coisas para entrar em 2006 com espírito novo. Ou com vontade de mudar.
Eu me peguei pensando no que faria para esta passagem de ano. E descobri que não tenho plano nenhum. Claro, vou vestir branco – é tradição. Vou procurar ter pensamentos positivos, pedir a ajuda de todos os santos, entidades e espíritos, conhecidos, desconhecidos, ignorados, lembrados, esquecidos, de todas as religiões. Valem todos. Só precisam me ajudar e dar um jeito de me avisar quem foi, pra ter a devida retribuição. De qualquer forma, acho que se tiver meus desejos atendidos, agradecerei a todos. Pois, se pedi a todos...
Acho que não quero mais mudanças – nem de início, nem de fim de ano. Aliás, nem no meio. Mudanças cansam. Tudo como está pode não estar bom, mas está confortável. E, quando não está confortável, dá pra se levar. Os problemas são conhecidos e, se as soluções são inovadoras, o resultado é o mesmo. Assim é melhor.
Mas acho que mudanças virão. Elas sempre vêm. Alguém, em algum momento da minha vida, disse que mudanças são sempre para melhor. Assim, eu posso não querer, mas, se é pra melhorar, tudo bem. Que venha.
Mas, pelamordedeus, que venham devagar, sem sustos...
Eu me peguei pensando no que faria para esta passagem de ano. E descobri que não tenho plano nenhum. Claro, vou vestir branco – é tradição. Vou procurar ter pensamentos positivos, pedir a ajuda de todos os santos, entidades e espíritos, conhecidos, desconhecidos, ignorados, lembrados, esquecidos, de todas as religiões. Valem todos. Só precisam me ajudar e dar um jeito de me avisar quem foi, pra ter a devida retribuição. De qualquer forma, acho que se tiver meus desejos atendidos, agradecerei a todos. Pois, se pedi a todos...
Acho que não quero mais mudanças – nem de início, nem de fim de ano. Aliás, nem no meio. Mudanças cansam. Tudo como está pode não estar bom, mas está confortável. E, quando não está confortável, dá pra se levar. Os problemas são conhecidos e, se as soluções são inovadoras, o resultado é o mesmo. Assim é melhor.
Mas acho que mudanças virão. Elas sempre vêm. Alguém, em algum momento da minha vida, disse que mudanças são sempre para melhor. Assim, eu posso não querer, mas, se é pra melhorar, tudo bem. Que venha.
Mas, pelamordedeus, que venham devagar, sem sustos...
dezembro 08, 2005
Leonado Da Vinci que me perdoe. Ele disse que “Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende”. Medo e arrependimento, não tenho. Mas eu cansei. Não dá pra ter sempre as mesmas velhas e conhecidas coisas, sem novidades? No news are good news. É isso aí.
Mas a cabeça da gente funciona sempre a mil. E começa a se perder em coisas muito loucas. No metrô, outro dia, comecei a prestar atenção em alguns nichos que existem ao longo dos túneis. E imediatamente lembrei daqueles filmes que se passam nos metrôs americanos, onde sempre tem uns cururus que comem, dormem e vivem em nichos semelhantes. E conhecem todos os atalhos, todos os caminhos, para todos os lugares, em todos os túneis. E, claro, sempre ajudam o herói a se safar de alguma confusão. Se bem que, sem confusão, não tem herói...
Juro que cheguei até a ver alguns nichos iluminados com mesa e bancos de madeira. Não vi, mas imaginei um grupo de pessoas almoçando ali, batendo um papo animado enquanto as composições passam, vão e vêm... Em outros, abertos, obviamente para garantir a circulação de ar nos túneis, imaginei um velhinho cuidando de vasos plantados com ervas aromáticas e de temperos. Mas desconfio que a incidência de sol, ali, é muito pouca pra isso. Mas na imaginação, pode.
Ao longo dos túneis sempre tem um corredor estreito, como se fosse uma calçada estreita, com corrimão. Lembro que na inauguração do metrô – juro que estava lá, nos idos de 1972 – o pessoal da Cia. do Metropolitano explicou que aquele corredor serviria em caso de necessidade de as pessoas abandonarem as composições. Através daquele corredor, todo mundo chegaria às estações, sem problemas nem atropelos. Nunca soube que tivessem sido usados – acho que foram, mas não fiquei sabendo. A cidade tem inúmeras histórias de falta de luz e composições que falham, então os corredores devem ter servido... E certamente as composições não foram abandonadas sem atropelos...
Mas em 1972, quando foi realizada a viagem inaugural do metrô, tudo era novidade. O ano foi do Sesquicentenário da Independência – justo quando trouxeram de volta ao Brasil os despojos de D. Pedro I, que agora repousa no mausoléu do Ipiranga. A matéria que escrevi da primeira viagem do metrô, na época, foi apenas mais uma das tantas publicadas em todos os jornais da cidade.
Dizia-se, naquela época, que o metrô estaria devidamente incorporado à cidade quando passasse a ser ponto de encontro de casais de namorados ou de reunião de amigos. Quando virasse palco de brigas. Quando tivesse um filme rodado dentro dele. Ou, ainda, de referência para explicar os caminhos para se chegar em algum lugar.
O metrô ainda está em construção e tudo isso já aconteceu. Decididamente, o metrô já está incorporado à cidade...
Mas a cabeça da gente funciona sempre a mil. E começa a se perder em coisas muito loucas. No metrô, outro dia, comecei a prestar atenção em alguns nichos que existem ao longo dos túneis. E imediatamente lembrei daqueles filmes que se passam nos metrôs americanos, onde sempre tem uns cururus que comem, dormem e vivem em nichos semelhantes. E conhecem todos os atalhos, todos os caminhos, para todos os lugares, em todos os túneis. E, claro, sempre ajudam o herói a se safar de alguma confusão. Se bem que, sem confusão, não tem herói...
Juro que cheguei até a ver alguns nichos iluminados com mesa e bancos de madeira. Não vi, mas imaginei um grupo de pessoas almoçando ali, batendo um papo animado enquanto as composições passam, vão e vêm... Em outros, abertos, obviamente para garantir a circulação de ar nos túneis, imaginei um velhinho cuidando de vasos plantados com ervas aromáticas e de temperos. Mas desconfio que a incidência de sol, ali, é muito pouca pra isso. Mas na imaginação, pode.
Ao longo dos túneis sempre tem um corredor estreito, como se fosse uma calçada estreita, com corrimão. Lembro que na inauguração do metrô – juro que estava lá, nos idos de 1972 – o pessoal da Cia. do Metropolitano explicou que aquele corredor serviria em caso de necessidade de as pessoas abandonarem as composições. Através daquele corredor, todo mundo chegaria às estações, sem problemas nem atropelos. Nunca soube que tivessem sido usados – acho que foram, mas não fiquei sabendo. A cidade tem inúmeras histórias de falta de luz e composições que falham, então os corredores devem ter servido... E certamente as composições não foram abandonadas sem atropelos...
Mas em 1972, quando foi realizada a viagem inaugural do metrô, tudo era novidade. O ano foi do Sesquicentenário da Independência – justo quando trouxeram de volta ao Brasil os despojos de D. Pedro I, que agora repousa no mausoléu do Ipiranga. A matéria que escrevi da primeira viagem do metrô, na época, foi apenas mais uma das tantas publicadas em todos os jornais da cidade.
Dizia-se, naquela época, que o metrô estaria devidamente incorporado à cidade quando passasse a ser ponto de encontro de casais de namorados ou de reunião de amigos. Quando virasse palco de brigas. Quando tivesse um filme rodado dentro dele. Ou, ainda, de referência para explicar os caminhos para se chegar em algum lugar.
O metrô ainda está em construção e tudo isso já aconteceu. Decididamente, o metrô já está incorporado à cidade...
dezembro 01, 2005
Vai lá, pode me chamar de coruja... Não ligo e assumo: sou coruja mesmo. Meus filhos merecem isso e muito mais. Que não dá pra dar sempre, mas a gente faz o possível. Eles são ótimos, gostosos, maravilhosos. E meu neto é incrível. E todos me deixam orgulhosa - sempre.
Ontem fui ver o filme do meu filho. Nem sabia que ele tinha escrito o próprio na Mostra do Audiovisual Paulista - mas estava lá. Não tinha visto nada, não tinha nenhuma informação. Esse filho é assim, meio misterioso. Mas ele não faz isso pra esconder, de sacanagem, faz porque é assim mesmo. E, de uma certa forma, dou razão a ele: deve ser um saco ter mãe, irmã, empregada, perguntando direto como estão as coisas, o que fizeram ou deixaram de fazer... Melhor ficar quieto e só comentar depois. Se precisar ou se alguém perguntar. O filme é ótimo. Me surpreendeu pela delicadeza, pela sensibilidade. O título chama a atenção: A meretriz e o leão. Não dá a menor idéia do que vai rolar na tela. A surpresa é maior.
Ontem engordei uns quilinhos por ter inchado de orgulho. Não sei se ele percebeu - acho que não.
E minha filha, aquela menina doida que decide trabalhar, malhar, ser dona de casa e mãe, tudo ao mesmo tempo. Tá bom, eu fiz isso tudo - malhar, não!!! Ela de vez em quando enlouquece, mistura estações, confunde tudo e trabalha em dobro. Mas no final dá conta de tudo. Cede um pouco aqui, outro pouco ali - e está feito. Também me deixa orgulhosa, mais ainda quando se bota num modelinho executiva e sai fazendo discursos e conquistando patrocínios... E ela é linda, mais do imaginei que minha filha fosse ser. E é mãe daquela criaturinha fofa, não muito doce mas totalmente moleque...
O meu terceiro não gosta, mas ele é o meu baby boy. Cresceu, é maior do que os outros, amadureceu, mas pra mim continua um molecão. É com ele que converso mais, que brinco mais - e de quem levo mais broncas, claro. Porque ele é estouradão e, às vezes, porque eu mereço. Ele também me faz engordar uns quilinhos de orgulho de vez em quando, quando fala alguma coisa, quando lembra de alguma coisa, quando inventa alguma coisa - e isso ele faz com alguma freqüência...
Cada um é cada um e todos são especiais. São os meus filhos...
Ontem fui ver o filme do meu filho. Nem sabia que ele tinha escrito o próprio na Mostra do Audiovisual Paulista - mas estava lá. Não tinha visto nada, não tinha nenhuma informação. Esse filho é assim, meio misterioso. Mas ele não faz isso pra esconder, de sacanagem, faz porque é assim mesmo. E, de uma certa forma, dou razão a ele: deve ser um saco ter mãe, irmã, empregada, perguntando direto como estão as coisas, o que fizeram ou deixaram de fazer... Melhor ficar quieto e só comentar depois. Se precisar ou se alguém perguntar. O filme é ótimo. Me surpreendeu pela delicadeza, pela sensibilidade. O título chama a atenção: A meretriz e o leão. Não dá a menor idéia do que vai rolar na tela. A surpresa é maior.
Ontem engordei uns quilinhos por ter inchado de orgulho. Não sei se ele percebeu - acho que não.
E minha filha, aquela menina doida que decide trabalhar, malhar, ser dona de casa e mãe, tudo ao mesmo tempo. Tá bom, eu fiz isso tudo - malhar, não!!! Ela de vez em quando enlouquece, mistura estações, confunde tudo e trabalha em dobro. Mas no final dá conta de tudo. Cede um pouco aqui, outro pouco ali - e está feito. Também me deixa orgulhosa, mais ainda quando se bota num modelinho executiva e sai fazendo discursos e conquistando patrocínios... E ela é linda, mais do imaginei que minha filha fosse ser. E é mãe daquela criaturinha fofa, não muito doce mas totalmente moleque...
O meu terceiro não gosta, mas ele é o meu baby boy. Cresceu, é maior do que os outros, amadureceu, mas pra mim continua um molecão. É com ele que converso mais, que brinco mais - e de quem levo mais broncas, claro. Porque ele é estouradão e, às vezes, porque eu mereço. Ele também me faz engordar uns quilinhos de orgulho de vez em quando, quando fala alguma coisa, quando lembra de alguma coisa, quando inventa alguma coisa - e isso ele faz com alguma freqüência...
Cada um é cada um e todos são especiais. São os meus filhos...
novembro 29, 2005
Bom, parece que agora ele me pegou. O tal espírito natalino. Está meio devagar, mas já deu sinais de vida. E, pelo que me conheço, daqui pra frente só vai crescer. Já estou pensando nas luzinhas pra acender do lado de fora da casa – será que elas estão funcionando? Ou será que vou ter de comprar outras? E onde vou pendurar a tabuletinha de Feliz Natal? E a árvore, onde vou montar? Enfeito com fitas ou com os velhos enfeites de madeira?
Mas ainda tem o capetinha perguntando, no meio de todas essas questões, se tudo isso vale a pena. Vai gastar energia, vai dar trabalho pra montar e desmontar. E tudo pra que? Meu neto nem vai estar por aqui pra ver as luzes e o Papai Noel subindo as escadinhas, que comprei no ano passado e que vai voltar esse ano, mas em outro lugar... As minhas crianças já não são mais crianças e nem ligam mais pra essas coisas...
E tem os presentes. Tem de ter um pra cada filho – se não, não tem graça. E para o amigo secreto, claro, que este ano ganhou cores informáticas e vai ser via internet mesmo. Coisas da modernidade... Mas uma baita mão na roda quando não se tem dia nem hora pra reunir todos para o sorteio do amigo. E ainda tem a vantagem de a gente poder mandar mensagem anônima para o amigo! No nosso caso, não vai dar certo: pouca gente, todos da família. Todo mundo se conhece muito, não dá pra ser anônimo... Mais umas lembrancinhas pras irmãs...e chega, né?
Mas estou ansiosa. Mais do que pelo Natal e pelo espírito natalino, estou ansiosa para os próximos 30 dias passarem voando. Dia 29 de dezembro entro em folga de Ano Novo. E emendo as férias. Só volto pra esse ar condicionado insalubre e insosso em fevereiro!!!
Papai Noel podia ser camarada comigo e me dar uma MegaSena de presente...
Mas ainda tem o capetinha perguntando, no meio de todas essas questões, se tudo isso vale a pena. Vai gastar energia, vai dar trabalho pra montar e desmontar. E tudo pra que? Meu neto nem vai estar por aqui pra ver as luzes e o Papai Noel subindo as escadinhas, que comprei no ano passado e que vai voltar esse ano, mas em outro lugar... As minhas crianças já não são mais crianças e nem ligam mais pra essas coisas...
E tem os presentes. Tem de ter um pra cada filho – se não, não tem graça. E para o amigo secreto, claro, que este ano ganhou cores informáticas e vai ser via internet mesmo. Coisas da modernidade... Mas uma baita mão na roda quando não se tem dia nem hora pra reunir todos para o sorteio do amigo. E ainda tem a vantagem de a gente poder mandar mensagem anônima para o amigo! No nosso caso, não vai dar certo: pouca gente, todos da família. Todo mundo se conhece muito, não dá pra ser anônimo... Mais umas lembrancinhas pras irmãs...e chega, né?
Mas estou ansiosa. Mais do que pelo Natal e pelo espírito natalino, estou ansiosa para os próximos 30 dias passarem voando. Dia 29 de dezembro entro em folga de Ano Novo. E emendo as férias. Só volto pra esse ar condicionado insalubre e insosso em fevereiro!!!
Papai Noel podia ser camarada comigo e me dar uma MegaSena de presente...
novembro 21, 2005
De vez em quando, de repente, surgem pessoas do passado. Alguns que a gente jurava que nunca mais ia ver na vida, porque tinha tomado outro rumo, decidido se dedicar a outras atividades. Mas aí o destino coloca essas pessoas no caminho da gente.
É bom. E não é. Gosto de pensar que o passado passou e vai ficar lá, no passado. Pra ser lembrado de vez em quando e ser arquivado de novo em seguida. É verdade que nesses (re)encontros o passado vira presente e fica louco pra marcar alguma coisa no futuro. Mas eu faço uma força danada pra que não. Passado foi. Pronto.
Mas é bom ter, de vez em quando, um momento hora da saudade. Lembra como era? E o Fulano, anda fazendo o quê? Nossa, casou com a Cicrana? E separou? E você, como anda? O que tem feito? Aí o assunto acaba. Boa parte dos conhecidos em comum caiu no esquecimento ou sumiu no tempo. A atividade de um não tem nada mais a ver com a atividade do outro. Ou, às vezes, até tem, mas não há mais o ambiente comum, o interesse comum.
Em alguns – raros – casos, a amizade continua. Mas não é reencontro, é amizade. E amizade, já dizia o poeta, é quase amor. A gente não esquece. Mas, como o amor, não há amizade que resista a uma longa separação.
Sábado rolou uma hora da saudade dessas comigo. Reencontrei gente que não via há mais de 10 anos. E saí com uma velha amiga de mais de 40 anos. Aliás, ela e eu demos muita risada desse momento. Ela, eu encontro com alguma regularidade. Ainda existe aquele clima de camaradagem, de companheirismo. Cumplicidade, teve. Agora, não mais. Tem coisa que, quando se perde, jamais se recupera. Mas gosto de vê-la, de encontrá-la, de ficar jogando conversa fora.
Do reencontro com os demais ficou aquele clima do vê se me escreve, telefona, não some, ta? Tudo sem muita convicção, tudo com aquele ar de só pra constar. Ninguém está mentindo, mas fala sabendo que nada mais vai rolar. Teve sorriso, festa, abraço apertado. Foi gostoso. Foi...
Confesso que não sei se quero reencontrar aquelas pessoas. Tenho boas lembranças delas e gostaria que tudo ficasse assim, boas lembranças. O tempo costuma fazer mal às pessoas e as relações raramente continuam as mesmas. Eram boas. Não sei se serão.
Melhor deixar no eram...
É bom. E não é. Gosto de pensar que o passado passou e vai ficar lá, no passado. Pra ser lembrado de vez em quando e ser arquivado de novo em seguida. É verdade que nesses (re)encontros o passado vira presente e fica louco pra marcar alguma coisa no futuro. Mas eu faço uma força danada pra que não. Passado foi. Pronto.
Mas é bom ter, de vez em quando, um momento hora da saudade. Lembra como era? E o Fulano, anda fazendo o quê? Nossa, casou com a Cicrana? E separou? E você, como anda? O que tem feito? Aí o assunto acaba. Boa parte dos conhecidos em comum caiu no esquecimento ou sumiu no tempo. A atividade de um não tem nada mais a ver com a atividade do outro. Ou, às vezes, até tem, mas não há mais o ambiente comum, o interesse comum.
Em alguns – raros – casos, a amizade continua. Mas não é reencontro, é amizade. E amizade, já dizia o poeta, é quase amor. A gente não esquece. Mas, como o amor, não há amizade que resista a uma longa separação.
Sábado rolou uma hora da saudade dessas comigo. Reencontrei gente que não via há mais de 10 anos. E saí com uma velha amiga de mais de 40 anos. Aliás, ela e eu demos muita risada desse momento. Ela, eu encontro com alguma regularidade. Ainda existe aquele clima de camaradagem, de companheirismo. Cumplicidade, teve. Agora, não mais. Tem coisa que, quando se perde, jamais se recupera. Mas gosto de vê-la, de encontrá-la, de ficar jogando conversa fora.
Do reencontro com os demais ficou aquele clima do vê se me escreve, telefona, não some, ta? Tudo sem muita convicção, tudo com aquele ar de só pra constar. Ninguém está mentindo, mas fala sabendo que nada mais vai rolar. Teve sorriso, festa, abraço apertado. Foi gostoso. Foi...
Confesso que não sei se quero reencontrar aquelas pessoas. Tenho boas lembranças delas e gostaria que tudo ficasse assim, boas lembranças. O tempo costuma fazer mal às pessoas e as relações raramente continuam as mesmas. Eram boas. Não sei se serão.
Melhor deixar no eram...
novembro 14, 2005
Meninas, é de arrepiar.
A gravação é antiga – de 73. Mas está lá a voz. Deliciosa. Voz de travesseiro, diria uma amiga. E fica muito melhor quando a gente junta a voz à figura do homem – Deus, tragam-me meus sais!!!
Estou falando de Alain Delon. Que emplacou os 70 no dia 8 de novembro. Mas não estou falando desse que emplacou os 70 há poucos dias. Falo daquele de A Piscina, de Rocco e Seus Irmãos, de O Sol por Testemunha. Preciso de mais sais!!!
E falo de Parole, Parole. A música é italiana, mas foi gravada em francês por Dalida, egípcia filha de imigrantes italianos que passeava por inúmeros idiomas. Com trechos interpretados por Delon. Os dois – Delon e Dalida – meio que conversam, ela cantando e ele falando. E quem o viu no cinema até imagina a cena – só não consegue acreditar que uma mulher possa virar as costas para aquele homem... Mas o diálogo ficou famoso e é destacado até hoje como uma das grandes interpretações em dupla da música francesa.
C’est étrange,
Je n’sais pas ce qui m’arrive ce soir.
Je te regarde comme pour la première fois
Je n’sais plus comment te dire,
Mais tu es cette belle histoire d’amour
Que je ne cesserai jamais de lire.
Tu es d’hier et de demain
De toujours ma seule verité.
Tu es comme le vent qui fait chanter les violons
Et emporte au loin le parfum des roses...
A tradução soa romanticamente boba e piegas. O francês é a melhor língua para essas coisas, sem dúvida. E nem copiei a letra toda. Não precisa entender. É preciso ouvir. E sentir. Muitas, muitas vezes.
O disco é uma coletânea de músicas românticas, que comprei só por causa de Parole, Parole.
Vou continuar ouvindo. E vou reforçar meu estoque de sais...
De qualquer forma, para quem não sabe francês, segue uma tentativa de tradução: é estranho, não sei o que acontece comigo esta noite. Mas eu a vejo como se fosse a primeira vez. Não sei como dizer isso, mas você é aquela bela história de amor que nunca termino de ler. Você é o meu ontem e o meu amanhã, o meu sempre. Você é como o vento que faz cantar os violinos e transporta para longe o perfume das rosas.
Falei que traduzido não tinha graça...
A gravação é antiga – de 73. Mas está lá a voz. Deliciosa. Voz de travesseiro, diria uma amiga. E fica muito melhor quando a gente junta a voz à figura do homem – Deus, tragam-me meus sais!!!
Estou falando de Alain Delon. Que emplacou os 70 no dia 8 de novembro. Mas não estou falando desse que emplacou os 70 há poucos dias. Falo daquele de A Piscina, de Rocco e Seus Irmãos, de O Sol por Testemunha. Preciso de mais sais!!!
E falo de Parole, Parole. A música é italiana, mas foi gravada em francês por Dalida, egípcia filha de imigrantes italianos que passeava por inúmeros idiomas. Com trechos interpretados por Delon. Os dois – Delon e Dalida – meio que conversam, ela cantando e ele falando. E quem o viu no cinema até imagina a cena – só não consegue acreditar que uma mulher possa virar as costas para aquele homem... Mas o diálogo ficou famoso e é destacado até hoje como uma das grandes interpretações em dupla da música francesa.
C’est étrange,
Je n’sais pas ce qui m’arrive ce soir.
Je te regarde comme pour la première fois
Je n’sais plus comment te dire,
Mais tu es cette belle histoire d’amour
Que je ne cesserai jamais de lire.
Tu es d’hier et de demain
De toujours ma seule verité.
Tu es comme le vent qui fait chanter les violons
Et emporte au loin le parfum des roses...
A tradução soa romanticamente boba e piegas. O francês é a melhor língua para essas coisas, sem dúvida. E nem copiei a letra toda. Não precisa entender. É preciso ouvir. E sentir. Muitas, muitas vezes.
O disco é uma coletânea de músicas românticas, que comprei só por causa de Parole, Parole.
Vou continuar ouvindo. E vou reforçar meu estoque de sais...
De qualquer forma, para quem não sabe francês, segue uma tentativa de tradução: é estranho, não sei o que acontece comigo esta noite. Mas eu a vejo como se fosse a primeira vez. Não sei como dizer isso, mas você é aquela bela história de amor que nunca termino de ler. Você é o meu ontem e o meu amanhã, o meu sempre. Você é como o vento que faz cantar os violinos e transporta para longe o perfume das rosas.
Falei que traduzido não tinha graça...
novembro 13, 2005
Gozado como a gente vai se enrolando, se enrolando e deixando de lado as coisas que nos fazem bem, mas que podem esperar um pouco. Aconteceu isso agora com o blog. Fui deixando, deixando e agora vi que já fazem quase 15 dias que não posto nada. Pode ser falta de assunto, também, mas isso a gente arruma.
Foi o tempo mesmo. Tá, desculpa de aleijado é muleta, mas, nesse caso, é verdade. Costumo escrever no jornal, naquelas horinhas em que nada rola e a gente fica esperando dar o horário pra ir embora. Bom, nesses dias rolou. E não era notícia, era encheção de saco mesmo. Com o chefe em férias, os subchefes resolvem fazer mirabolâncias (não procure no dicionário - isso aí eu acabei de inventar). Tipo mudar um monte de coisas pra continuar tudo igual. E, como sempre, nada que possa deixar o leitor melhor com o mundo. Isso mantém a gente ocupada, refazendo trabalho. E sem tempo pra escrever outras coisas.
Não sei ainda até quando permanece essa situação. Primeiro, o chefe tem de voltar. Depois, a gente vê.
Na verdade, não daria nem pra estar aqui escrevendo agora. Tem um frila rolando, enorme, chato que dói. Mas é frila e vai dar algum dinheiro - espero. Então, o correto seria cuidar da chatice rentável. Vou fazer isso daqui a pouco, prometo. Não são nem 9 horas, ainda tenho duas horas pela frente de muito nada pra fazer. Vai dar pra adiantar o dito frila. Acho. Baixei um joguinho faz pouco, mas ele não é tão interessante quanto parecia. Pena...
O jeito vai ser continuar trabalhando...
Foi o tempo mesmo. Tá, desculpa de aleijado é muleta, mas, nesse caso, é verdade. Costumo escrever no jornal, naquelas horinhas em que nada rola e a gente fica esperando dar o horário pra ir embora. Bom, nesses dias rolou. E não era notícia, era encheção de saco mesmo. Com o chefe em férias, os subchefes resolvem fazer mirabolâncias (não procure no dicionário - isso aí eu acabei de inventar). Tipo mudar um monte de coisas pra continuar tudo igual. E, como sempre, nada que possa deixar o leitor melhor com o mundo. Isso mantém a gente ocupada, refazendo trabalho. E sem tempo pra escrever outras coisas.
Não sei ainda até quando permanece essa situação. Primeiro, o chefe tem de voltar. Depois, a gente vê.
Na verdade, não daria nem pra estar aqui escrevendo agora. Tem um frila rolando, enorme, chato que dói. Mas é frila e vai dar algum dinheiro - espero. Então, o correto seria cuidar da chatice rentável. Vou fazer isso daqui a pouco, prometo. Não são nem 9 horas, ainda tenho duas horas pela frente de muito nada pra fazer. Vai dar pra adiantar o dito frila. Acho. Baixei um joguinho faz pouco, mas ele não é tão interessante quanto parecia. Pena...
O jeito vai ser continuar trabalhando...
outubro 31, 2005
Todo ano o sinal de que o Natal está próximo são as sacolinhas que a Verinha traz. Ela é voluntária na creche Perseverança, uma entidade enorme e muito séria, que trabalha com crianças pobres e carentes. Não são abandonadas - todos têm pai e mãe, que passam o dia fora trabalhando, enquanto as crianças passam o dia na creche. E como essas crianças não têm o menor recurso, todo ano a gente se compromete, no Natal, a vestir uma delas.
São centenas de sacolinhas. Todas vêm com etiquetas com nome, idade, tamanho da roupa e do sapato. A gente tem de comprar roupa, roupa de baixo, meia, sapato, um brinquedo e uma caixa de bombons. Gosto de fazer essas compras. Pensar na alegria que essas crianças vão ter quando abrirem os pacotes. Gosto, particularmente, de comprar coisas para os menores. Adolescentes são mais difíceis, acho. Nunca sei o que comprar no item brinquedo.
As sacolinhas vieram hoje. Minha filha sempre pede pra pegar uma, para uma menina que tenha mais ou menos a idade do filho dela. Ela quer ter uma filha e, como não tem, se consola comprando as coisas para uma criança que ela não conhece mas que, com certeza, vai ficar parecendo uma princesinha com as coisas que ela põe na sacola. E costumo pegar uma sacola para um menino e outra para uma menina. Desta vez, peguei duas crianças de 8 anos.
E aí caiu a ficha que logo, mais um tempinho, o Natal vai chegar. Junto, o final do ano - e eu nem vi o ano passar direito... Tem de começar a pensar nos presentes da família. Nas lembrancinhas para os amigos. Que coisa!!!
Costumo curtir as festas de final de ano. Mas este ano, não sei. Acho que ainda é cedo. Ainda não bateu. Ainda não deu aquela vontade de arrumar enfeites, de pensar nas luzes pra colocar na janela. É, ainda é cedo.
Deixa pra pensar nisso mais tarde...
São centenas de sacolinhas. Todas vêm com etiquetas com nome, idade, tamanho da roupa e do sapato. A gente tem de comprar roupa, roupa de baixo, meia, sapato, um brinquedo e uma caixa de bombons. Gosto de fazer essas compras. Pensar na alegria que essas crianças vão ter quando abrirem os pacotes. Gosto, particularmente, de comprar coisas para os menores. Adolescentes são mais difíceis, acho. Nunca sei o que comprar no item brinquedo.
As sacolinhas vieram hoje. Minha filha sempre pede pra pegar uma, para uma menina que tenha mais ou menos a idade do filho dela. Ela quer ter uma filha e, como não tem, se consola comprando as coisas para uma criança que ela não conhece mas que, com certeza, vai ficar parecendo uma princesinha com as coisas que ela põe na sacola. E costumo pegar uma sacola para um menino e outra para uma menina. Desta vez, peguei duas crianças de 8 anos.
E aí caiu a ficha que logo, mais um tempinho, o Natal vai chegar. Junto, o final do ano - e eu nem vi o ano passar direito... Tem de começar a pensar nos presentes da família. Nas lembrancinhas para os amigos. Que coisa!!!
Costumo curtir as festas de final de ano. Mas este ano, não sei. Acho que ainda é cedo. Ainda não bateu. Ainda não deu aquela vontade de arrumar enfeites, de pensar nas luzes pra colocar na janela. É, ainda é cedo.
Deixa pra pensar nisso mais tarde...
outubro 29, 2005
Cansei de ficar injuriada por causa dos spams e resolvi voltar. Na verdade, não foram os spams que me mantiveram afastada, foi a falta de assunto mesmo. E o ma humor. Nossa, como estou mal humorada!!! Se eu já não fosse velhinha, eu diria que estou ficando velha e ranheta. Então, estou ficando ranheta, só.
Mas tem coisas que me irritam muito. E parece que elas estão cada vez mais freqüentes. Em algum momento da vida, eu fiz de conta que elas não existiam, mas acho que já estão demais da conta. Ou então foram se acumulando e agora ameaçam me afogar. Sei lá. Vai ver que é cansaço mesmo. Tomara que seja. Porque nem eu me aguento assim.
Uma coisa é certa: sou, sempre fui, essencialmente democrática. Então, sobram coices para todos. Branco, preto, mulato, verde, alto, magro, baixo, gordo, morenos, loiros, ruivos. O que vier pela frente e falar bobagem, leva.
Só que é preciso ficar atento pra não falar besteira pra quem não merece ouvir. E é aí que a tal democracia ensina a gente a ser prudente. Assim, pelo sim e pelo não, melhor ficar quieta num canto.
Até já entrei numa comunidade no Orkut chamada Não mexa com quem está quieta...
Mas tem coisas que me irritam muito. E parece que elas estão cada vez mais freqüentes. Em algum momento da vida, eu fiz de conta que elas não existiam, mas acho que já estão demais da conta. Ou então foram se acumulando e agora ameaçam me afogar. Sei lá. Vai ver que é cansaço mesmo. Tomara que seja. Porque nem eu me aguento assim.
Uma coisa é certa: sou, sempre fui, essencialmente democrática. Então, sobram coices para todos. Branco, preto, mulato, verde, alto, magro, baixo, gordo, morenos, loiros, ruivos. O que vier pela frente e falar bobagem, leva.
Só que é preciso ficar atento pra não falar besteira pra quem não merece ouvir. E é aí que a tal democracia ensina a gente a ser prudente. Assim, pelo sim e pelo não, melhor ficar quieta num canto.
Até já entrei numa comunidade no Orkut chamada Não mexa com quem está quieta...
outubro 15, 2005
Não tem nada a ver com o fim do mundo, mas acho o fim da picada esse povo que invade o blog da gente só pra deixar mensagens imbecis. No começo, achei divertida a idéia de alguém escrevendo em inglês que leu meu blog e achou ótimo. Duvido que, se leu, tenha entendido alguma coisa.
Mas agora está enchendo o saco. Vem de pote. Se são os mesmos ou diferentes, pouco importa. Enche o saco igual.
O mundo não poderia acabar só pra esses pentelhos?
Mas agora está enchendo o saco. Vem de pote. Se são os mesmos ou diferentes, pouco importa. Enche o saco igual.
O mundo não poderia acabar só pra esses pentelhos?
Fim do mundo parece coisa de ficção científica. A gente lê, se informa, fica sabendo de um monte de coisas, mas se recusa a acreditar que um belo dia tudo vá se acabar. Outro dia vi O Exterminador do Futuro 3, quando as máquinas dominam o mundo e perseguem os humanos. O mundo acaba ali, pelo menos o mundo que a gente conhece. E tem O Dia depois de Amanhã, quando um desastre ecológico arrasa com todo Hemisfério Norte e as grandes potências têm de se mudar para o chamado Terceiro Mundo – a idéia é divertida; o desastre, não.
Nos dois filmes, o mundo não acaba de verdade. A velha Terra continua firme, rodando em torno do Sol. Só muda a situação de toda a humanidade. Será isso o fim do mundo? Quer dizer, o fim do mundo é, na verdade, o fim daquilo que a gente conhece e vive? É o início de uma nova forma de vida, o aprendizado de um jeito novo de encarar as coisas?
A gente olha em volta e vê um monte de coisas desmoronando, se desfazendo, mudando. O clima pirou em várias partes do mundo. Furacão, tufão, tsunami, terremoto. Calor inclemente, chuvas torrenciais, frio congelante. Rios que nunca inundaram sobem agora com fúria assustadora; rios que sempre trouxeram crescimento com as cheias se recusam a sair de um leito que fica cada dia mais estreito. Ainda não aconteceu, mas não vou me assustar se alguém disser que regiões desérticas estão enfrentando chuvas monumentais... O contrário já tem alguns registros inquietantes, de locais úmidos virando verdadeiros desertos – melhor por as barbas de molho.
E não é só no macro (adoro esse termo do economês!) que a gente registra isso tudo. Na minha vida, pelo menos, alguma coisa não anda encaixando. Nada diretamente comigo – graças a Deus, se bem que fico imaginando que, se fosse comigo, não me causaria tanta preocupação. Mas coisinhas vão acontecendo em volta, com gente amiga, conhecida, parente. Nada que atinja diretamente, mas chega uma hora em que dá vontade de pedir pro mundo parar um pouco pra gente dar uma descansadinha. Acho que já disse antes que viver cansa.
Dá pra tomar uma Bohemia antes?
Nos dois filmes, o mundo não acaba de verdade. A velha Terra continua firme, rodando em torno do Sol. Só muda a situação de toda a humanidade. Será isso o fim do mundo? Quer dizer, o fim do mundo é, na verdade, o fim daquilo que a gente conhece e vive? É o início de uma nova forma de vida, o aprendizado de um jeito novo de encarar as coisas?
A gente olha em volta e vê um monte de coisas desmoronando, se desfazendo, mudando. O clima pirou em várias partes do mundo. Furacão, tufão, tsunami, terremoto. Calor inclemente, chuvas torrenciais, frio congelante. Rios que nunca inundaram sobem agora com fúria assustadora; rios que sempre trouxeram crescimento com as cheias se recusam a sair de um leito que fica cada dia mais estreito. Ainda não aconteceu, mas não vou me assustar se alguém disser que regiões desérticas estão enfrentando chuvas monumentais... O contrário já tem alguns registros inquietantes, de locais úmidos virando verdadeiros desertos – melhor por as barbas de molho.
E não é só no macro (adoro esse termo do economês!) que a gente registra isso tudo. Na minha vida, pelo menos, alguma coisa não anda encaixando. Nada diretamente comigo – graças a Deus, se bem que fico imaginando que, se fosse comigo, não me causaria tanta preocupação. Mas coisinhas vão acontecendo em volta, com gente amiga, conhecida, parente. Nada que atinja diretamente, mas chega uma hora em que dá vontade de pedir pro mundo parar um pouco pra gente dar uma descansadinha. Acho que já disse antes que viver cansa.
Dá pra tomar uma Bohemia antes?
outubro 12, 2005
Foi tão boa a festa, pá/Fiquei contente... Fiquei mesmo e agradeço ao Chico pela frase pronta.
Mas a festa foi boa só pra mim e para a meia dúzia de gatos pingados que lá estavam. No fim, o prejuízo deve ter sido grande e vai bater direto no bolso do filho. Por esse lado, foi triste. E vai nos deixar ainda mais tristes quando as contas baterem na porta – o que, por sinal, acontece todos os dias.
Boa música, duas bandas bem legais. Bebida rolando solta – open bar é uma beleza! O pilequinho foi leve, mas a falta de prática pesou. Foi-se o tempo de profissionalismo etílico. Agora sou amadora, abaixo de iniciante. No terceiro copo de cerveja, já estou alegrinha. Já fui bem mais resistente. Mas a vida tem bem mais coisas pra se aproveitar. Ainda.
Dancei um pouco, papeei muito. A molecada é muito simpática e sempre tem muito pra dizer pra gente. Enfim, botei o pé numa realidade da qual andava um pouco afastada. A dos jovens. Que são lindos e loucos como têm de ser os jovens. Cheio de planos e idéias. Cheios de vida.
Quem não foi, perdeu. E, se preferiu ir pra outro lugar, garanto que não se divertiu tanto quanto poderia. Claro que haverá outras. Pode demorar um pouco – sempre demora um pouco pra gente se levantar de um tombo –, mas vai ter outras, sim. Quem viver, verá. E vai aproveitar também.
Mas fico aqui pensando com os meus botões que, se estivesse cheio, provavelmente não seria tão divertido...
Mas a festa foi boa só pra mim e para a meia dúzia de gatos pingados que lá estavam. No fim, o prejuízo deve ter sido grande e vai bater direto no bolso do filho. Por esse lado, foi triste. E vai nos deixar ainda mais tristes quando as contas baterem na porta – o que, por sinal, acontece todos os dias.
Boa música, duas bandas bem legais. Bebida rolando solta – open bar é uma beleza! O pilequinho foi leve, mas a falta de prática pesou. Foi-se o tempo de profissionalismo etílico. Agora sou amadora, abaixo de iniciante. No terceiro copo de cerveja, já estou alegrinha. Já fui bem mais resistente. Mas a vida tem bem mais coisas pra se aproveitar. Ainda.
Dancei um pouco, papeei muito. A molecada é muito simpática e sempre tem muito pra dizer pra gente. Enfim, botei o pé numa realidade da qual andava um pouco afastada. A dos jovens. Que são lindos e loucos como têm de ser os jovens. Cheio de planos e idéias. Cheios de vida.
Quem não foi, perdeu. E, se preferiu ir pra outro lugar, garanto que não se divertiu tanto quanto poderia. Claro que haverá outras. Pode demorar um pouco – sempre demora um pouco pra gente se levantar de um tombo –, mas vai ter outras, sim. Quem viver, verá. E vai aproveitar também.
Mas fico aqui pensando com os meus botões que, se estivesse cheio, provavelmente não seria tão divertido...
outubro 07, 2005
Beatles são Beatles. Forever. Em qualquer língua, em qualquer estilo. Quer dizer, às vezes tem um pessoal que tenta estragar – mas as músicas resistem. Agora estou ouvindo uma versão em canto gregoriano. E quero logo chegar em casa pra colocar no CD player, com efeito de acordo. Tenho certeza que vai ficar muito mais bonito do que já está.
Acabei de ouvir Michelle e voltei no tempo, dançando de rosto colado num dos tantos bailinhos que fui. Mas aquele era especial. Foi na casa de um dos meninos da turma, na Aclimação, bem atrás do parque. E eu sabia que seria a última chance de ficar com aquele garoto que estava de malas prontas pra morar em Brasília. Ia estudar cinema, dizia. Mas a família dele estava se mudando pra lá. E eu nunca mais ia saber dele.
Loirinho, alto, magro. Cara de garoto americano, nem de bom nem de mau menino. Desconfio até que se fosse algum tempo depois eu nem ia prestar atenção nele. Mas eu tinha um fraco por loirinhos. Primeiro foi o Marco Antônio – ainda no ginásio. Que nem olhava pra mim porque tinha coisas mais importantes pra fazer na vida do que prestar atenção nas meninas em geral e naquela japonezinha gordinha em particular. A, naquele momento, era o Nuno... Claro que lembro do nome deles. A gente não esquece daqueles que fazem o sangue da gente ferver, que provocam tremedeira. E, pra mim, eles continuam com a mesma carinha. Se cruzar com um deles na rua, juro que não reconheço. Lembrança serve pra isso. Na memória dos outros, a juventude sempre permanece...
Tinha acabado de passar A Hard Day’s Night no cinema e as músicas dos Beatles eram a trilha sonora de qualquer romance, grande ou pequeno, que rolasse na ocasião. O Nuno sabia diálogos inteiros do filme. Tinha visto trocentas vezes, mais ou menos, e repetia as frases direto, pra meu deleite. Hoje, sinceramente, eu ia achar muito chato...
E lá fomos para o tal baile. Eu, de mini-saia de laise, um luxo. E dá-lhe Beatles. Lá pelas tantas, toca Michelle. E o Nuno me chama pra dançar. Fui. Juntinho, coladinho. No “I need you, I need you, I need you”, ele me beijou a testa. Não nos largamos mais, até o final do baile.
Naquela noite, conheci um pedacinho do céu...
Acabei de ouvir Michelle e voltei no tempo, dançando de rosto colado num dos tantos bailinhos que fui. Mas aquele era especial. Foi na casa de um dos meninos da turma, na Aclimação, bem atrás do parque. E eu sabia que seria a última chance de ficar com aquele garoto que estava de malas prontas pra morar em Brasília. Ia estudar cinema, dizia. Mas a família dele estava se mudando pra lá. E eu nunca mais ia saber dele.
Loirinho, alto, magro. Cara de garoto americano, nem de bom nem de mau menino. Desconfio até que se fosse algum tempo depois eu nem ia prestar atenção nele. Mas eu tinha um fraco por loirinhos. Primeiro foi o Marco Antônio – ainda no ginásio. Que nem olhava pra mim porque tinha coisas mais importantes pra fazer na vida do que prestar atenção nas meninas em geral e naquela japonezinha gordinha em particular. A, naquele momento, era o Nuno... Claro que lembro do nome deles. A gente não esquece daqueles que fazem o sangue da gente ferver, que provocam tremedeira. E, pra mim, eles continuam com a mesma carinha. Se cruzar com um deles na rua, juro que não reconheço. Lembrança serve pra isso. Na memória dos outros, a juventude sempre permanece...
Tinha acabado de passar A Hard Day’s Night no cinema e as músicas dos Beatles eram a trilha sonora de qualquer romance, grande ou pequeno, que rolasse na ocasião. O Nuno sabia diálogos inteiros do filme. Tinha visto trocentas vezes, mais ou menos, e repetia as frases direto, pra meu deleite. Hoje, sinceramente, eu ia achar muito chato...
E lá fomos para o tal baile. Eu, de mini-saia de laise, um luxo. E dá-lhe Beatles. Lá pelas tantas, toca Michelle. E o Nuno me chama pra dançar. Fui. Juntinho, coladinho. No “I need you, I need you, I need you”, ele me beijou a testa. Não nos largamos mais, até o final do baile.
Naquela noite, conheci um pedacinho do céu...
outubro 03, 2005
E cá estou, 5.5 no ponto. Fora do tal inferno astral, mas ainda pensando no que a vida me reserva. Menos zangada comigo mesma, mas ainda insatisfeita. Se esse estado de ânimo continuar, acho que até consigo fazer as pazes daqui a algum tempo. E tem de continuar, pra eu chegar à almejada paz de espírito. Bom, de qualquer forma, por uma contingência física, não posso ficar brigada comigo muito tempo. É muito chato.
E cá estou, com duas gatas a menos. Fran sumiu na calada da noite. Torço e rezo pro meu Chiquinho – São Francisco de Assis, para quem não conhece – cuidar para que ela esteja nos braços de alguém muito carinhoso, que a encha de dengos e mimos, mais do que ela tinha em casa, onde precisava dividir atenções com outros 14. Torço por isso, pra não ter de analisar outras alternativas bem menos agradáveis e bem mais possíveis. E Nininha foi embora de vez. Estava na hora e o Chiquinho certamente quis que ela fosse alegrá-lo um pouco. Meiga, doce, companheira. Acho até que o Chiquinho foi legal de deixá-la tanto tempo com a gente... Mas sei que fará falta, como nos fez e faz falta a Pique.
Agora são 13 no total, se contarmos o Grizzy, aquele sujeito mal-encarado e mal-humorado que se transformou numa criatura doce que adora dormir aninhado no colo da gente. Ele deixou bem claro que não somos nós que o temos. Ele é quem tem a nós. Ele escolheu ficar lá em casa do mesmo jeito que escolhe o colo onde quer dormir. É muito fofo, meu Grizzy, o último a se juntar à tropa felina. É o último, não o mais novo.
Meu filho estava fazendo o inventário felino da casa no blog dele. Agora, não sei bem como vai ficar. Ainda faltavam três bichinhos, mas a conta foi meio que pro espaço, com essas duas ausências. Falar nelas ainda deve doer. Pelo menos ainda me machuca. Mas é preciso falar, porque assim a tristeza vai embora junto com as palavras. Chorar, já choramos. Se bem que ainda fica um nó na garganta.
Um dia, não sei quando, vou tentar escrever a história de todos os gatos que tive. Não será tarefa fácil, com certeza. Foram muitos. Tenho dúvidas até de que consiga lembrar de todos. Mas vou tentar. Só preciso criar coragem – e reativar a memória.
Que anda curta, curta...
E cá estou, com duas gatas a menos. Fran sumiu na calada da noite. Torço e rezo pro meu Chiquinho – São Francisco de Assis, para quem não conhece – cuidar para que ela esteja nos braços de alguém muito carinhoso, que a encha de dengos e mimos, mais do que ela tinha em casa, onde precisava dividir atenções com outros 14. Torço por isso, pra não ter de analisar outras alternativas bem menos agradáveis e bem mais possíveis. E Nininha foi embora de vez. Estava na hora e o Chiquinho certamente quis que ela fosse alegrá-lo um pouco. Meiga, doce, companheira. Acho até que o Chiquinho foi legal de deixá-la tanto tempo com a gente... Mas sei que fará falta, como nos fez e faz falta a Pique.
Agora são 13 no total, se contarmos o Grizzy, aquele sujeito mal-encarado e mal-humorado que se transformou numa criatura doce que adora dormir aninhado no colo da gente. Ele deixou bem claro que não somos nós que o temos. Ele é quem tem a nós. Ele escolheu ficar lá em casa do mesmo jeito que escolhe o colo onde quer dormir. É muito fofo, meu Grizzy, o último a se juntar à tropa felina. É o último, não o mais novo.
Meu filho estava fazendo o inventário felino da casa no blog dele. Agora, não sei bem como vai ficar. Ainda faltavam três bichinhos, mas a conta foi meio que pro espaço, com essas duas ausências. Falar nelas ainda deve doer. Pelo menos ainda me machuca. Mas é preciso falar, porque assim a tristeza vai embora junto com as palavras. Chorar, já choramos. Se bem que ainda fica um nó na garganta.
Um dia, não sei quando, vou tentar escrever a história de todos os gatos que tive. Não será tarefa fácil, com certeza. Foram muitos. Tenho dúvidas até de que consiga lembrar de todos. Mas vou tentar. Só preciso criar coragem – e reativar a memória.
Que anda curta, curta...
setembro 29, 2005
Ano novo, vida nova.
Tô louca, não. É que hoje é o penúltimo dia do meu inferno astral. E como já são quase 10 da noite, isso quer dizer que o último dia está bem próximo. E o final vem logo em seguida. Essa é a parte boa.
Inferno astral não é uma sucessão de coisas ruins acontecendo na vida da gente. Na verdade, funciona como a passagem de ano, com a diferença de que o revéillon é o dia do aniversário da gente. Nos dias anteriores a ele, as pessoas fazem uma espécie de balanço do que fez no ano que passou e planos para o ano que vai nascer. Ou seja: é momento de recolhimento, de auto-análise e de decisões. No meu caso, de se xingar um bocado e ficar de mal consigo mesma por não ter feito uma monte de coisas que deveria ter feito. E se xingar mais ainda porque sabe que vai continuar não fazendo. É o tal do círculo vicioso.
Na minha adolescência, chamávamos esses períodos de fossa. E sempre dávamos muita risada porque tinha sempre alguém que sabia que estava enfiando o pé na lama e continuava dando risada. Já então entendíamos que o ser humano tem coisas que não se explica, aceita-se. Ou não. Mas não adianta brigar. Ninguém muda na essência. No máximo, cria um verniz.
Não lembro de ter passado um tempo tão reflexivo antes. Deve ser coisa da idade. Mais velhinha, mais filosófica. Sempre desconfiei que filosofia era uma matéria dedicada aos velhos. Jovem não tem tempo pra isso. Observa, registra e segue em frente. E Caetano dizia que filosofia tem de ser em alemão. Como não sou alemã e não sei falar alemão, então filosofar se torna muito mais complicado.
Melhor deixar quieto....
Tô louca, não. É que hoje é o penúltimo dia do meu inferno astral. E como já são quase 10 da noite, isso quer dizer que o último dia está bem próximo. E o final vem logo em seguida. Essa é a parte boa.
Inferno astral não é uma sucessão de coisas ruins acontecendo na vida da gente. Na verdade, funciona como a passagem de ano, com a diferença de que o revéillon é o dia do aniversário da gente. Nos dias anteriores a ele, as pessoas fazem uma espécie de balanço do que fez no ano que passou e planos para o ano que vai nascer. Ou seja: é momento de recolhimento, de auto-análise e de decisões. No meu caso, de se xingar um bocado e ficar de mal consigo mesma por não ter feito uma monte de coisas que deveria ter feito. E se xingar mais ainda porque sabe que vai continuar não fazendo. É o tal do círculo vicioso.
Na minha adolescência, chamávamos esses períodos de fossa. E sempre dávamos muita risada porque tinha sempre alguém que sabia que estava enfiando o pé na lama e continuava dando risada. Já então entendíamos que o ser humano tem coisas que não se explica, aceita-se. Ou não. Mas não adianta brigar. Ninguém muda na essência. No máximo, cria um verniz.
Não lembro de ter passado um tempo tão reflexivo antes. Deve ser coisa da idade. Mais velhinha, mais filosófica. Sempre desconfiei que filosofia era uma matéria dedicada aos velhos. Jovem não tem tempo pra isso. Observa, registra e segue em frente. E Caetano dizia que filosofia tem de ser em alemão. Como não sou alemã e não sei falar alemão, então filosofar se torna muito mais complicado.
Melhor deixar quieto....
setembro 27, 2005
Não sei se devo me considerar maluca ou se todo mundo é assim. Como nunca perguntei a ninguém, não sei. E não sei se quero saber...
Existe uma realidade alternativa, para onde vou freqüentemente. Não é um lugar com anjos, fadas e duendes - se bem que um elfo com a cara do Orlando Bloom não seria nada mau -, mas é um lugar particular, meu, onde as coisas dão certo, a conta não fica no vermelho (acho que nem tem conta) e eu posso imaginar o que quiser, posso dar as respostas que quiser e as pessoas vão reagir conforme o meu gosto e a minha vontade.
Quando as coisas não vão bem, as preocupações aumentam, a vida fica difícil, vou pra lá na primeira oportunidade. É mais ou menos como a penseira do Dumbledore, só que eu não tiro pensamentos pra deixar a cabeça mais leve. A realidade real continua lá, me esperando, me preocupando, me angustiando. Mas eu sempre dou um jeito de fugir pra outro canto, busco aquela gavetinha do arquivo onde tudo dá certo e é bonito. E lá tudo fica bem.
Claro que sei que o conteúdo da gavetinha não é real. Mas ela está lá e me recebe sempre de braços abertos. Lá não tem canseira, a viagem de ônibus fica divertida – na verdade, costuma ser divertida mesmo sem realidade alternativa -, os problemas são todos solucionados. Viajo grandão mesmo. Já fiquei brava comigo mesma por não encarar os problemas de frente, por não sair à luta. Mas não adianta: quando vejo, estou com os pés no chão e a cabeça longe, longe.
Ultimamente ando me refugiando com freqüência por lá. E ultimamente não quer dizer os últimos dias ou as últimas semanas. Já faz tempo que ando procurando o pedaço do faz-de-conta.
É o meu mundo ideal e porque é ideal, não existe. Algumas coisas podem até se realizar, mas eu tenho sérias dúvidas. Porque, se se realizarem, não serão como no mundo ideal. Certamente serão boas, como é bom quando os sonhos se realizam.
Mas aí deixarão de ser do meu mundo ideal...
Existe uma realidade alternativa, para onde vou freqüentemente. Não é um lugar com anjos, fadas e duendes - se bem que um elfo com a cara do Orlando Bloom não seria nada mau -, mas é um lugar particular, meu, onde as coisas dão certo, a conta não fica no vermelho (acho que nem tem conta) e eu posso imaginar o que quiser, posso dar as respostas que quiser e as pessoas vão reagir conforme o meu gosto e a minha vontade.
Quando as coisas não vão bem, as preocupações aumentam, a vida fica difícil, vou pra lá na primeira oportunidade. É mais ou menos como a penseira do Dumbledore, só que eu não tiro pensamentos pra deixar a cabeça mais leve. A realidade real continua lá, me esperando, me preocupando, me angustiando. Mas eu sempre dou um jeito de fugir pra outro canto, busco aquela gavetinha do arquivo onde tudo dá certo e é bonito. E lá tudo fica bem.
Claro que sei que o conteúdo da gavetinha não é real. Mas ela está lá e me recebe sempre de braços abertos. Lá não tem canseira, a viagem de ônibus fica divertida – na verdade, costuma ser divertida mesmo sem realidade alternativa -, os problemas são todos solucionados. Viajo grandão mesmo. Já fiquei brava comigo mesma por não encarar os problemas de frente, por não sair à luta. Mas não adianta: quando vejo, estou com os pés no chão e a cabeça longe, longe.
Ultimamente ando me refugiando com freqüência por lá. E ultimamente não quer dizer os últimos dias ou as últimas semanas. Já faz tempo que ando procurando o pedaço do faz-de-conta.
É o meu mundo ideal e porque é ideal, não existe. Algumas coisas podem até se realizar, mas eu tenho sérias dúvidas. Porque, se se realizarem, não serão como no mundo ideal. Certamente serão boas, como é bom quando os sonhos se realizam.
Mas aí deixarão de ser do meu mundo ideal...
setembro 26, 2005
“Não gosto da criação que dão para os filhos hoje em dia. E aqui em São Paulo é pior. Mãe faz tudo o que o filho manda. Não ta certo. Tem menino com 3 anos que não obedece a mãe. Outro dia, no ônibus, tinha um que chorava, resmungava e ciscava o tempo todo. E a mãe só dizia ‘calma’. Fosse meu, nem abria a boca. Se com 3 anos já faz assim, com 10 vai mandar a mãe embora de casa. Não gosto dessas coisas, me deixa nervosa. Fico com vontade de encher o moleque de bolacha. Esse, do ônibus, fiquei com vontade de ir lá e dar um jeito. Era eu que ia agüentar uma dessas! Não agüento mesmo, já vou logo dando safanão. Minha filha tem 16 e só tomou uma tapona na vida. Mas foi uma só, que ela foi parar longe. Pergunta se ela não me obedece... Homem é a mesma coisa. Só apronta uma vez. O lá de casa arrumou uma biscata por aí e eu logo percebi. Botei o feijão cozido na panela de pressão e deixei fechado por uns três dias. Na hora que ele se aprontou pra sair, todo bonito e perfumado – dizia que ia trabalhar, vê se pode!!! -, joguei o feijão nele. E quando ele veio pra cima de mim com a mão levantada, tomou a panela de pressão na cabeça. Foram cinco pontos na testa. E nunca mais ele aprontou. Tá lá em casa, quietinho. Sai pra trabalhar e volta, direitinho. Mas feijão tem sempre, ele sabe. Imagina a sujeira que foi, ele todo embonecado, fedendo a feijão estragado, com feijão no corpo inteiro. Falei pra ele que se tivesse uma próxima, não ia ter cinco pontos na testa. Ia ficar sem... Você sabe. É pra ele ver o que acontece quando mexe com uma paraibana!”
O discurso, com alguma variação e termos muito mais ricos que não consegui reproduzir, foi ouvido hoje no ônibus, linha Ana Rosa-Vila Brasilândia. A senhora contava isso tudo pra duas amigas, que estavam sentadas do outro lado do corredor. As três rachavam o bico com a história. Então, eu e o ônibus inteiro acompanhamos as aventuras. Mas chegou meu ponto e eu tive de descer. Quase que continuo, só pra saber mais histórias e pra saber se o cavalheiro que tomou banho de feijão estragado tinha aprontado mais alguma.
Mas eu é que não ia mexer com a paraibana arretada...
O discurso, com alguma variação e termos muito mais ricos que não consegui reproduzir, foi ouvido hoje no ônibus, linha Ana Rosa-Vila Brasilândia. A senhora contava isso tudo pra duas amigas, que estavam sentadas do outro lado do corredor. As três rachavam o bico com a história. Então, eu e o ônibus inteiro acompanhamos as aventuras. Mas chegou meu ponto e eu tive de descer. Quase que continuo, só pra saber mais histórias e pra saber se o cavalheiro que tomou banho de feijão estragado tinha aprontado mais alguma.
Mas eu é que não ia mexer com a paraibana arretada...
setembro 22, 2005
Fiquei tão brava com as injustiças que ando vendo, que acabei esquecendo de uma coisa linda que aconteceu na minha vida, exatos 30 anos atrás: hoje é aniversário do meu filho.
Nenhum sonho meu de juventude previa uma convivência tão boa como a que tenho com meus filhos. Correndo o risco de repetir todas as mães do mundo, eles são meu maior orgulho, a melhor coisa que fiz na vida. São meus companheiros de luta e minha fonte de alegrias. Torço muito pra que sejam felizes e que tenham tanta sorte quanto eu em relação aos filhos deles.
Parabens, meu filho. Tudo de bom e mais uns pedaços de amor e felicidade para você na sua vida!!!
Nenhum sonho meu de juventude previa uma convivência tão boa como a que tenho com meus filhos. Correndo o risco de repetir todas as mães do mundo, eles são meu maior orgulho, a melhor coisa que fiz na vida. São meus companheiros de luta e minha fonte de alegrias. Torço muito pra que sejam felizes e que tenham tanta sorte quanto eu em relação aos filhos deles.
Parabens, meu filho. Tudo de bom e mais uns pedaços de amor e felicidade para você na sua vida!!!
A revolta dos dinossauros
Não costumo escrever texto com título. Mas este merece. Porque os dinossauros estão mesmo revoltados. Pelo menos os daqui. Com razão, eu diria – mas eu faço parte da categoria dinossauro jornalístico, então não sei se minha opinião vale muito.
Disse, no post anterior, que é hora de dar lugar aos jovens. Reconheço que eles merecem. Sangue novo, idéias novas, abordagens inusitadas – tudo isso vale. Mas eu gostaria muito que os mais novos ouvissem um pouco os dinossauros. E os respeitassem.
O que ando vendo – não sentindo, porque não ofereço a cara pra tomar tapa e não pretendo ter mais motivos na vida pra me sentir rejeitada – é que os mais antigos não estão sendo levados em conta. Por que estão desgastados? Não diria isso. Por que estão ultrapassados? Também não diria isso. Por que não fazem parte da turma jovem que vem ocupando os cargos de poder? Pode ser.
Pior que não ser respeitado e ouvido é saber que se foi ouvido, sim, mas para beneficiar outra pessoa. A sua idéia não é mais sua, mas a de quem a apresentou – por coincidência, a mesma pessoa para quem você expôs sua idéia. Não é enlouquecer? Além do desrespeito, estão achando que a gente é tão velho que não lembra mais do que falou...
É verdade que a memória não é mais a mesma, que o organismo precisa de uns aditivos pra funcionar normalmente, que a visão ultrapassa o tamanho do braço. Mas a cabeça de todos continua bem – e produzindo.
Acho que vou lançar a idéia de juntar os dinossauros pra montar uma publicação. E será via Internet, que é pra dar um tapa com luvas de pelica nesse povo jovem que acha que domina as mídias modernas. Um site de informação e opinião, sobre tudo o que acontece no mundo. Com opinião de gente respeitada – concordemos ou não com os pontos de vista dessas pessoas, eles sempre merecem ser ouvidos ou lidos. Nem que seja pra saber o que o inimigo está pensando.
Poder jovem?! Bah!!!!
Não costumo escrever texto com título. Mas este merece. Porque os dinossauros estão mesmo revoltados. Pelo menos os daqui. Com razão, eu diria – mas eu faço parte da categoria dinossauro jornalístico, então não sei se minha opinião vale muito.
Disse, no post anterior, que é hora de dar lugar aos jovens. Reconheço que eles merecem. Sangue novo, idéias novas, abordagens inusitadas – tudo isso vale. Mas eu gostaria muito que os mais novos ouvissem um pouco os dinossauros. E os respeitassem.
O que ando vendo – não sentindo, porque não ofereço a cara pra tomar tapa e não pretendo ter mais motivos na vida pra me sentir rejeitada – é que os mais antigos não estão sendo levados em conta. Por que estão desgastados? Não diria isso. Por que estão ultrapassados? Também não diria isso. Por que não fazem parte da turma jovem que vem ocupando os cargos de poder? Pode ser.
Pior que não ser respeitado e ouvido é saber que se foi ouvido, sim, mas para beneficiar outra pessoa. A sua idéia não é mais sua, mas a de quem a apresentou – por coincidência, a mesma pessoa para quem você expôs sua idéia. Não é enlouquecer? Além do desrespeito, estão achando que a gente é tão velho que não lembra mais do que falou...
É verdade que a memória não é mais a mesma, que o organismo precisa de uns aditivos pra funcionar normalmente, que a visão ultrapassa o tamanho do braço. Mas a cabeça de todos continua bem – e produzindo.
Acho que vou lançar a idéia de juntar os dinossauros pra montar uma publicação. E será via Internet, que é pra dar um tapa com luvas de pelica nesse povo jovem que acha que domina as mídias modernas. Um site de informação e opinião, sobre tudo o que acontece no mundo. Com opinião de gente respeitada – concordemos ou não com os pontos de vista dessas pessoas, eles sempre merecem ser ouvidos ou lidos. Nem que seja pra saber o que o inimigo está pensando.
Poder jovem?! Bah!!!!
setembro 20, 2005
De repente, eu estava andando pelo corredor e quase fui atropelada por um rapazinho. Foca, pensei. Foquinha mesmo. Temos agora, todos os anos, uma batelada deles, por causa do curso de jornalismo que o jornal dá a um grupo cuidadosamente selecionado. Então, a gente tropeça neles o tempo todo, por um bom tempo. E parecem cada vez mais novos.
São sérios, compenetrados. Deve pesar na cabeça deles o fato de estarem num veículo de circulação nacional, com o peso de mais de cem anos de existência. Tradição ainda fala alto pra essa molecada. Daqui a alguns anos, tudo isso terá passado. Mas, até lá, o respeito impera. Alguns ensaiam tímidos sorrisos pra gente, os veteranos.
Eu sempre sorrio pra eles. E, se vierem conversar, dois dedos de prosa não fazem mal a ninguém. Mas raramente eles conversam com a gente. Conversa mole, só entre eles.
Fico lembrando de quando comecei, também. Não sei se era tão séria e compenetrada como eles. Deveria ser. Todos focas são, porque eu seria diferente? Tinha a vantagem de ser novinha, mais ou menos bonita. Os veteranos não negavam dicas, toques, conselhos. Carne nova no pedaço sempre encontra assistência...
Mas tive uma crise séria, logo no começo. Achei que não tinha nascido pra isso, que devia mudar de rumo, procurar outra coisa pra fazer. Tudo porque um ex-namorado, que já trabalhava na área, disse que eu não servia pra coisa. Que me faltava a fibra, a insistência, o interesse. Jornalismo não é pra você, ele disse. Você faria melhor se fizesse outra coisa.
No começo, doeu. E veio a crise. Falei com meu chefe - naquela época estava na extinta Última Hora -, expliquei o que estava acontecendo. Sábio, ele me aconselhou a ficar afastada uns dias, uma semana. Depois, se quisesse voltar, meu lugar estaria ali. Não que fosse prejudicar alguém. Trabalhava de graça, à guisa de estágio. Meu chefe não poderia exigir nada, já que eu não recebia...
A semana de prazo passou e, com ela, minhas dúvidas. Mas agora já era outra coisa, era a vontade de mostrar para aquele cara que ele não tinha razão. Com que autoridade ele dizia que eu não seria para a profissão? Quem era ele? Quem ele pensava que era? Ia mostrar que era competente, sim, e muito! Voltei com força total e nunca mais entrei em crise.
Passei um bom tempo na vida agradecendo ao desaforo lançado por esse namorado. Não fosse isso, talvez não tivesse me esforçado tanto. Hoje, já não tenho tanta certeza de que foi uma boa, mas continuo firme no ofício - mas, agora, tudo o que quero é pendurar as chuteiras. Não dá mais para aposentar a Olivetti, que já foi demitida pelo computador. Na verdade, acho que já me esforcei tanto que cansei. É hora de colocar sangue novo no pedaço.
Por isso, sempre sorrio para os focas. Sei que eles terão de enfrentar muita coisa ruim e chata e não precisam de gente olhando feio. Alguns aparentam uma segurança irritante - em poucos casos, não é aparência, mas a vida se encarrega de por um prefixo 'in' naquela segurança toda. Olho pra eles e fico imaginando quem vai se sobressair, quem vai virar um nome no jornalismo. A maioria nem fica e tem de conviver com a sensação de ter fracassado num jornal grande - que bobagem! Outros embarcam em aventuras mais ao gosto de cada um, em publicações específicas, quase anônimas para o grande público. E nem se incomodam. E tem os que simplesmente caem no esquecimento...
É um desafio para eles. Para os veteranos, é sangue novo para lubrificar engrenagens antigas. Para mim, são sonhos que chegam, necessários para alimentar o desgaste da rotina. Sonhos novos, idéias novas.
Pena que acabem logo...
São sérios, compenetrados. Deve pesar na cabeça deles o fato de estarem num veículo de circulação nacional, com o peso de mais de cem anos de existência. Tradição ainda fala alto pra essa molecada. Daqui a alguns anos, tudo isso terá passado. Mas, até lá, o respeito impera. Alguns ensaiam tímidos sorrisos pra gente, os veteranos.
Eu sempre sorrio pra eles. E, se vierem conversar, dois dedos de prosa não fazem mal a ninguém. Mas raramente eles conversam com a gente. Conversa mole, só entre eles.
Fico lembrando de quando comecei, também. Não sei se era tão séria e compenetrada como eles. Deveria ser. Todos focas são, porque eu seria diferente? Tinha a vantagem de ser novinha, mais ou menos bonita. Os veteranos não negavam dicas, toques, conselhos. Carne nova no pedaço sempre encontra assistência...
Mas tive uma crise séria, logo no começo. Achei que não tinha nascido pra isso, que devia mudar de rumo, procurar outra coisa pra fazer. Tudo porque um ex-namorado, que já trabalhava na área, disse que eu não servia pra coisa. Que me faltava a fibra, a insistência, o interesse. Jornalismo não é pra você, ele disse. Você faria melhor se fizesse outra coisa.
No começo, doeu. E veio a crise. Falei com meu chefe - naquela época estava na extinta Última Hora -, expliquei o que estava acontecendo. Sábio, ele me aconselhou a ficar afastada uns dias, uma semana. Depois, se quisesse voltar, meu lugar estaria ali. Não que fosse prejudicar alguém. Trabalhava de graça, à guisa de estágio. Meu chefe não poderia exigir nada, já que eu não recebia...
A semana de prazo passou e, com ela, minhas dúvidas. Mas agora já era outra coisa, era a vontade de mostrar para aquele cara que ele não tinha razão. Com que autoridade ele dizia que eu não seria para a profissão? Quem era ele? Quem ele pensava que era? Ia mostrar que era competente, sim, e muito! Voltei com força total e nunca mais entrei em crise.
Passei um bom tempo na vida agradecendo ao desaforo lançado por esse namorado. Não fosse isso, talvez não tivesse me esforçado tanto. Hoje, já não tenho tanta certeza de que foi uma boa, mas continuo firme no ofício - mas, agora, tudo o que quero é pendurar as chuteiras. Não dá mais para aposentar a Olivetti, que já foi demitida pelo computador. Na verdade, acho que já me esforcei tanto que cansei. É hora de colocar sangue novo no pedaço.
Por isso, sempre sorrio para os focas. Sei que eles terão de enfrentar muita coisa ruim e chata e não precisam de gente olhando feio. Alguns aparentam uma segurança irritante - em poucos casos, não é aparência, mas a vida se encarrega de por um prefixo 'in' naquela segurança toda. Olho pra eles e fico imaginando quem vai se sobressair, quem vai virar um nome no jornalismo. A maioria nem fica e tem de conviver com a sensação de ter fracassado num jornal grande - que bobagem! Outros embarcam em aventuras mais ao gosto de cada um, em publicações específicas, quase anônimas para o grande público. E nem se incomodam. E tem os que simplesmente caem no esquecimento...
É um desafio para eles. Para os veteranos, é sangue novo para lubrificar engrenagens antigas. Para mim, são sonhos que chegam, necessários para alimentar o desgaste da rotina. Sonhos novos, idéias novas.
Pena que acabem logo...
setembro 15, 2005
Pacarai. Vi a palavra hoje num blog e achei bem bonitinho. E me lembrei, no ato, de outra, que aparecia nos muros do Roosevelt nos idos e dourados anos 60: taqueospa. Lembro que ficamos meses tentando decifrar o que queria dizer aquilo. Até que uma garota da turma, uma das mais espertas por sinal, matou a charada: era só colocar uma sílada antes e outra depois...
Daí, como livre pensar é só pensar e também porque broto também tem saudades, lembrei das aventuras daquela época. No final dos anos 60, todos tínhamos muita energia e nenhum dinheiro. Eu escamoteava dinheiro do lanche e trocava passes - ia a pé para a escola - pra ter algum guardadinho, para os cigarros ou alguma bobagem que não custasse muito caro. Todo mundo fazia isso, mas tinha - sempre tem - aqueles com mais dinheiro. E, graças a eles e aos trocados que cada um conseguia salvar, todo mundo ia para a farra.
Nada grandioso, só umas fugidas de quando em vez para alguma lanchonete, onde todo mundo dividia alguns hambúrgueres e uma (uma só, mesmo!) porção de fritas. E todo sábado tinha baile em algum lugar. Pra minha sorte, minha mãe costurava. E toda semana eu tinha alguma peça nova pra estrear no baile - fosse ele qual fosse e onde fosse. Íamos em turma, voltávamos em turma. Alguns poucos eram namorados, todos eram muito amigos. E tinha os bailes do ITA, uma aventura que durava um fim de semana inteiro, porque íamos de ônibus para São José dos Campos, dormíamos nos dormitórios dos estudantes (meninas de um lado, garotos de outro). O baile era na noite de sábado; a volta, no final da tarde de domingo. Dava até pra curtir a piscina do campus, com direito à paquera dos guapos futuros engenheiros que estavam por lá. Nunca me interessei por nenhum...
Quando os que tinham dinheiro chegaram aos 18 anos, a turma ganhou rodas. E aí o programa era ir para Santos, tomar um chope. Um só, porque o dinheiro não dava pra mais. E ainda tinha a gasolina, que na época não era tão cara, mas tinha de ser paga. E os tanques tinham de ser cheios. Tomar um chope, dar uma volta na areia, molhar os pés no mar. E voltar pra casa, contente e feliz...
A felicidade estava mais ao alcance da gente. Mas, aos 18 anos, a gente merece ter toda a felicidade do mundo...
Daí, como livre pensar é só pensar e também porque broto também tem saudades, lembrei das aventuras daquela época. No final dos anos 60, todos tínhamos muita energia e nenhum dinheiro. Eu escamoteava dinheiro do lanche e trocava passes - ia a pé para a escola - pra ter algum guardadinho, para os cigarros ou alguma bobagem que não custasse muito caro. Todo mundo fazia isso, mas tinha - sempre tem - aqueles com mais dinheiro. E, graças a eles e aos trocados que cada um conseguia salvar, todo mundo ia para a farra.
Nada grandioso, só umas fugidas de quando em vez para alguma lanchonete, onde todo mundo dividia alguns hambúrgueres e uma (uma só, mesmo!) porção de fritas. E todo sábado tinha baile em algum lugar. Pra minha sorte, minha mãe costurava. E toda semana eu tinha alguma peça nova pra estrear no baile - fosse ele qual fosse e onde fosse. Íamos em turma, voltávamos em turma. Alguns poucos eram namorados, todos eram muito amigos. E tinha os bailes do ITA, uma aventura que durava um fim de semana inteiro, porque íamos de ônibus para São José dos Campos, dormíamos nos dormitórios dos estudantes (meninas de um lado, garotos de outro). O baile era na noite de sábado; a volta, no final da tarde de domingo. Dava até pra curtir a piscina do campus, com direito à paquera dos guapos futuros engenheiros que estavam por lá. Nunca me interessei por nenhum...
Quando os que tinham dinheiro chegaram aos 18 anos, a turma ganhou rodas. E aí o programa era ir para Santos, tomar um chope. Um só, porque o dinheiro não dava pra mais. E ainda tinha a gasolina, que na época não era tão cara, mas tinha de ser paga. E os tanques tinham de ser cheios. Tomar um chope, dar uma volta na areia, molhar os pés no mar. E voltar pra casa, contente e feliz...
A felicidade estava mais ao alcance da gente. Mas, aos 18 anos, a gente merece ter toda a felicidade do mundo...
setembro 12, 2005
Não tenho um tio Quinto na minha vida. Pena. Explico: tio Quinto foi o velhinho que morreu e deixou uma quinta na Umbria para a sobrinha Anna, uma viúva, com três filhos adultos e uma neta, todos personagens de A Casa de Anna, minissérie em quatro capítulos que assisti ontem. A história é bonitinha, com a vantagem - pelo menos pra mim - de ser falada em italiano, língua que gosto muito. Serviu para praticar um pouco o ouvido. E pra passar o dia de domingo. Não vi tudo, não: tinha Federer e Agassi decidindo o US Open, então fiquei zapeando de um canal para outro, até o jogo acabar. Mas me deu vontade de ter um zio Quinto.
No começo da história, pensei em Casa Rossa, de Francesca Marciano, romance que li há alguns meses, também ambientado na Itália e que tinha, como personagem central, a casa de campo pintada de vermelho. Nada disso. A Casa de Anna é bem menos ambicioso, uma historinha tipo Rosamunde Pilcher, muito mais de autodescoberta e afirmação dos personagens. Das personagens, aliás: mulheres bonitas e fortes, mas inseguras e medrosas. Contraditórias? Sem dúvida. Mas as mulheres são assim mesmo.
Zio Quinto, que nem aparece na história, deixa a casa para Anna. O filho, Marco, quer vender a propriedade logo. Corretor da bolsa, perdeu dinheiro alheio e precisa devolver rapidinho. Além disso, a mulher está esperando o primeiro filho. A venda da quinta seria a solução. Como único filho homem, é sempre consultado nas decisões. Mas nem sempre é ouvido - e isso fica claro ao longo da história. Ninguém sabe dos problemas financeiros dele, que vai se enroscando num monte de problemas. A filha mais velha, Giulia, é casada, tem uma filha e um marido que a trai com a secretária. Ela lhe dá um bom chute no traseiro mas, ao longo da história, descobre que ainda o ama e se torna amante dele. Bem divertida essa situação, sem dúvida. E cômoda. Livia, a mais nova, é uma mulher linda, mas totalmente insegura. Encontra um homem maravilhoso, mas tem medo de se envolver. Claro que se envolve. Ela pode ser insegura, mas não é burra.
Anna domina todos. À guisa de preocupação e cuidado, acaba conseguindo que todos façam e ajam de acordo com o que ela quer. Não faz de propósito - ela é assim mesmo. E só percebe quando reencontra Guido, na quinta do Zio Quinto, o homem por quem foi apaixonada na juventude. Seu primeiro namorado, aquele que lhe deu o primeiro beijo. E - acreditem - o velhinho é um prato cheio e pode entrar na minha lista de velhinhos que eu gostaria de encontrar. Pois ele lhe diz com todas as letras como ela é. E, claro, ela toma um susto. Mas muda.
Mas a quinta... Fica na Itália. Quem me conhece sabe que é um dos meus grandes objetos de desejo. É uma casa de campo confortável, com uma cozinha de sonho, quartos grandes e um vasto jardim. Guido tem um viveiro de plantas. "Você me parece um vaso de manjericão", diz ele. "É daquelas plantas que têm muita energia e transmitem isso. Quando tenho uma planta que está fraca, coloco um vaso de manjericão ao lado, pra dar energia a aquela que está fraquinha. Você é assim." Dá pra resistir? Claro que Anna não resiste. Nenhuma mulher resistiria...
Engraçado é que falam tanto da Itália machista, mas a história é totalmente dominada pelas mulheres. São elas que decidem, são elas que comandam. Até a menina Alessia, do alto dos seus 13 anos, acaba com o namoradinho que queria desde o começo da história. Os homens são, com exceção de Guido, uns bananas, que entram para atrapalhar a vida de todas.
No fim da história, tudo acaba bem. Anna vende o apartamento onde mora em Roma e se muda para a quinta, para ficar perto de Guido e dos sonhos de juventude. Deixa os filhos seguirem seus destinos, deixa que eles tomem as próprias decisões. E tutto va bene, troppo bene.
Ah, como eu queria ter um zio Quinto...
E, sim, antes que me esqueça: Federer ganhou. Agassi jogou muito - ele mesmo reconheceu que nunca jogou tão bem como nesta final -, mas não deu...
No começo da história, pensei em Casa Rossa, de Francesca Marciano, romance que li há alguns meses, também ambientado na Itália e que tinha, como personagem central, a casa de campo pintada de vermelho. Nada disso. A Casa de Anna é bem menos ambicioso, uma historinha tipo Rosamunde Pilcher, muito mais de autodescoberta e afirmação dos personagens. Das personagens, aliás: mulheres bonitas e fortes, mas inseguras e medrosas. Contraditórias? Sem dúvida. Mas as mulheres são assim mesmo.
Zio Quinto, que nem aparece na história, deixa a casa para Anna. O filho, Marco, quer vender a propriedade logo. Corretor da bolsa, perdeu dinheiro alheio e precisa devolver rapidinho. Além disso, a mulher está esperando o primeiro filho. A venda da quinta seria a solução. Como único filho homem, é sempre consultado nas decisões. Mas nem sempre é ouvido - e isso fica claro ao longo da história. Ninguém sabe dos problemas financeiros dele, que vai se enroscando num monte de problemas. A filha mais velha, Giulia, é casada, tem uma filha e um marido que a trai com a secretária. Ela lhe dá um bom chute no traseiro mas, ao longo da história, descobre que ainda o ama e se torna amante dele. Bem divertida essa situação, sem dúvida. E cômoda. Livia, a mais nova, é uma mulher linda, mas totalmente insegura. Encontra um homem maravilhoso, mas tem medo de se envolver. Claro que se envolve. Ela pode ser insegura, mas não é burra.
Anna domina todos. À guisa de preocupação e cuidado, acaba conseguindo que todos façam e ajam de acordo com o que ela quer. Não faz de propósito - ela é assim mesmo. E só percebe quando reencontra Guido, na quinta do Zio Quinto, o homem por quem foi apaixonada na juventude. Seu primeiro namorado, aquele que lhe deu o primeiro beijo. E - acreditem - o velhinho é um prato cheio e pode entrar na minha lista de velhinhos que eu gostaria de encontrar. Pois ele lhe diz com todas as letras como ela é. E, claro, ela toma um susto. Mas muda.
Mas a quinta... Fica na Itália. Quem me conhece sabe que é um dos meus grandes objetos de desejo. É uma casa de campo confortável, com uma cozinha de sonho, quartos grandes e um vasto jardim. Guido tem um viveiro de plantas. "Você me parece um vaso de manjericão", diz ele. "É daquelas plantas que têm muita energia e transmitem isso. Quando tenho uma planta que está fraca, coloco um vaso de manjericão ao lado, pra dar energia a aquela que está fraquinha. Você é assim." Dá pra resistir? Claro que Anna não resiste. Nenhuma mulher resistiria...
Engraçado é que falam tanto da Itália machista, mas a história é totalmente dominada pelas mulheres. São elas que decidem, são elas que comandam. Até a menina Alessia, do alto dos seus 13 anos, acaba com o namoradinho que queria desde o começo da história. Os homens são, com exceção de Guido, uns bananas, que entram para atrapalhar a vida de todas.
No fim da história, tudo acaba bem. Anna vende o apartamento onde mora em Roma e se muda para a quinta, para ficar perto de Guido e dos sonhos de juventude. Deixa os filhos seguirem seus destinos, deixa que eles tomem as próprias decisões. E tutto va bene, troppo bene.
Ah, como eu queria ter um zio Quinto...
E, sim, antes que me esqueça: Federer ganhou. Agassi jogou muito - ele mesmo reconheceu que nunca jogou tão bem como nesta final -, mas não deu...
setembro 06, 2005
Declaro, a quem possa interessar, que trabalho num jornal mentiroso, numa editoria que enche as pessoas de mentiras. Sou, portanto, mentirosa. Se é por força das circunstâncias, ou não, não vem ao caso. É o mesmo caso do soldado nazista que matou um monte de gente porque seguia ordens. Ele não é inocente. Nem eu.
Trabalhar em Economia nunca foi minha maior ambição. Pelo contrário. Nunca entendi o que as pessoas na área queriam dizer, aliás nunca me interessei pelas coisas que eles diziam porque, de alguma forma, eu sentia que aquilo não me dizia respeito. Agora tenho certeza: não diz mesmo. O mundo onde vivem os economistas e os jornalistas que cobrem essa área é outro. Um outro planeta, com outros valores. Cheios de índices e porcentuais.
Estão tentando me convencer de que estamos vivendo um período de deflação. O supermercado que fiz hoje desmente isso. Meu cartão de crédito é a maior prova disso. Comprei menos do que no mês passado e gastei a mesma coisa. Mas, me dizem, isso é média. Certamente você está comprando coisas que estão subindo... A deflação, continuam, é maior para a população mais pobre. Mentira, mentira, mentira. A Adelina reclama da mesma coisa do que eu. E a gente fica indignada junta.
Fazem vários meses que faço títulos e leio matérias nesta editoria dizendo que os preços estão baixando. A queda do IPC-alguma coisa foi provocada principalmente pelos menores preços no setor de vestuário e alimentos. As roupas baixaram de preço? Onde? Em que loja? Em que país? E os alimentos?
Olhe, sou obrigada a concordar. Jornalista é mentiroso. Principalmente os de Economia. Porque é mesmo ou porque mandaram, tanto faz.
Quero trabalhar no Esporte. Não dá pra mentir que o jogador fez e aconteceu, se todo mundo viu na televisão. Não dá pra dizer que um time perdeu o jogo, se ganhou. Futebol é futebol, basquete é basquete, tênis é tênis. Não dá pra dizer outra coisa.
Quero me aposentar e nunca mais ler esse monte de bobagens que compõem o Caderno de Economia. E ainda dizem que é a editoria mais importante do jornal... Só rindo... Aliás, se eu parar, juro que vou passar um bom tempo sem ler jornal.
Trabalhar em Economia nunca foi minha maior ambição. Pelo contrário. Nunca entendi o que as pessoas na área queriam dizer, aliás nunca me interessei pelas coisas que eles diziam porque, de alguma forma, eu sentia que aquilo não me dizia respeito. Agora tenho certeza: não diz mesmo. O mundo onde vivem os economistas e os jornalistas que cobrem essa área é outro. Um outro planeta, com outros valores. Cheios de índices e porcentuais.
Estão tentando me convencer de que estamos vivendo um período de deflação. O supermercado que fiz hoje desmente isso. Meu cartão de crédito é a maior prova disso. Comprei menos do que no mês passado e gastei a mesma coisa. Mas, me dizem, isso é média. Certamente você está comprando coisas que estão subindo... A deflação, continuam, é maior para a população mais pobre. Mentira, mentira, mentira. A Adelina reclama da mesma coisa do que eu. E a gente fica indignada junta.
Fazem vários meses que faço títulos e leio matérias nesta editoria dizendo que os preços estão baixando. A queda do IPC-alguma coisa foi provocada principalmente pelos menores preços no setor de vestuário e alimentos. As roupas baixaram de preço? Onde? Em que loja? Em que país? E os alimentos?
Olhe, sou obrigada a concordar. Jornalista é mentiroso. Principalmente os de Economia. Porque é mesmo ou porque mandaram, tanto faz.
Quero trabalhar no Esporte. Não dá pra mentir que o jogador fez e aconteceu, se todo mundo viu na televisão. Não dá pra dizer que um time perdeu o jogo, se ganhou. Futebol é futebol, basquete é basquete, tênis é tênis. Não dá pra dizer outra coisa.
Quero me aposentar e nunca mais ler esse monte de bobagens que compõem o Caderno de Economia. E ainda dizem que é a editoria mais importante do jornal... Só rindo... Aliás, se eu parar, juro que vou passar um bom tempo sem ler jornal.
setembro 05, 2005
Confesso que esse US Open está me irritando um pouco, pela quantidade de americanos que vão passando de fase. Mas hoje, olhando melhor as chaves, percebi que na chave de cima não ficou nenhum. Na chave de baixo, sim. Tem Agassi, Blake e, dependendo do que o Gasquet fizer ou não fizer, Ginepri. Meu favorito entre eles é o Agassi, mas depois de saber da história do Blake, fiquei balançada. James Blake é crioulo - e isso, quem me conhece, sabe que conta pontos. É simpático, tem cara de ser boa gente. Diferente de um outro cujo nunca tinha ouvido falar, um tal Scoville Jenkins, um entojo. Nadal passou pelo antipático, mas não conseguiu bater o simpático. Pena é que Blake e Agassi se enfrentam na próxima fase. Pelo jeito que a coisa vai, a final será entre Agassi e Federer.
Mas eu falei da história do Blake e acho que ela merece ser contada. Tem todos aqueles ingredientes que qualquer torcedor adora: o cara fraturou umas vértebras num tombo, durante um treino, em maio do ano passado. Ficou fora do circuito por um tempo e, quando estava sarando, pegou zoster, uma variação mais brava de herpes, que deixou o cara com um lado do rosto paralisado. Não bastasse isso tudo, o pai morreu. Voltou a jogar só este ano, precisou de convite pra entrar no US Open. E está ganhando. Não sei se passa pelo Agassi, mas este ano o velhinho vai me perdoar se eu o abandonar um pouco. Se um americano tem de chegar à final, que seja um crioulo. Só falta eu pagar pela língua e ser o Ginepri o finalista...
Uma amiga reclamou que não tenho escrito no blog. De fato, meu último post foi no dia 1.º, justo quando anunciei o início do inferno astral. Nessas circunstâncias, melhor botar as barbas de molho. Prudência, água benta e vacina Sabin nunca são demais, já dizia o pediatra dos meus filhos, bons anos atrás... E, devo reconhecer, a maré ruim também começou.
A culpa é da Fran, da Alba e da Maria. Três gatinhas lindas. Fran e Maria são irmãs, de mãe e de farra. Alba é farrista solitária. Mas elas, de alguma forma, conseguiram chegar no quintal do vizinho - o que cria pássaros silvestres. Claro que o vizinho reclamou. Reclamou é pouco: ameaçou mesmo. Não diretamente, mas deu a entender que ele é um cara legal, porque poderia espalhar veneno pra elas comerem. Que é compreensivo, porque já foi a um advogado e sabe que poderia mover uma ação contra mim, mas não vai. Pelo menos por enquanto. Que eu tome então as providências necessárias pra prender minhas gatas em casa. Deu vontade de matar o cara? Pois...
Assim, vou empacotar minha casa. Cercar de tela todo e qualquer espaço por onde os gatos possam passar. Eu é que não me arrisco de soltar meus bichinhos para a sanha assassina desse aprisionador de pássaros que deveriam estar livres na natureza. E não me venham com discursos de que esses animais, se fossem livres, correriam risco de extinção. Maldade é prender um pássado preto só porque o canto dele é lindo. O cara falou que até pensou em se mudar. Tomara que ele faça isso. Se bem que, até lá, meus bichinhos estarão bem isolados dentro de casa. Mas seria uma bênção saber que não terei mais ao lado da minha casa uma família de chatos de carteirinha.
Fora isso, a vida segue. Mas continuo mantendo as barbas de molho.
Como já dizia o pediatra dos meus filhos...
Mas eu falei da história do Blake e acho que ela merece ser contada. Tem todos aqueles ingredientes que qualquer torcedor adora: o cara fraturou umas vértebras num tombo, durante um treino, em maio do ano passado. Ficou fora do circuito por um tempo e, quando estava sarando, pegou zoster, uma variação mais brava de herpes, que deixou o cara com um lado do rosto paralisado. Não bastasse isso tudo, o pai morreu. Voltou a jogar só este ano, precisou de convite pra entrar no US Open. E está ganhando. Não sei se passa pelo Agassi, mas este ano o velhinho vai me perdoar se eu o abandonar um pouco. Se um americano tem de chegar à final, que seja um crioulo. Só falta eu pagar pela língua e ser o Ginepri o finalista...
Uma amiga reclamou que não tenho escrito no blog. De fato, meu último post foi no dia 1.º, justo quando anunciei o início do inferno astral. Nessas circunstâncias, melhor botar as barbas de molho. Prudência, água benta e vacina Sabin nunca são demais, já dizia o pediatra dos meus filhos, bons anos atrás... E, devo reconhecer, a maré ruim também começou.
A culpa é da Fran, da Alba e da Maria. Três gatinhas lindas. Fran e Maria são irmãs, de mãe e de farra. Alba é farrista solitária. Mas elas, de alguma forma, conseguiram chegar no quintal do vizinho - o que cria pássaros silvestres. Claro que o vizinho reclamou. Reclamou é pouco: ameaçou mesmo. Não diretamente, mas deu a entender que ele é um cara legal, porque poderia espalhar veneno pra elas comerem. Que é compreensivo, porque já foi a um advogado e sabe que poderia mover uma ação contra mim, mas não vai. Pelo menos por enquanto. Que eu tome então as providências necessárias pra prender minhas gatas em casa. Deu vontade de matar o cara? Pois...
Assim, vou empacotar minha casa. Cercar de tela todo e qualquer espaço por onde os gatos possam passar. Eu é que não me arrisco de soltar meus bichinhos para a sanha assassina desse aprisionador de pássaros que deveriam estar livres na natureza. E não me venham com discursos de que esses animais, se fossem livres, correriam risco de extinção. Maldade é prender um pássado preto só porque o canto dele é lindo. O cara falou que até pensou em se mudar. Tomara que ele faça isso. Se bem que, até lá, meus bichinhos estarão bem isolados dentro de casa. Mas seria uma bênção saber que não terei mais ao lado da minha casa uma família de chatos de carteirinha.
Fora isso, a vida segue. Mas continuo mantendo as barbas de molho.
Como já dizia o pediatra dos meus filhos...
setembro 01, 2005
A quinta começou na quarta à noite e, junto, teve início meu inferno astral. É mole ou quer mais? Ou, como diz uma amiga minha, dá pra tomar uma Kaiser antes? Não gosto de Kaiser, mas a idéia é essa.
E como quinta começou na quarta, não preguei o olho por boa parte da noite. Quando consegui dormir, quase dia, enterrei o plano de fazer supermercado. Não dá pra puxar dois carrinhos com as compras do mês morrendo de sono. Nesses casos, melhor mesmo é suspender tudo e chamar uma porção de fritas. Bom disso tudo é que hoje vou dormir que nem criancinha, pesada e tranqüilamente. Só não vou virar na cama como Caleu, porque costumo dormir quietinha - 'Parece morta!', reclama minha filha.
Sempre achei que essa coisa de inferno astral não é pra se levar a sério. É uma excelente desculpa para um monte de coisas, sem dúvida. Mas trinta dias seguidos sob o risco de acontecerem coisas ruins é um pouco demais. Ninguém pode ser tão azarado assim. Ninguém é tão azarado assim.
Mas como não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe, o final do inferno astral é o aniversário da gente. Festa, doces, presentes, carinhos, tudo de bom. Então, não fica tão ruim encarar um período adverso. É verdade que se fica um ano mais velha mas, a estas alturas do campeonato, um ano a mais é uma vitória e um marco. E é bom aproveitar, porque nunca se sabe do dia de amanhã, muito menos do ano que vem.
Junto com a quinta e o inferno astral, entrou setembro, o mês que considero mais bonito. Junto com as promessas de calor, geralmente mais bem cumpridas do que se tem necessidade, chegam as flores. E a vida fica linda, colorida, alegre.
Dá até pra acreditar que a felicidade existe - e eu tenho certeza de que ela existe.
E como quinta começou na quarta, não preguei o olho por boa parte da noite. Quando consegui dormir, quase dia, enterrei o plano de fazer supermercado. Não dá pra puxar dois carrinhos com as compras do mês morrendo de sono. Nesses casos, melhor mesmo é suspender tudo e chamar uma porção de fritas. Bom disso tudo é que hoje vou dormir que nem criancinha, pesada e tranqüilamente. Só não vou virar na cama como Caleu, porque costumo dormir quietinha - 'Parece morta!', reclama minha filha.
Sempre achei que essa coisa de inferno astral não é pra se levar a sério. É uma excelente desculpa para um monte de coisas, sem dúvida. Mas trinta dias seguidos sob o risco de acontecerem coisas ruins é um pouco demais. Ninguém pode ser tão azarado assim. Ninguém é tão azarado assim.
Mas como não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe, o final do inferno astral é o aniversário da gente. Festa, doces, presentes, carinhos, tudo de bom. Então, não fica tão ruim encarar um período adverso. É verdade que se fica um ano mais velha mas, a estas alturas do campeonato, um ano a mais é uma vitória e um marco. E é bom aproveitar, porque nunca se sabe do dia de amanhã, muito menos do ano que vem.
Junto com a quinta e o inferno astral, entrou setembro, o mês que considero mais bonito. Junto com as promessas de calor, geralmente mais bem cumpridas do que se tem necessidade, chegam as flores. E a vida fica linda, colorida, alegre.
Dá até pra acreditar que a felicidade existe - e eu tenho certeza de que ela existe.
agosto 29, 2005
Anos atrás (muitos) entrevistei o Pedro Bial, que tinha acabado de lançar um livro. Minha pauta era um perfil sobre aquele que, naquele momento, era um dos homens mais cobiçados do País. Sinceramente? Bonito ele é. Mas é chato. Ou se faz de, o que dá na mesmo. Mas uma coisa que ele me disse ficou grudado na minha cabeça. Falávamos sobre esportes e ele disse que em época de Olimpíada ele queria se transformar numa samambaia, daquelas que a gente pendura na sala, em frente à televisão. Pra só ficar vendo Olimpíada. Achei a comparação ótima e passei a usá-la.
Pois, nestas duas semanas eu queria virar samambaia e ficar pendurada na frente da televisão. Porque é período de US Open. Agora, por exemplo, joga um ninguém (o romeno Razvan Sabau) contra o Agassi. E eu só posso dar uma filadinha na TV de vez em quando, vendo os resultados pelo scoreboard do site oficial do torneio. Ainda bem que a transmissão começa ao meio-dia, todos os dias. Então, alguma coisa dá pra acompanhar de casa. Já printei a tabela do masculino, que é o que me interessa. E vamos anotando os resultados.
Mudando de assunto de pato a a elefante (a mudança é bem mais radical do que de pato a ganso) tem umas coisas muito estranhas minhocando na minha cabeça ultimamente. Não é um único pensamento, são várias coisas que vão se cruzando, igual aquelas conversas em que uma coisa puxa outra, que puxa outra, que vai pra outra. E a gente não conclui nenhuma delas.
A grande vantagem das cabeças viajantes é que elas pulam de Barcelona pra Nova York, de São Francisco para Recife num segundo. A desvantagem é que é mais fácil viajar por terras já conhecidas. Então, a variação não é tão grande como a gente gostaria. Bom, é verdade que nunca fui para a Grécia, mas freqüentemente que pego tomando um copinho de ouzo naquela praia onde Shirley Valentine, a do cinema, foi parar. Ali ela pede que uma mesa seja colocada de frente para o mar e fica olhando, fruindo o momento. E se sentindo livre. Não deve ser difícil se sentir livre num lugar como aquele... Aliás, o mar da Grécia já apareceu em trocentos filmes. Mas, pra mim, ele fica muito, muito especial em Shirley Valentine.
Mas as viagens que minha cabeça anda fazendo não tem nada a ver com lugares. Tem a ver com planos, projetos, presente, futuro. Nada tem a ver com a realidade. Mas ainda não me atrevo a chamar isso tudo de sonhos.
Por enquanto, são só vontades.
E não é que me vi de novo em Cadaqués?
Pois, nestas duas semanas eu queria virar samambaia e ficar pendurada na frente da televisão. Porque é período de US Open. Agora, por exemplo, joga um ninguém (o romeno Razvan Sabau) contra o Agassi. E eu só posso dar uma filadinha na TV de vez em quando, vendo os resultados pelo scoreboard do site oficial do torneio. Ainda bem que a transmissão começa ao meio-dia, todos os dias. Então, alguma coisa dá pra acompanhar de casa. Já printei a tabela do masculino, que é o que me interessa. E vamos anotando os resultados.
Mudando de assunto de pato a a elefante (a mudança é bem mais radical do que de pato a ganso) tem umas coisas muito estranhas minhocando na minha cabeça ultimamente. Não é um único pensamento, são várias coisas que vão se cruzando, igual aquelas conversas em que uma coisa puxa outra, que puxa outra, que vai pra outra. E a gente não conclui nenhuma delas.
A grande vantagem das cabeças viajantes é que elas pulam de Barcelona pra Nova York, de São Francisco para Recife num segundo. A desvantagem é que é mais fácil viajar por terras já conhecidas. Então, a variação não é tão grande como a gente gostaria. Bom, é verdade que nunca fui para a Grécia, mas freqüentemente que pego tomando um copinho de ouzo naquela praia onde Shirley Valentine, a do cinema, foi parar. Ali ela pede que uma mesa seja colocada de frente para o mar e fica olhando, fruindo o momento. E se sentindo livre. Não deve ser difícil se sentir livre num lugar como aquele... Aliás, o mar da Grécia já apareceu em trocentos filmes. Mas, pra mim, ele fica muito, muito especial em Shirley Valentine.
Mas as viagens que minha cabeça anda fazendo não tem nada a ver com lugares. Tem a ver com planos, projetos, presente, futuro. Nada tem a ver com a realidade. Mas ainda não me atrevo a chamar isso tudo de sonhos.
Por enquanto, são só vontades.
E não é que me vi de novo em Cadaqués?
agosto 23, 2005
Não lembro de isso já ter acontecido comigo. Mas hoje, agora, aconteceu. Escrevi um montão e, na hora de publicar, deu pau. Não foi. Acabou fondo. Pior é que nem lembro do que escrevi, o que mostra a importância da coisa...
Sumiu, foi. E se estivesse ali o texto ideal que uma editora procurasse? E se lá estivesse a garantia do meu futuro? E se alguém que descobrisse naquelas palavras a resposta para algum problema sério? Não estava, claro. Mas sumiu e eu fico muito brava quando isso acontece. Começo a achar que é alguma coisa pessoal, porque nunca ninguém me contou que teve problemas em publicar um blog e a coisa acontece comigo. Será que o blogger não gosta mais de mim?
Essa coisa de internet é mesmo muito maluca. O Flávio disse no blog dele que blog serve de terapia. É verdade. É terapia, é descoberta. Acho que é por isso que, apesar de ter um blog desde 2002, fiquei vários períodos sem escrever nada. Provavelmente - não lembro - eram períodos em que eu tinha me descoberto e não precisava procurar. Ou foi mesmo saco cheio, o que é mais provável...
Mas aquele deve estar em algum lugar no tal cyberespaço e isso me faz lembrar uma crônica do Matthew Shirts, que sumiu. Ele mandou a crônica pra cá e, quando viu, tinha sido publicada uma que já havia sido publicada um mês antes. A que ele achou que mandou, sumiu. Ele continua procurando até hoje... Diz meu chefe que na segunda vez é mais fácil - ele dizia isso quando a gente trabalhava na revista Imprensa e o sistema era louco pra dar sumiço nas coisas que a gente escrevia. Não servia muito de consolo, mas pelo menos não se perdia o bom humor. E a gente escrevia tudo de novo.
Não vou fazer isso. O que vai agora, se for, será diferente do que se perdeu. E sempre penso que as coisas acontecem por algum bom motivo. Quem sabe aquele não era pra ser publicado mesmo? Vai que, sem querer, ia pisar no calo de alguém? Acho que não, mas nunca se sabe...
Aquele já ficou velho...
Sumiu, foi. E se estivesse ali o texto ideal que uma editora procurasse? E se lá estivesse a garantia do meu futuro? E se alguém que descobrisse naquelas palavras a resposta para algum problema sério? Não estava, claro. Mas sumiu e eu fico muito brava quando isso acontece. Começo a achar que é alguma coisa pessoal, porque nunca ninguém me contou que teve problemas em publicar um blog e a coisa acontece comigo. Será que o blogger não gosta mais de mim?
Essa coisa de internet é mesmo muito maluca. O Flávio disse no blog dele que blog serve de terapia. É verdade. É terapia, é descoberta. Acho que é por isso que, apesar de ter um blog desde 2002, fiquei vários períodos sem escrever nada. Provavelmente - não lembro - eram períodos em que eu tinha me descoberto e não precisava procurar. Ou foi mesmo saco cheio, o que é mais provável...
Mas aquele deve estar em algum lugar no tal cyberespaço e isso me faz lembrar uma crônica do Matthew Shirts, que sumiu. Ele mandou a crônica pra cá e, quando viu, tinha sido publicada uma que já havia sido publicada um mês antes. A que ele achou que mandou, sumiu. Ele continua procurando até hoje... Diz meu chefe que na segunda vez é mais fácil - ele dizia isso quando a gente trabalhava na revista Imprensa e o sistema era louco pra dar sumiço nas coisas que a gente escrevia. Não servia muito de consolo, mas pelo menos não se perdia o bom humor. E a gente escrevia tudo de novo.
Não vou fazer isso. O que vai agora, se for, será diferente do que se perdeu. E sempre penso que as coisas acontecem por algum bom motivo. Quem sabe aquele não era pra ser publicado mesmo? Vai que, sem querer, ia pisar no calo de alguém? Acho que não, mas nunca se sabe...
Aquele já ficou velho...
Dando uma olhada nos posts anteriores, descobri (lembrei) que tenho esse blog desde 2002. Faz tempo, nossa!!! É verdade que passei algum tempo fora do ar, voltei, saí de novo... Mas tem coisas que escrevi que nem lembrava. Mas a proposta inicial era colocar alguma coisa da minha história e acrescentar alguns comentários sobre o mundo e a vida, sobre o momento, sobre tudo. Pretensão e água benta, cada um toma quanto quer - e eu achei que em algum momento haveria algum interesse de alguma pessoa sobre isso tudo. Bom, acho que meus filhos dão uma olhada nisso, de vez em quando... e eu me divirto, o que é mais importante.
Manhã de costura me fez lembrar de novo de minha mãe. Que era costureira - e das boas. Tinha uma infinidade enorme de freguesas, todas japonesas, japonesas mesmo, daquelas que não falam português. Quando ela ficou doente e parou de costurar, algumas ligavam pra ela de vez em quando pra saber como ela estava. E era um sufoco atender a esses telefonemas. Japonês nunca foi meu forte, nem meu fraco. Eu não sei mesmo...
Se bem que teve uma época na vida em que eu tinha de me virar no japonês. Era quando o meu avô era vivo - ele morreu quando eu tinha uns 12/13 anos. O velhinho - minha mãe era a cara dele - mal falava português. Então, o jeito era improvisar no japonês pra conversar com ele. Mas não falava muito, não. E ele mesmo evitava de falar muito com a gente, porque sabia que não ia rolar muita conversa. Uma pena, porque tenho certeza de que ele tinha um monte de histórias pra contar. Depois que ele morreu, só voltei a arranhar meu japonês quando estava em Paris e fui abordada por umas turistas japonesas dentro de um banco. Gelei, mas no fim deu certo. E até hoje me pergunto por que elas vieram falar comigo, se tinham outros orientais lá dentro...
Hoje em dia brinco de falar japonês com a Nair, que senta aqui do meu lado na redação. E, de vez em quando, com o Tom Morooka. Mas os dois falam muito mais do que eu e eu acabo respondendo em português mesmo. E me pego tendo uns lampejos de vontade de aprender mais. Idéia que abandono logo em seguida, porque não tenho mais paciência nem memória pra aprender mais nada. Este HD já lotou, não tem mais espaço pra colocar memória, o equipamento é um 386, já está muito antigo e não tem recuperação.
Como ainda dá pro gasto, vai ficando...
Manhã de costura me fez lembrar de novo de minha mãe. Que era costureira - e das boas. Tinha uma infinidade enorme de freguesas, todas japonesas, japonesas mesmo, daquelas que não falam português. Quando ela ficou doente e parou de costurar, algumas ligavam pra ela de vez em quando pra saber como ela estava. E era um sufoco atender a esses telefonemas. Japonês nunca foi meu forte, nem meu fraco. Eu não sei mesmo...
Se bem que teve uma época na vida em que eu tinha de me virar no japonês. Era quando o meu avô era vivo - ele morreu quando eu tinha uns 12/13 anos. O velhinho - minha mãe era a cara dele - mal falava português. Então, o jeito era improvisar no japonês pra conversar com ele. Mas não falava muito, não. E ele mesmo evitava de falar muito com a gente, porque sabia que não ia rolar muita conversa. Uma pena, porque tenho certeza de que ele tinha um monte de histórias pra contar. Depois que ele morreu, só voltei a arranhar meu japonês quando estava em Paris e fui abordada por umas turistas japonesas dentro de um banco. Gelei, mas no fim deu certo. E até hoje me pergunto por que elas vieram falar comigo, se tinham outros orientais lá dentro...
Hoje em dia brinco de falar japonês com a Nair, que senta aqui do meu lado na redação. E, de vez em quando, com o Tom Morooka. Mas os dois falam muito mais do que eu e eu acabo respondendo em português mesmo. E me pego tendo uns lampejos de vontade de aprender mais. Idéia que abandono logo em seguida, porque não tenho mais paciência nem memória pra aprender mais nada. Este HD já lotou, não tem mais espaço pra colocar memória, o equipamento é um 386, já está muito antigo e não tem recuperação.
Como ainda dá pro gasto, vai ficando...
agosto 22, 2005
Semana começa com massagista logo cedo. Dolorido, mas bom. O lombo, pelo jeito, sarou. Ou quase, vamos esperar pra ver como rola a semana. Ainda tinha uns pontinhos pra mexer. Ele mexeu. Ai!!!!
Mas teve uma coisa muito boa: ganhei uma caixa de cookies sortidos da Kopenhagen. Delícia!!! Vou levar alguns pra casa - os outros, comi aqui aqui mesmo. Meu filho diz que estou ficando igual minha mãe, bem formigona. Ainda não estou igualzinha, mas, nesse ritmo, chego lá. E eu que quase não comia doces... Mas à noite, depois de comer alguma coisa em casa, bate uma necessidade de de doce. E saio eu pela casa atrás de alguma coisa com açúcar. Não precisa ser chocolate, não. Basta ser docinho. Não melado. Docinho. Hummmmm!!!
Minha mãe era assim. Chegou ao ponto de abrir lata de leite condensado porque não tinha mais nada doce na casa dela. Quando veio morar comigo, adorava ganhar docinhos. Em especial, as balas de goma da Brunela. "Pontan-amê", ela chamava. As balas são boas mesmo. Faz tempo que não como. Acho que vou atrás de uma Brunela qualquer hora pra matar saudades. Ainda existe a Brunela?
Eu tenho ciclos. Teve o período das pipoquinhas de canjica. E tinha de ser a Nhac, que a gente só encontra no Carrefour. À noite, na frente da televisão, eu dava cabo de quase um pacotão, sozinha. E os meninos tiravam altos sarros da minha cara. Mas a Nahc é mesmo irresistível. Aqui, o pessoal dá cabo de três pacotões, brincando. Mas tem muita gente comendo. "Pipoca de isopor", definem.
Outro doce que gosto é arroz doce. Dizia a vó Cecília que arroz doce é doce de homem. Que ela não conhecia nenhum homem que não gostasse. E, nesse campo, ela tinha algum conhecimento. Casou três vezes, enviuvou três vezes. E quase vai pela quarta vez. O velhinho que pediu a mão dela em casamento, lá em Jacareí, quando ela já estava com 80 e alguns, acabou morrendo dois meses depois do pedido. E ela, dando risada, comentava: "Já imaginou? Eu ia ficar viúva mais uma vez!"
Vó Cecília fazia sonhos divinos. E nunca ninguém conseguia fazer a receita dela. Mesmo porque não tinha receita. "Olha, põe o trigo, um pouco de fermento, mistura o leite e vai batendo. Põe os ovos e continua batendo. Eu ponho um pouco de erva doce pra dar um perfume..." Quantidade? Ela não tinha. Ia tudo no olho e na mão. Tentei uma vez, ficou duro. Tentei outra, a massa ficou tão mole que desmanchava na frigideira. Fiquei nos bolinhos de chuva que esses, pelo menos, davam certo...
E agora me veio à lembrança um doce que minha mãe improvisava quando eu era criança. Quando não tinha nenhum doce, ela inventava de fazer um negócio que ficava duro, com consistência daquelas bolachas italianas que quebram os dentes. Fazia com uma concha colocada direto no fogo. Se não me falha a memória, punha água, açúcar e uma pitada de bicarbonato. Aquilo endurecia rapidinho na concha e ela tirava batendo a concha na pia. Ficava redondinho, abaulado. E a gente comia. E gostava. Não consigo lembrar o gosto daquilo. Agora, na distância, não me parece que seja alguma coisa realmente gostosa...
Outra lembrança saborosa é o jatobá que, digo hoje com toda certeza, é fruta de criança. Só criança pra comer aquela coisa empoeirada e grudenta. Doce, sem dúvida. Mas disgusting... Eu lembro de ficar sentadinha num degrau que, suponho que fosse da minha casa, comendo e me lambuzando com aquilo e achando maravilhoso. Conferindo com outras pessoas, mais tarde, todos eram unânimes. Jatobá é bom. Mas só criança consegue comer.
No fumódromo, hoje, a conversa rolou em torno de doces, que a Valerinha disse ter comido de montão durante o final de semana. Acho que foi isso, mais a caixa de cookies, que despertou a larica.
Preciso fazer algum exercício pra queimar tanto açúcar...
Mas teve uma coisa muito boa: ganhei uma caixa de cookies sortidos da Kopenhagen. Delícia!!! Vou levar alguns pra casa - os outros, comi aqui aqui mesmo. Meu filho diz que estou ficando igual minha mãe, bem formigona. Ainda não estou igualzinha, mas, nesse ritmo, chego lá. E eu que quase não comia doces... Mas à noite, depois de comer alguma coisa em casa, bate uma necessidade de de doce. E saio eu pela casa atrás de alguma coisa com açúcar. Não precisa ser chocolate, não. Basta ser docinho. Não melado. Docinho. Hummmmm!!!
Minha mãe era assim. Chegou ao ponto de abrir lata de leite condensado porque não tinha mais nada doce na casa dela. Quando veio morar comigo, adorava ganhar docinhos. Em especial, as balas de goma da Brunela. "Pontan-amê", ela chamava. As balas são boas mesmo. Faz tempo que não como. Acho que vou atrás de uma Brunela qualquer hora pra matar saudades. Ainda existe a Brunela?
Eu tenho ciclos. Teve o período das pipoquinhas de canjica. E tinha de ser a Nhac, que a gente só encontra no Carrefour. À noite, na frente da televisão, eu dava cabo de quase um pacotão, sozinha. E os meninos tiravam altos sarros da minha cara. Mas a Nahc é mesmo irresistível. Aqui, o pessoal dá cabo de três pacotões, brincando. Mas tem muita gente comendo. "Pipoca de isopor", definem.
Outro doce que gosto é arroz doce. Dizia a vó Cecília que arroz doce é doce de homem. Que ela não conhecia nenhum homem que não gostasse. E, nesse campo, ela tinha algum conhecimento. Casou três vezes, enviuvou três vezes. E quase vai pela quarta vez. O velhinho que pediu a mão dela em casamento, lá em Jacareí, quando ela já estava com 80 e alguns, acabou morrendo dois meses depois do pedido. E ela, dando risada, comentava: "Já imaginou? Eu ia ficar viúva mais uma vez!"
Vó Cecília fazia sonhos divinos. E nunca ninguém conseguia fazer a receita dela. Mesmo porque não tinha receita. "Olha, põe o trigo, um pouco de fermento, mistura o leite e vai batendo. Põe os ovos e continua batendo. Eu ponho um pouco de erva doce pra dar um perfume..." Quantidade? Ela não tinha. Ia tudo no olho e na mão. Tentei uma vez, ficou duro. Tentei outra, a massa ficou tão mole que desmanchava na frigideira. Fiquei nos bolinhos de chuva que esses, pelo menos, davam certo...
E agora me veio à lembrança um doce que minha mãe improvisava quando eu era criança. Quando não tinha nenhum doce, ela inventava de fazer um negócio que ficava duro, com consistência daquelas bolachas italianas que quebram os dentes. Fazia com uma concha colocada direto no fogo. Se não me falha a memória, punha água, açúcar e uma pitada de bicarbonato. Aquilo endurecia rapidinho na concha e ela tirava batendo a concha na pia. Ficava redondinho, abaulado. E a gente comia. E gostava. Não consigo lembrar o gosto daquilo. Agora, na distância, não me parece que seja alguma coisa realmente gostosa...
Outra lembrança saborosa é o jatobá que, digo hoje com toda certeza, é fruta de criança. Só criança pra comer aquela coisa empoeirada e grudenta. Doce, sem dúvida. Mas disgusting... Eu lembro de ficar sentadinha num degrau que, suponho que fosse da minha casa, comendo e me lambuzando com aquilo e achando maravilhoso. Conferindo com outras pessoas, mais tarde, todos eram unânimes. Jatobá é bom. Mas só criança consegue comer.
No fumódromo, hoje, a conversa rolou em torno de doces, que a Valerinha disse ter comido de montão durante o final de semana. Acho que foi isso, mais a caixa de cookies, que despertou a larica.
Preciso fazer algum exercício pra queimar tanto açúcar...
agosto 21, 2005
Plantão de domingo costuma ser aborrecido pela absoluta falta do que fazer. Notícias de economia, num domingo à noite? Nem pensar... Amanhã, sim, é dia de um monte de coisas. Mas das 8 às 18h00. Depois disso, também é difícil. Mas amanhã é outro dia e a gente tem mais é que se preocupar com o hoje, que ainda está rolando.
No começo, foi de correria. Compromisso de fazer pães e mais almoço, porque o neto e a filha vinham almoçar. E quando a gente acorda tarde, tem de correr atrás do prejuízo. No fim deu certo. Todo mundo almoçou bem, os pães ficaram ótimos. A filha, não deu tempo. Tinha de gravar. Mas o genro fez as honras. "Vovó, mudei de idéia. Quero macarrão!" Antes, ele tinha dito que não queria. Nem tem três anos e já sabe que tem o direito de mudar de idéia... Espero que ele exerça muito esse direito ao longo da vida. Mudar de idéia é um direito muito especial, em qualquer fase da vida. Mostra que está aberto para o novo, que pode aprender mais, apreender mais. Mostra movimento - e quem fica parado é poste e carro sem gasolina...
E mudanças parecem estar vindo. Um filho começa a trabalhar num horário totalmente esdrúxulo. Para ele, será uma mudança que, espero, seja o prenúncio de outras, melhores. O outro, começa a desenvolver um projeto novo na vida que, torço, vai desaguar em alguma coisa prazeirosa. O movimento está aí. Vamos ver o que vem pela frente.
E o dia, que deveria ser de preguiça, acabou sendo de muito trabalho. Mas passou depressa. Como espero que os próximos dias passem: bem rápido, pra chegar logo o final de semana de descanso.
Na verdade, é um contra-senso: não sou eu quem reclama o tempo todo de que o tempo passa depressa demais?
No começo, foi de correria. Compromisso de fazer pães e mais almoço, porque o neto e a filha vinham almoçar. E quando a gente acorda tarde, tem de correr atrás do prejuízo. No fim deu certo. Todo mundo almoçou bem, os pães ficaram ótimos. A filha, não deu tempo. Tinha de gravar. Mas o genro fez as honras. "Vovó, mudei de idéia. Quero macarrão!" Antes, ele tinha dito que não queria. Nem tem três anos e já sabe que tem o direito de mudar de idéia... Espero que ele exerça muito esse direito ao longo da vida. Mudar de idéia é um direito muito especial, em qualquer fase da vida. Mostra que está aberto para o novo, que pode aprender mais, apreender mais. Mostra movimento - e quem fica parado é poste e carro sem gasolina...
E mudanças parecem estar vindo. Um filho começa a trabalhar num horário totalmente esdrúxulo. Para ele, será uma mudança que, espero, seja o prenúncio de outras, melhores. O outro, começa a desenvolver um projeto novo na vida que, torço, vai desaguar em alguma coisa prazeirosa. O movimento está aí. Vamos ver o que vem pela frente.
E o dia, que deveria ser de preguiça, acabou sendo de muito trabalho. Mas passou depressa. Como espero que os próximos dias passem: bem rápido, pra chegar logo o final de semana de descanso.
Na verdade, é um contra-senso: não sou eu quem reclama o tempo todo de que o tempo passa depressa demais?
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