setembro 29, 2005

Ano novo, vida nova.

Tô louca, não. É que hoje é o penúltimo dia do meu inferno astral. E como já são quase 10 da noite, isso quer dizer que o último dia está bem próximo. E o final vem logo em seguida. Essa é a parte boa.

Inferno astral não é uma sucessão de coisas ruins acontecendo na vida da gente. Na verdade, funciona como a passagem de ano, com a diferença de que o revéillon é o dia do aniversário da gente. Nos dias anteriores a ele, as pessoas fazem uma espécie de balanço do que fez no ano que passou e planos para o ano que vai nascer. Ou seja: é momento de recolhimento, de auto-análise e de decisões. No meu caso, de se xingar um bocado e ficar de mal consigo mesma por não ter feito uma monte de coisas que deveria ter feito. E se xingar mais ainda porque sabe que vai continuar não fazendo. É o tal do círculo vicioso.

Na minha adolescência, chamávamos esses períodos de fossa. E sempre dávamos muita risada porque tinha sempre alguém que sabia que estava enfiando o pé na lama e continuava dando risada. Já então entendíamos que o ser humano tem coisas que não se explica, aceita-se. Ou não. Mas não adianta brigar. Ninguém muda na essência. No máximo, cria um verniz.

Não lembro de ter passado um tempo tão reflexivo antes. Deve ser coisa da idade. Mais velhinha, mais filosófica. Sempre desconfiei que filosofia era uma matéria dedicada aos velhos. Jovem não tem tempo pra isso. Observa, registra e segue em frente. E Caetano dizia que filosofia tem de ser em alemão. Como não sou alemã e não sei falar alemão, então filosofar se torna muito mais complicado.

Melhor deixar quieto....

setembro 27, 2005

Não sei se devo me considerar maluca ou se todo mundo é assim. Como nunca perguntei a ninguém, não sei. E não sei se quero saber...

Existe uma realidade alternativa, para onde vou freqüentemente. Não é um lugar com anjos, fadas e duendes - se bem que um elfo com a cara do Orlando Bloom não seria nada mau -, mas é um lugar particular, meu, onde as coisas dão certo, a conta não fica no vermelho (acho que nem tem conta) e eu posso imaginar o que quiser, posso dar as respostas que quiser e as pessoas vão reagir conforme o meu gosto e a minha vontade.

Quando as coisas não vão bem, as preocupações aumentam, a vida fica difícil, vou pra lá na primeira oportunidade. É mais ou menos como a penseira do Dumbledore, só que eu não tiro pensamentos pra deixar a cabeça mais leve. A realidade real continua lá, me esperando, me preocupando, me angustiando. Mas eu sempre dou um jeito de fugir pra outro canto, busco aquela gavetinha do arquivo onde tudo dá certo e é bonito. E lá tudo fica bem.

Claro que sei que o conteúdo da gavetinha não é real. Mas ela está lá e me recebe sempre de braços abertos. Lá não tem canseira, a viagem de ônibus fica divertida – na verdade, costuma ser divertida mesmo sem realidade alternativa -, os problemas são todos solucionados. Viajo grandão mesmo. Já fiquei brava comigo mesma por não encarar os problemas de frente, por não sair à luta. Mas não adianta: quando vejo, estou com os pés no chão e a cabeça longe, longe.

Ultimamente ando me refugiando com freqüência por lá. E ultimamente não quer dizer os últimos dias ou as últimas semanas. Já faz tempo que ando procurando o pedaço do faz-de-conta.

É o meu mundo ideal e porque é ideal, não existe. Algumas coisas podem até se realizar, mas eu tenho sérias dúvidas. Porque, se se realizarem, não serão como no mundo ideal. Certamente serão boas, como é bom quando os sonhos se realizam.

Mas aí deixarão de ser do meu mundo ideal...

setembro 26, 2005

“Não gosto da criação que dão para os filhos hoje em dia. E aqui em São Paulo é pior. Mãe faz tudo o que o filho manda. Não ta certo. Tem menino com 3 anos que não obedece a mãe. Outro dia, no ônibus, tinha um que chorava, resmungava e ciscava o tempo todo. E a mãe só dizia ‘calma’. Fosse meu, nem abria a boca. Se com 3 anos já faz assim, com 10 vai mandar a mãe embora de casa. Não gosto dessas coisas, me deixa nervosa. Fico com vontade de encher o moleque de bolacha. Esse, do ônibus, fiquei com vontade de ir lá e dar um jeito. Era eu que ia agüentar uma dessas! Não agüento mesmo, já vou logo dando safanão. Minha filha tem 16 e só tomou uma tapona na vida. Mas foi uma só, que ela foi parar longe. Pergunta se ela não me obedece... Homem é a mesma coisa. Só apronta uma vez. O lá de casa arrumou uma biscata por aí e eu logo percebi. Botei o feijão cozido na panela de pressão e deixei fechado por uns três dias. Na hora que ele se aprontou pra sair, todo bonito e perfumado – dizia que ia trabalhar, vê se pode!!! -, joguei o feijão nele. E quando ele veio pra cima de mim com a mão levantada, tomou a panela de pressão na cabeça. Foram cinco pontos na testa. E nunca mais ele aprontou. Tá lá em casa, quietinho. Sai pra trabalhar e volta, direitinho. Mas feijão tem sempre, ele sabe. Imagina a sujeira que foi, ele todo embonecado, fedendo a feijão estragado, com feijão no corpo inteiro. Falei pra ele que se tivesse uma próxima, não ia ter cinco pontos na testa. Ia ficar sem... Você sabe. É pra ele ver o que acontece quando mexe com uma paraibana!”

O discurso, com alguma variação e termos muito mais ricos que não consegui reproduzir, foi ouvido hoje no ônibus, linha Ana Rosa-Vila Brasilândia. A senhora contava isso tudo pra duas amigas, que estavam sentadas do outro lado do corredor. As três rachavam o bico com a história. Então, eu e o ônibus inteiro acompanhamos as aventuras. Mas chegou meu ponto e eu tive de descer. Quase que continuo, só pra saber mais histórias e pra saber se o cavalheiro que tomou banho de feijão estragado tinha aprontado mais alguma.

Mas eu é que não ia mexer com a paraibana arretada...

setembro 22, 2005

Fiquei tão brava com as injustiças que ando vendo, que acabei esquecendo de uma coisa linda que aconteceu na minha vida, exatos 30 anos atrás: hoje é aniversário do meu filho.

Nenhum sonho meu de juventude previa uma convivência tão boa como a que tenho com meus filhos. Correndo o risco de repetir todas as mães do mundo, eles são meu maior orgulho, a melhor coisa que fiz na vida. São meus companheiros de luta e minha fonte de alegrias. Torço muito pra que sejam felizes e que tenham tanta sorte quanto eu em relação aos filhos deles.

Parabens, meu filho. Tudo de bom e mais uns pedaços de amor e felicidade para você na sua vida!!!
A revolta dos dinossauros

Não costumo escrever texto com título. Mas este merece. Porque os dinossauros estão mesmo revoltados. Pelo menos os daqui. Com razão, eu diria – mas eu faço parte da categoria dinossauro jornalístico, então não sei se minha opinião vale muito.

Disse, no post anterior, que é hora de dar lugar aos jovens. Reconheço que eles merecem. Sangue novo, idéias novas, abordagens inusitadas – tudo isso vale. Mas eu gostaria muito que os mais novos ouvissem um pouco os dinossauros. E os respeitassem.

O que ando vendo – não sentindo, porque não ofereço a cara pra tomar tapa e não pretendo ter mais motivos na vida pra me sentir rejeitada – é que os mais antigos não estão sendo levados em conta. Por que estão desgastados? Não diria isso. Por que estão ultrapassados? Também não diria isso. Por que não fazem parte da turma jovem que vem ocupando os cargos de poder? Pode ser.

Pior que não ser respeitado e ouvido é saber que se foi ouvido, sim, mas para beneficiar outra pessoa. A sua idéia não é mais sua, mas a de quem a apresentou – por coincidência, a mesma pessoa para quem você expôs sua idéia. Não é enlouquecer? Além do desrespeito, estão achando que a gente é tão velho que não lembra mais do que falou...

É verdade que a memória não é mais a mesma, que o organismo precisa de uns aditivos pra funcionar normalmente, que a visão ultrapassa o tamanho do braço. Mas a cabeça de todos continua bem – e produzindo.

Acho que vou lançar a idéia de juntar os dinossauros pra montar uma publicação. E será via Internet, que é pra dar um tapa com luvas de pelica nesse povo jovem que acha que domina as mídias modernas. Um site de informação e opinião, sobre tudo o que acontece no mundo. Com opinião de gente respeitada – concordemos ou não com os pontos de vista dessas pessoas, eles sempre merecem ser ouvidos ou lidos. Nem que seja pra saber o que o inimigo está pensando.

Poder jovem?! Bah!!!!

setembro 20, 2005

De repente, eu estava andando pelo corredor e quase fui atropelada por um rapazinho. Foca, pensei. Foquinha mesmo. Temos agora, todos os anos, uma batelada deles, por causa do curso de jornalismo que o jornal dá a um grupo cuidadosamente selecionado. Então, a gente tropeça neles o tempo todo, por um bom tempo. E parecem cada vez mais novos.

São sérios, compenetrados. Deve pesar na cabeça deles o fato de estarem num veículo de circulação nacional, com o peso de mais de cem anos de existência. Tradição ainda fala alto pra essa molecada. Daqui a alguns anos, tudo isso terá passado. Mas, até lá, o respeito impera. Alguns ensaiam tímidos sorrisos pra gente, os veteranos.

Eu sempre sorrio pra eles. E, se vierem conversar, dois dedos de prosa não fazem mal a ninguém. Mas raramente eles conversam com a gente. Conversa mole, só entre eles.

Fico lembrando de quando comecei, também. Não sei se era tão séria e compenetrada como eles. Deveria ser. Todos focas são, porque eu seria diferente? Tinha a vantagem de ser novinha, mais ou menos bonita. Os veteranos não negavam dicas, toques, conselhos. Carne nova no pedaço sempre encontra assistência...

Mas tive uma crise séria, logo no começo. Achei que não tinha nascido pra isso, que devia mudar de rumo, procurar outra coisa pra fazer. Tudo porque um ex-namorado, que já trabalhava na área, disse que eu não servia pra coisa. Que me faltava a fibra, a insistência, o interesse. Jornalismo não é pra você, ele disse. Você faria melhor se fizesse outra coisa.

No começo, doeu. E veio a crise. Falei com meu chefe - naquela época estava na extinta Última Hora -, expliquei o que estava acontecendo. Sábio, ele me aconselhou a ficar afastada uns dias, uma semana. Depois, se quisesse voltar, meu lugar estaria ali. Não que fosse prejudicar alguém. Trabalhava de graça, à guisa de estágio. Meu chefe não poderia exigir nada, já que eu não recebia...

A semana de prazo passou e, com ela, minhas dúvidas. Mas agora já era outra coisa, era a vontade de mostrar para aquele cara que ele não tinha razão. Com que autoridade ele dizia que eu não seria para a profissão? Quem era ele? Quem ele pensava que era? Ia mostrar que era competente, sim, e muito! Voltei com força total e nunca mais entrei em crise.

Passei um bom tempo na vida agradecendo ao desaforo lançado por esse namorado. Não fosse isso, talvez não tivesse me esforçado tanto. Hoje, já não tenho tanta certeza de que foi uma boa, mas continuo firme no ofício - mas, agora, tudo o que quero é pendurar as chuteiras. Não dá mais para aposentar a Olivetti, que já foi demitida pelo computador. Na verdade, acho que já me esforcei tanto que cansei. É hora de colocar sangue novo no pedaço.

Por isso, sempre sorrio para os focas. Sei que eles terão de enfrentar muita coisa ruim e chata e não precisam de gente olhando feio. Alguns aparentam uma segurança irritante - em poucos casos, não é aparência, mas a vida se encarrega de por um prefixo 'in' naquela segurança toda. Olho pra eles e fico imaginando quem vai se sobressair, quem vai virar um nome no jornalismo. A maioria nem fica e tem de conviver com a sensação de ter fracassado num jornal grande - que bobagem! Outros embarcam em aventuras mais ao gosto de cada um, em publicações específicas, quase anônimas para o grande público. E nem se incomodam. E tem os que simplesmente caem no esquecimento...

É um desafio para eles. Para os veteranos, é sangue novo para lubrificar engrenagens antigas. Para mim, são sonhos que chegam, necessários para alimentar o desgaste da rotina. Sonhos novos, idéias novas.

Pena que acabem logo...

setembro 15, 2005

Pacarai. Vi a palavra hoje num blog e achei bem bonitinho. E me lembrei, no ato, de outra, que aparecia nos muros do Roosevelt nos idos e dourados anos 60: taqueospa. Lembro que ficamos meses tentando decifrar o que queria dizer aquilo. Até que uma garota da turma, uma das mais espertas por sinal, matou a charada: era só colocar uma sílada antes e outra depois...

Daí, como livre pensar é só pensar e também porque broto também tem saudades, lembrei das aventuras daquela época. No final dos anos 60, todos tínhamos muita energia e nenhum dinheiro. Eu escamoteava dinheiro do lanche e trocava passes - ia a pé para a escola - pra ter algum guardadinho, para os cigarros ou alguma bobagem que não custasse muito caro. Todo mundo fazia isso, mas tinha - sempre tem - aqueles com mais dinheiro. E, graças a eles e aos trocados que cada um conseguia salvar, todo mundo ia para a farra.

Nada grandioso, só umas fugidas de quando em vez para alguma lanchonete, onde todo mundo dividia alguns hambúrgueres e uma (uma só, mesmo!) porção de fritas. E todo sábado tinha baile em algum lugar. Pra minha sorte, minha mãe costurava. E toda semana eu tinha alguma peça nova pra estrear no baile - fosse ele qual fosse e onde fosse. Íamos em turma, voltávamos em turma. Alguns poucos eram namorados, todos eram muito amigos. E tinha os bailes do ITA, uma aventura que durava um fim de semana inteiro, porque íamos de ônibus para São José dos Campos, dormíamos nos dormitórios dos estudantes (meninas de um lado, garotos de outro). O baile era na noite de sábado; a volta, no final da tarde de domingo. Dava até pra curtir a piscina do campus, com direito à paquera dos guapos futuros engenheiros que estavam por lá. Nunca me interessei por nenhum...

Quando os que tinham dinheiro chegaram aos 18 anos, a turma ganhou rodas. E aí o programa era ir para Santos, tomar um chope. Um só, porque o dinheiro não dava pra mais. E ainda tinha a gasolina, que na época não era tão cara, mas tinha de ser paga. E os tanques tinham de ser cheios. Tomar um chope, dar uma volta na areia, molhar os pés no mar. E voltar pra casa, contente e feliz...

A felicidade estava mais ao alcance da gente. Mas, aos 18 anos, a gente merece ter toda a felicidade do mundo...

setembro 12, 2005

Não tenho um tio Quinto na minha vida. Pena. Explico: tio Quinto foi o velhinho que morreu e deixou uma quinta na Umbria para a sobrinha Anna, uma viúva, com três filhos adultos e uma neta, todos personagens de A Casa de Anna, minissérie em quatro capítulos que assisti ontem. A história é bonitinha, com a vantagem - pelo menos pra mim - de ser falada em italiano, língua que gosto muito. Serviu para praticar um pouco o ouvido. E pra passar o dia de domingo. Não vi tudo, não: tinha Federer e Agassi decidindo o US Open, então fiquei zapeando de um canal para outro, até o jogo acabar. Mas me deu vontade de ter um zio Quinto.

No começo da história, pensei em Casa Rossa, de Francesca Marciano, romance que li há alguns meses, também ambientado na Itália e que tinha, como personagem central, a casa de campo pintada de vermelho. Nada disso. A Casa de Anna é bem menos ambicioso, uma historinha tipo Rosamunde Pilcher, muito mais de autodescoberta e afirmação dos personagens. Das personagens, aliás: mulheres bonitas e fortes, mas inseguras e medrosas. Contraditórias? Sem dúvida. Mas as mulheres são assim mesmo.

Zio Quinto, que nem aparece na história, deixa a casa para Anna. O filho, Marco, quer vender a propriedade logo. Corretor da bolsa, perdeu dinheiro alheio e precisa devolver rapidinho. Além disso, a mulher está esperando o primeiro filho. A venda da quinta seria a solução. Como único filho homem, é sempre consultado nas decisões. Mas nem sempre é ouvido - e isso fica claro ao longo da história. Ninguém sabe dos problemas financeiros dele, que vai se enroscando num monte de problemas. A filha mais velha, Giulia, é casada, tem uma filha e um marido que a trai com a secretária. Ela lhe dá um bom chute no traseiro mas, ao longo da história, descobre que ainda o ama e se torna amante dele. Bem divertida essa situação, sem dúvida. E cômoda. Livia, a mais nova, é uma mulher linda, mas totalmente insegura. Encontra um homem maravilhoso, mas tem medo de se envolver. Claro que se envolve. Ela pode ser insegura, mas não é burra.

Anna domina todos. À guisa de preocupação e cuidado, acaba conseguindo que todos façam e ajam de acordo com o que ela quer. Não faz de propósito - ela é assim mesmo. E só percebe quando reencontra Guido, na quinta do Zio Quinto, o homem por quem foi apaixonada na juventude. Seu primeiro namorado, aquele que lhe deu o primeiro beijo. E - acreditem - o velhinho é um prato cheio e pode entrar na minha lista de velhinhos que eu gostaria de encontrar. Pois ele lhe diz com todas as letras como ela é. E, claro, ela toma um susto. Mas muda.

Mas a quinta... Fica na Itália. Quem me conhece sabe que é um dos meus grandes objetos de desejo. É uma casa de campo confortável, com uma cozinha de sonho, quartos grandes e um vasto jardim. Guido tem um viveiro de plantas. "Você me parece um vaso de manjericão", diz ele. "É daquelas plantas que têm muita energia e transmitem isso. Quando tenho uma planta que está fraca, coloco um vaso de manjericão ao lado, pra dar energia a aquela que está fraquinha. Você é assim." Dá pra resistir? Claro que Anna não resiste. Nenhuma mulher resistiria...

Engraçado é que falam tanto da Itália machista, mas a história é totalmente dominada pelas mulheres. São elas que decidem, são elas que comandam. Até a menina Alessia, do alto dos seus 13 anos, acaba com o namoradinho que queria desde o começo da história. Os homens são, com exceção de Guido, uns bananas, que entram para atrapalhar a vida de todas.

No fim da história, tudo acaba bem. Anna vende o apartamento onde mora em Roma e se muda para a quinta, para ficar perto de Guido e dos sonhos de juventude. Deixa os filhos seguirem seus destinos, deixa que eles tomem as próprias decisões. E tutto va bene, troppo bene.

Ah, como eu queria ter um zio Quinto...

E, sim, antes que me esqueça: Federer ganhou. Agassi jogou muito - ele mesmo reconheceu que nunca jogou tão bem como nesta final -, mas não deu...

setembro 06, 2005

Declaro, a quem possa interessar, que trabalho num jornal mentiroso, numa editoria que enche as pessoas de mentiras. Sou, portanto, mentirosa. Se é por força das circunstâncias, ou não, não vem ao caso. É o mesmo caso do soldado nazista que matou um monte de gente porque seguia ordens. Ele não é inocente. Nem eu.

Trabalhar em Economia nunca foi minha maior ambição. Pelo contrário. Nunca entendi o que as pessoas na área queriam dizer, aliás nunca me interessei pelas coisas que eles diziam porque, de alguma forma, eu sentia que aquilo não me dizia respeito. Agora tenho certeza: não diz mesmo. O mundo onde vivem os economistas e os jornalistas que cobrem essa área é outro. Um outro planeta, com outros valores. Cheios de índices e porcentuais.

Estão tentando me convencer de que estamos vivendo um período de deflação. O supermercado que fiz hoje desmente isso. Meu cartão de crédito é a maior prova disso. Comprei menos do que no mês passado e gastei a mesma coisa. Mas, me dizem, isso é média. Certamente você está comprando coisas que estão subindo... A deflação, continuam, é maior para a população mais pobre. Mentira, mentira, mentira. A Adelina reclama da mesma coisa do que eu. E a gente fica indignada junta.

Fazem vários meses que faço títulos e leio matérias nesta editoria dizendo que os preços estão baixando. A queda do IPC-alguma coisa foi provocada principalmente pelos menores preços no setor de vestuário e alimentos. As roupas baixaram de preço? Onde? Em que loja? Em que país? E os alimentos?

Olhe, sou obrigada a concordar. Jornalista é mentiroso. Principalmente os de Economia. Porque é mesmo ou porque mandaram, tanto faz.

Quero trabalhar no Esporte. Não dá pra mentir que o jogador fez e aconteceu, se todo mundo viu na televisão. Não dá pra dizer que um time perdeu o jogo, se ganhou. Futebol é futebol, basquete é basquete, tênis é tênis. Não dá pra dizer outra coisa.

Quero me aposentar e nunca mais ler esse monte de bobagens que compõem o Caderno de Economia. E ainda dizem que é a editoria mais importante do jornal... Só rindo... Aliás, se eu parar, juro que vou passar um bom tempo sem ler jornal.

setembro 05, 2005

Confesso que esse US Open está me irritando um pouco, pela quantidade de americanos que vão passando de fase. Mas hoje, olhando melhor as chaves, percebi que na chave de cima não ficou nenhum. Na chave de baixo, sim. Tem Agassi, Blake e, dependendo do que o Gasquet fizer ou não fizer, Ginepri. Meu favorito entre eles é o Agassi, mas depois de saber da história do Blake, fiquei balançada. James Blake é crioulo - e isso, quem me conhece, sabe que conta pontos. É simpático, tem cara de ser boa gente. Diferente de um outro cujo nunca tinha ouvido falar, um tal Scoville Jenkins, um entojo. Nadal passou pelo antipático, mas não conseguiu bater o simpático. Pena é que Blake e Agassi se enfrentam na próxima fase. Pelo jeito que a coisa vai, a final será entre Agassi e Federer.

Mas eu falei da história do Blake e acho que ela merece ser contada. Tem todos aqueles ingredientes que qualquer torcedor adora: o cara fraturou umas vértebras num tombo, durante um treino, em maio do ano passado. Ficou fora do circuito por um tempo e, quando estava sarando, pegou zoster, uma variação mais brava de herpes, que deixou o cara com um lado do rosto paralisado. Não bastasse isso tudo, o pai morreu. Voltou a jogar só este ano, precisou de convite pra entrar no US Open. E está ganhando. Não sei se passa pelo Agassi, mas este ano o velhinho vai me perdoar se eu o abandonar um pouco. Se um americano tem de chegar à final, que seja um crioulo. Só falta eu pagar pela língua e ser o Ginepri o finalista...

Uma amiga reclamou que não tenho escrito no blog. De fato, meu último post foi no dia 1.º, justo quando anunciei o início do inferno astral. Nessas circunstâncias, melhor botar as barbas de molho. Prudência, água benta e vacina Sabin nunca são demais, já dizia o pediatra dos meus filhos, bons anos atrás... E, devo reconhecer, a maré ruim também começou.

A culpa é da Fran, da Alba e da Maria. Três gatinhas lindas. Fran e Maria são irmãs, de mãe e de farra. Alba é farrista solitária. Mas elas, de alguma forma, conseguiram chegar no quintal do vizinho - o que cria pássaros silvestres. Claro que o vizinho reclamou. Reclamou é pouco: ameaçou mesmo. Não diretamente, mas deu a entender que ele é um cara legal, porque poderia espalhar veneno pra elas comerem. Que é compreensivo, porque já foi a um advogado e sabe que poderia mover uma ação contra mim, mas não vai. Pelo menos por enquanto. Que eu tome então as providências necessárias pra prender minhas gatas em casa. Deu vontade de matar o cara? Pois...

Assim, vou empacotar minha casa. Cercar de tela todo e qualquer espaço por onde os gatos possam passar. Eu é que não me arrisco de soltar meus bichinhos para a sanha assassina desse aprisionador de pássaros que deveriam estar livres na natureza. E não me venham com discursos de que esses animais, se fossem livres, correriam risco de extinção. Maldade é prender um pássado preto só porque o canto dele é lindo. O cara falou que até pensou em se mudar. Tomara que ele faça isso. Se bem que, até lá, meus bichinhos estarão bem isolados dentro de casa. Mas seria uma bênção saber que não terei mais ao lado da minha casa uma família de chatos de carteirinha.

Fora isso, a vida segue. Mas continuo mantendo as barbas de molho.

Como já dizia o pediatra dos meus filhos...

setembro 01, 2005

A quinta começou na quarta à noite e, junto, teve início meu inferno astral. É mole ou quer mais? Ou, como diz uma amiga minha, dá pra tomar uma Kaiser antes? Não gosto de Kaiser, mas a idéia é essa.

E como quinta começou na quarta, não preguei o olho por boa parte da noite. Quando consegui dormir, quase dia, enterrei o plano de fazer supermercado. Não dá pra puxar dois carrinhos com as compras do mês morrendo de sono. Nesses casos, melhor mesmo é suspender tudo e chamar uma porção de fritas. Bom disso tudo é que hoje vou dormir que nem criancinha, pesada e tranqüilamente. Só não vou virar na cama como Caleu, porque costumo dormir quietinha - 'Parece morta!', reclama minha filha.

Sempre achei que essa coisa de inferno astral não é pra se levar a sério. É uma excelente desculpa para um monte de coisas, sem dúvida. Mas trinta dias seguidos sob o risco de acontecerem coisas ruins é um pouco demais. Ninguém pode ser tão azarado assim. Ninguém é tão azarado assim.

Mas como não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe, o final do inferno astral é o aniversário da gente. Festa, doces, presentes, carinhos, tudo de bom. Então, não fica tão ruim encarar um período adverso. É verdade que se fica um ano mais velha mas, a estas alturas do campeonato, um ano a mais é uma vitória e um marco. E é bom aproveitar, porque nunca se sabe do dia de amanhã, muito menos do ano que vem.

Junto com a quinta e o inferno astral, entrou setembro, o mês que considero mais bonito. Junto com as promessas de calor, geralmente mais bem cumpridas do que se tem necessidade, chegam as flores. E a vida fica linda, colorida, alegre.

Dá até pra acreditar que a felicidade existe - e eu tenho certeza de que ela existe.

agosto 29, 2005

Anos atrás (muitos) entrevistei o Pedro Bial, que tinha acabado de lançar um livro. Minha pauta era um perfil sobre aquele que, naquele momento, era um dos homens mais cobiçados do País. Sinceramente? Bonito ele é. Mas é chato. Ou se faz de, o que dá na mesmo. Mas uma coisa que ele me disse ficou grudado na minha cabeça. Falávamos sobre esportes e ele disse que em época de Olimpíada ele queria se transformar numa samambaia, daquelas que a gente pendura na sala, em frente à televisão. Pra só ficar vendo Olimpíada. Achei a comparação ótima e passei a usá-la.


Pois, nestas duas semanas eu queria virar samambaia e ficar pendurada na frente da televisão. Porque é período de US Open. Agora, por exemplo, joga um ninguém (o romeno Razvan Sabau) contra o Agassi. E eu só posso dar uma filadinha na TV de vez em quando, vendo os resultados pelo scoreboard do site oficial do torneio. Ainda bem que a transmissão começa ao meio-dia, todos os dias. Então, alguma coisa dá pra acompanhar de casa. Já printei a tabela do masculino, que é o que me interessa. E vamos anotando os resultados.

Mudando de assunto de pato a a elefante (a mudança é bem mais radical do que de pato a ganso) tem umas coisas muito estranhas minhocando na minha cabeça ultimamente. Não é um único pensamento, são várias coisas que vão se cruzando, igual aquelas conversas em que uma coisa puxa outra, que puxa outra, que vai pra outra. E a gente não conclui nenhuma delas.

A grande vantagem das cabeças viajantes é que elas pulam de Barcelona pra Nova York, de São Francisco para Recife num segundo. A desvantagem é que é mais fácil viajar por terras já conhecidas. Então, a variação não é tão grande como a gente gostaria. Bom, é verdade que nunca fui para a Grécia, mas freqüentemente que pego tomando um copinho de ouzo naquela praia onde Shirley Valentine, a do cinema, foi parar. Ali ela pede que uma mesa seja colocada de frente para o mar e fica olhando, fruindo o momento. E se sentindo livre. Não deve ser difícil se sentir livre num lugar como aquele... Aliás, o mar da Grécia já apareceu em trocentos filmes. Mas, pra mim, ele fica muito, muito especial em Shirley Valentine.

Mas as viagens que minha cabeça anda fazendo não tem nada a ver com lugares. Tem a ver com planos, projetos, presente, futuro. Nada tem a ver com a realidade. Mas ainda não me atrevo a chamar isso tudo de sonhos.

Por enquanto, são só vontades.

E não é que me vi de novo em Cadaqués?

agosto 23, 2005

Não lembro de isso já ter acontecido comigo. Mas hoje, agora, aconteceu. Escrevi um montão e, na hora de publicar, deu pau. Não foi. Acabou fondo. Pior é que nem lembro do que escrevi, o que mostra a importância da coisa...

Sumiu, foi. E se estivesse ali o texto ideal que uma editora procurasse? E se lá estivesse a garantia do meu futuro? E se alguém que descobrisse naquelas palavras a resposta para algum problema sério? Não estava, claro. Mas sumiu e eu fico muito brava quando isso acontece. Começo a achar que é alguma coisa pessoal, porque nunca ninguém me contou que teve problemas em publicar um blog e a coisa acontece comigo. Será que o blogger não gosta mais de mim?

Essa coisa de internet é mesmo muito maluca. O Flávio disse no blog dele que blog serve de terapia. É verdade. É terapia, é descoberta. Acho que é por isso que, apesar de ter um blog desde 2002, fiquei vários períodos sem escrever nada. Provavelmente - não lembro - eram períodos em que eu tinha me descoberto e não precisava procurar. Ou foi mesmo saco cheio, o que é mais provável...

Mas aquele deve estar em algum lugar no tal cyberespaço e isso me faz lembrar uma crônica do Matthew Shirts, que sumiu. Ele mandou a crônica pra cá e, quando viu, tinha sido publicada uma que já havia sido publicada um mês antes. A que ele achou que mandou, sumiu. Ele continua procurando até hoje... Diz meu chefe que na segunda vez é mais fácil - ele dizia isso quando a gente trabalhava na revista Imprensa e o sistema era louco pra dar sumiço nas coisas que a gente escrevia. Não servia muito de consolo, mas pelo menos não se perdia o bom humor. E a gente escrevia tudo de novo.

Não vou fazer isso. O que vai agora, se for, será diferente do que se perdeu. E sempre penso que as coisas acontecem por algum bom motivo. Quem sabe aquele não era pra ser publicado mesmo? Vai que, sem querer, ia pisar no calo de alguém? Acho que não, mas nunca se sabe...

Aquele já ficou velho...
Dando uma olhada nos posts anteriores, descobri (lembrei) que tenho esse blog desde 2002. Faz tempo, nossa!!! É verdade que passei algum tempo fora do ar, voltei, saí de novo... Mas tem coisas que escrevi que nem lembrava. Mas a proposta inicial era colocar alguma coisa da minha história e acrescentar alguns comentários sobre o mundo e a vida, sobre o momento, sobre tudo. Pretensão e água benta, cada um toma quanto quer - e eu achei que em algum momento haveria algum interesse de alguma pessoa sobre isso tudo. Bom, acho que meus filhos dão uma olhada nisso, de vez em quando... e eu me divirto, o que é mais importante.

Manhã de costura me fez lembrar de novo de minha mãe. Que era costureira - e das boas. Tinha uma infinidade enorme de freguesas, todas japonesas, japonesas mesmo, daquelas que não falam português. Quando ela ficou doente e parou de costurar, algumas ligavam pra ela de vez em quando pra saber como ela estava. E era um sufoco atender a esses telefonemas. Japonês nunca foi meu forte, nem meu fraco. Eu não sei mesmo...

Se bem que teve uma época na vida em que eu tinha de me virar no japonês. Era quando o meu avô era vivo - ele morreu quando eu tinha uns 12/13 anos. O velhinho - minha mãe era a cara dele - mal falava português. Então, o jeito era improvisar no japonês pra conversar com ele. Mas não falava muito, não. E ele mesmo evitava de falar muito com a gente, porque sabia que não ia rolar muita conversa. Uma pena, porque tenho certeza de que ele tinha um monte de histórias pra contar. Depois que ele morreu, só voltei a arranhar meu japonês quando estava em Paris e fui abordada por umas turistas japonesas dentro de um banco. Gelei, mas no fim deu certo. E até hoje me pergunto por que elas vieram falar comigo, se tinham outros orientais lá dentro...

Hoje em dia brinco de falar japonês com a Nair, que senta aqui do meu lado na redação. E, de vez em quando, com o Tom Morooka. Mas os dois falam muito mais do que eu e eu acabo respondendo em português mesmo. E me pego tendo uns lampejos de vontade de aprender mais. Idéia que abandono logo em seguida, porque não tenho mais paciência nem memória pra aprender mais nada. Este HD já lotou, não tem mais espaço pra colocar memória, o equipamento é um 386, já está muito antigo e não tem recuperação.

Como ainda dá pro gasto, vai ficando...

agosto 22, 2005

Semana começa com massagista logo cedo. Dolorido, mas bom. O lombo, pelo jeito, sarou. Ou quase, vamos esperar pra ver como rola a semana. Ainda tinha uns pontinhos pra mexer. Ele mexeu. Ai!!!!

Mas teve uma coisa muito boa: ganhei uma caixa de cookies sortidos da Kopenhagen. Delícia!!! Vou levar alguns pra casa - os outros, comi aqui aqui mesmo. Meu filho diz que estou ficando igual minha mãe, bem formigona. Ainda não estou igualzinha, mas, nesse ritmo, chego lá. E eu que quase não comia doces... Mas à noite, depois de comer alguma coisa em casa, bate uma necessidade de de doce. E saio eu pela casa atrás de alguma coisa com açúcar. Não precisa ser chocolate, não. Basta ser docinho. Não melado. Docinho. Hummmmm!!!

Minha mãe era assim. Chegou ao ponto de abrir lata de leite condensado porque não tinha mais nada doce na casa dela. Quando veio morar comigo, adorava ganhar docinhos. Em especial, as balas de goma da Brunela. "Pontan-amê", ela chamava. As balas são boas mesmo. Faz tempo que não como. Acho que vou atrás de uma Brunela qualquer hora pra matar saudades. Ainda existe a Brunela?

Eu tenho ciclos. Teve o período das pipoquinhas de canjica. E tinha de ser a Nhac, que a gente só encontra no Carrefour. À noite, na frente da televisão, eu dava cabo de quase um pacotão, sozinha. E os meninos tiravam altos sarros da minha cara. Mas a Nahc é mesmo irresistível. Aqui, o pessoal dá cabo de três pacotões, brincando. Mas tem muita gente comendo. "Pipoca de isopor", definem.

Outro doce que gosto é arroz doce. Dizia a vó Cecília que arroz doce é doce de homem. Que ela não conhecia nenhum homem que não gostasse. E, nesse campo, ela tinha algum conhecimento. Casou três vezes, enviuvou três vezes. E quase vai pela quarta vez. O velhinho que pediu a mão dela em casamento, lá em Jacareí, quando ela já estava com 80 e alguns, acabou morrendo dois meses depois do pedido. E ela, dando risada, comentava: "Já imaginou? Eu ia ficar viúva mais uma vez!"

Vó Cecília fazia sonhos divinos. E nunca ninguém conseguia fazer a receita dela. Mesmo porque não tinha receita. "Olha, põe o trigo, um pouco de fermento, mistura o leite e vai batendo. Põe os ovos e continua batendo. Eu ponho um pouco de erva doce pra dar um perfume..." Quantidade? Ela não tinha. Ia tudo no olho e na mão. Tentei uma vez, ficou duro. Tentei outra, a massa ficou tão mole que desmanchava na frigideira. Fiquei nos bolinhos de chuva que esses, pelo menos, davam certo...

E agora me veio à lembrança um doce que minha mãe improvisava quando eu era criança. Quando não tinha nenhum doce, ela inventava de fazer um negócio que ficava duro, com consistência daquelas bolachas italianas que quebram os dentes. Fazia com uma concha colocada direto no fogo. Se não me falha a memória, punha água, açúcar e uma pitada de bicarbonato. Aquilo endurecia rapidinho na concha e ela tirava batendo a concha na pia. Ficava redondinho, abaulado. E a gente comia. E gostava. Não consigo lembrar o gosto daquilo. Agora, na distância, não me parece que seja alguma coisa realmente gostosa...

Outra lembrança saborosa é o jatobá que, digo hoje com toda certeza, é fruta de criança. Só criança pra comer aquela coisa empoeirada e grudenta. Doce, sem dúvida. Mas disgusting... Eu lembro de ficar sentadinha num degrau que, suponho que fosse da minha casa, comendo e me lambuzando com aquilo e achando maravilhoso. Conferindo com outras pessoas, mais tarde, todos eram unânimes. Jatobá é bom. Mas só criança consegue comer.

No fumódromo, hoje, a conversa rolou em torno de doces, que a Valerinha disse ter comido de montão durante o final de semana. Acho que foi isso, mais a caixa de cookies, que despertou a larica.

Preciso fazer algum exercício pra queimar tanto açúcar...

agosto 21, 2005

Plantão de domingo costuma ser aborrecido pela absoluta falta do que fazer. Notícias de economia, num domingo à noite? Nem pensar... Amanhã, sim, é dia de um monte de coisas. Mas das 8 às 18h00. Depois disso, também é difícil. Mas amanhã é outro dia e a gente tem mais é que se preocupar com o hoje, que ainda está rolando.

No começo, foi de correria. Compromisso de fazer pães e mais almoço, porque o neto e a filha vinham almoçar. E quando a gente acorda tarde, tem de correr atrás do prejuízo. No fim deu certo. Todo mundo almoçou bem, os pães ficaram ótimos. A filha, não deu tempo. Tinha de gravar. Mas o genro fez as honras. "Vovó, mudei de idéia. Quero macarrão!" Antes, ele tinha dito que não queria. Nem tem três anos e já sabe que tem o direito de mudar de idéia... Espero que ele exerça muito esse direito ao longo da vida. Mudar de idéia é um direito muito especial, em qualquer fase da vida. Mostra que está aberto para o novo, que pode aprender mais, apreender mais. Mostra movimento - e quem fica parado é poste e carro sem gasolina...

E mudanças parecem estar vindo. Um filho começa a trabalhar num horário totalmente esdrúxulo. Para ele, será uma mudança que, espero, seja o prenúncio de outras, melhores. O outro, começa a desenvolver um projeto novo na vida que, torço, vai desaguar em alguma coisa prazeirosa. O movimento está aí. Vamos ver o que vem pela frente.

E o dia, que deveria ser de preguiça, acabou sendo de muito trabalho. Mas passou depressa. Como espero que os próximos dias passem: bem rápido, pra chegar logo o final de semana de descanso.

Na verdade, é um contra-senso: não sou eu quem reclama o tempo todo de que o tempo passa depressa demais?

agosto 18, 2005

Quinta-feira e tudo foi bem. Será que era só cisma minha?

Provavelmente era. Mas continuo mantendo as barbas de molho...

E já que abri um novo post, acrescento mais um na lista que estará nas minhas orações: Antonio Fagundes. Que também mostra predileção por moças mais novas, mas não custa tentar, né?
No livro que estou lendo agora - o segundo da trilogia In the Garden, da Nora Roberts - o foco está sobre Rosalind Harper, a proprietária de Harper's House e do In the Garden, loja de plantas e flores. Diferentemente das outras personagens de Nora Roberts, esta tem 47 anos, três filhos adultos e dois casamentos no currículo. Mas - claro - trata-se de uma mulher forte e bonita. E, claro, está prestes a encontrar o homem que vai acompanhá-la na velhice. Na verdade, já encontrou: é um pesquisador com pouco mais de 50, que, pela descrição, está bem próximo do Sean Connery. Por que não aparece um desses pra mim?

Mas Rosalind - 'call me Roz' - está num momento de bem com a vida. Os filhos criados, um deles morando bem perto dela, a casa com crianças, oa negócios indo bem. E ela se pega pensando na aparência dela, fazendo uma auto-análise na frente do espelho. E conclui: aquela moça que aparece nas fotografias não é ela. É verdade, ela constata, que daquela moça para esta mulher passaram-se 30 anos...

É verdade. Daquela moça cuja foto está na minha carteira de trabalho (a primeira, claro!) para esta mulher que aqui escreve, são quase 40 anos. E, devo reconhecer, não são a mesma pessoa. Aquela tinha sonhos, vaidades, certezas, desejos. Esta também, mas outros. Alguns sonhos daquela viraram realidade para esta; outros ficaram pelo caminho porque perderam importânica e significado; outros, foram esmagados por circunstâncias. Mas esta ainda sonha, sonhos que em algum momento podem perder importância e significado, podem ser esmagados e podem até virar realidade. Tomara!!!

Roz tem 3 filhos, todos homens. Eu também, mas levo vantagem: tenho minha filha. E embora eu não goste de me comparar com personagem de livro - não dá pra comparar a vida da gente com a vida dos livros! - também me peguei pensando em como estou agora e em como seria bom ter alguém com quem compartilhar a velhice.

Um dos sonhos esmagados no caminho foi o de ter um companheiro de velhice, aquele para quem bastava trocar um olhar pra saber o que o outro estava pensando, para saber que não estava sozinha. Alguém para dividir o dia-a-dia, se indignar, rir, chorar, ficar feliz junto. No meu cenário, tudo se encaminhava para isso. Mas era o meu cenário e, pelo jeito, só meu mesmo.

Depois de cinco anos sem pensar no assunto e nem considerar a possibilidade, agora acho que, se aparecesse alguém, não ia ser ruim. Ainda não está no ponto de sair correndo atrás - nem há alguém pra se correr atrás.

Minha dúvida é se isso ainda é possível. E como gato escaldado tem medo de água fria (aliás, nem precisa ser escaldado, gato tem medo de água e pronto), acho que vou deixar tudo como está e entregar o futuro pra Deus. Mas não vai custar nada acrescentar nas minhas orações um pedido especial por uma versão do Sean Connery, só pra mim. Pode ser do Harrison Ford, mas este já mostrou que gosta mesmo das meninas mais novas. Ou, na linha contrária, um Gianechini também não cairia mal, mas acho que não tenho vocação pra comedora de criancinhas...

Bom, quem viver, verá...

agosto 16, 2005

Intervalo de edições - fechamos a Brasil, estamos com a SP engatilhada - é hora de escrever. Quer dizer, nem sempre. Às vezes, escrevo depois de fechadas as duas edições. Às vezes não escrevo. E hoje era um bom dia pra não escrever nada. Não tem assunto. Nada me inspirou.

E agora avisam que, como não muda nada pra SP, vamos ajudar a Política. Não gosto de política. E neste momento, então, quero mais é fugir dela. E, se a gente tivesse gente decente no poder, a política nem seria notícia. O que seria o correto. Mas quem mandou votar errado?

Na verdade, nem sei se foi errado mesmo. Não votei no senhor que está no poder, não votei no partido que se autointitulava bastião da moral e da ética e que agora está dando com os burros, os costados e se afogando em águas fedorentas. Mas fico pensando nas pessoas que votaram e que acreditavam que estavam escolhendo o caminho da moralização. O que será que se passa na cabeça delas?

Uma amiga petista disse que está cansada de ler "essas coisas que andam publicando". Exaltada, disse que "até parece que isso nunca aconteceu no país". Concordo. Tudo isso é mais velho do que a república e devia rolar até mesmo no tempo do império. Mas ninguém, em nenhum momento até agora, se declarou a pessoa que iria moralizar o governo. Estes foram os primeiros. E deu no que deu. Então, essa amiga petista está, na verdade, na fase da negação. Daqui a pouco ela vai descobrir que toda a campanha que ela fez era por uma coisa que não existia.

Qualquer cristão que lida com gente sabe que quanto mais pessoas você reúne, menos controle você tem sobre elas. Por isso, nenhum partido pode por a mão no fogo por ninguém que pertença aos seus quadros. Por isso, tolinhos e ingênuos os que acreditavam que só honestos estavam no PT... Ingênua e tolinha é minha amiga, que sabe-se lá até quando vai negar que o buraco era bem mais em baixo. Se a conheço, vai morrer fazendo questão de ignorar a sujeira sob o tapete.

E, ao que tudo indica, é lá mesmo que a sujeira vai ficar: sob o tapete. Não acredito em devassa, em processos e investigações a fundo. Todo mundo está envolvido, uns mais, outros menos, mas todos estão. Não vai sobrar nada pra contar a história e isso não pode acontecer em nenhum governo. Melhor, mais sábio, é deixar como está.

O povo pode espernear quanto quiser, desconfiar de quem for. Fica tudo como está, garanto. Mesmo que sejam trocados os nomes de todos os políticos eleitos daqui pra frente. Renovação geral pode ser uma solução, só acho que não há nomes suficientes para todos os cargos. Nomes íntegros, confiáveis. Quem é íntegro, confiável, não se mete numa enrascada dessas. E, se por acaso entra na enrascada, sai rapidinho porque não tem estômago pra segurar tanta sujeira.

Conheço um que fez isso. Mas não vai denunciar nada. Não adianta e ainda vai ser taxado de mentiroso. Se bobear, vão dizer que está contando isso tudo porque não lhe ofereceram o que esperava. Poucos o levariam a sério.

Diante disso, se fosse outro partido, ninguém daria muita bola. Mas... quem mandou posar de bonzinho?

agosto 15, 2005

Pois é, voltei. Um dia, a folga acaba. E é assim mesmo, a gente tem de voltar. Chato, mas normal.

Não doeu, pelo menos não muito. Dor física foi maior no massagista. A dor da volta não dói no físico, dói na alma. Pelo menos pra quem, como eu, não tem muito mais a dar por aqui. Mas, em compensação, ninguém pede mais do que já é dado. É justo.

Pelo menos a cabeça está em paz. E isso é muito. E está de bom tamanho.

Por outro lado, foi legal. Rever as pessoas, ter notícias dos outros, saber o que está se passando por aí. Não vai demorar muito pra rotina se instalar. Amanhã, com certeza.

É bom saber que as pessoas sentiram falta, guardaram coisas para minha volta. É bom saber que vieram perguntar, saber detalhes. O que ninguém sabe, acho, é que o saco estava estourando e que era preciso um break pra recompor as energias, que estavam todas tortas, fora de lugar.

Voltei ao compasso de espera, medido por períodos que vão da tarde para a noite, todos os dias, com folgas aos sábados e domingos. E, às vezes, com sábados e domingos. Mas isso faz parte do jogo. Que temos de continuar jogando.

Notícia triste pra mim é a saída de um amigo. Pra ele, não. Com certeza foi melhor sair. Pra ele, a vida ainda tem muita coisa reservada e ficar aqui seria fugir dessas coisas todas. Pra mim, que fico, vai ser uma ausência. E, tenho certeza, outros vão atrás. Outra regra da vida: a renovação acontece, com a gente e apesar da gente.