São, no total, 5.460 círculos, divididos em placas quadradas. Em cada quadrado lateral (são cinco de cada lado), 336 círculos; nos centrais, 420. Contar levou o tempo de um cigarro. É isso que a gente vê quando olha pra baixo no terraço que serve de fumódromo. E isso tudo está no teto do quarto andar. Será que alguém contou isso antes ou eu fui a primeira? Bom, tem louco pra tudo nesse mundo...
Fiquei um tempão sem postar nada porque percebi que o blog estava virando muro de lamentação. Também é, mas não é só isso. Se é pra reclamar da vida, não vale a pena. Melhor procurar outra forma de desabafo e não encher o saco de quem resolve ler o que a gente escreve.
Bom mesmo é caminhar no Parque da Água Branca, no Revelando São Paulo. Tem muita coisa bonita, que enche os olhos e incentiva a criatividade. E tem muita comida gostosa, que faz o estômago roncar alto mesmo sem ter fome. Cansa, é verdade. Mas à noite a gente consegue dormir gostoso, gostoso, ainda mais depois de jantar uma bela pizza com os filhos e as noras...
E outra coisa boa é passar uma tarde no papo furado com a filha, trocando confidências, fazendo fofoca e distraindo o neto.
A vida deveria ser feita só de finais de semana...
E o que é melhor é que tem outro vindo aí...
setembro 14, 2006
setembro 06, 2006
Nascem mais ervas no chão
Do que flores no meu jardim
Regadas pela solidão
Que só tu plantaste em mim
Caem as folhas no Verão
Recobrem o teu roseiral
Não encontro explicação
para este outono anormal
Deito as sementes à terra
Espero que cresçam enfim
Como cresceu o amor
Que já tiveste por mim
Mas passam-se luas e luas
Passa a chuva o sol e o vento
E só nasce um pensamento
Sem cor, só de um tom cinzento
Pergunto-me se alguém
Sentiu tamanha tristeza
Que até baralha também
As forças da natureza
Não, não é o que eu sinto, mas acho tão bonito que quis registrar. A música é do Madredeus, do disco Faluas do Tejo. Nem sempre curto as músicas do Madredeus, acho que às vezes eles extrapolam na melancolia e acaba virando tristeza mesmo. E os portugueses podem não ser exuberantes, mas certamente não são tristes. Mas este disco está muito lindo e particularmente esta música (No Meu Jardim – Sementes à Terra) mexe comigo. Vai ver que é porque junta jardim, amor, solidão...
Nos últimos dias, por força de uma série de circunstâncias, tenho exercitado a solidão, coisa que raramente fiz na vida. Lembro de momentos em que tudo o que eu queria era ficar quieta, sozinha. Nem sempre conseguia e os poucos momentos sempre foram valorizados. Pra mim, é importante ter um momento de solidão. Não a solidão aquela triste, solitária, desesperançada. Mas a solidão de quietude, introspecção, de fazer companhia a si mesma. Não é nem pra analisar o momento, colocar tudo em ordem.
A solidão que eu experimento agora não era desejada, mas é bem-vinda. Posso até reclamar dela, mas – garanto – faz mais bem do que mal. Sei que não estou só, embora não tenha
nenhum humano comigo (os gatos, estão todos por perto).
A alegria nem sempre precisa de companhia....
Do que flores no meu jardim
Regadas pela solidão
Que só tu plantaste em mim
Caem as folhas no Verão
Recobrem o teu roseiral
Não encontro explicação
para este outono anormal
Deito as sementes à terra
Espero que cresçam enfim
Como cresceu o amor
Que já tiveste por mim
Mas passam-se luas e luas
Passa a chuva o sol e o vento
E só nasce um pensamento
Sem cor, só de um tom cinzento
Pergunto-me se alguém
Sentiu tamanha tristeza
Que até baralha também
As forças da natureza
Não, não é o que eu sinto, mas acho tão bonito que quis registrar. A música é do Madredeus, do disco Faluas do Tejo. Nem sempre curto as músicas do Madredeus, acho que às vezes eles extrapolam na melancolia e acaba virando tristeza mesmo. E os portugueses podem não ser exuberantes, mas certamente não são tristes. Mas este disco está muito lindo e particularmente esta música (No Meu Jardim – Sementes à Terra) mexe comigo. Vai ver que é porque junta jardim, amor, solidão...
Nos últimos dias, por força de uma série de circunstâncias, tenho exercitado a solidão, coisa que raramente fiz na vida. Lembro de momentos em que tudo o que eu queria era ficar quieta, sozinha. Nem sempre conseguia e os poucos momentos sempre foram valorizados. Pra mim, é importante ter um momento de solidão. Não a solidão aquela triste, solitária, desesperançada. Mas a solidão de quietude, introspecção, de fazer companhia a si mesma. Não é nem pra analisar o momento, colocar tudo em ordem.
A solidão que eu experimento agora não era desejada, mas é bem-vinda. Posso até reclamar dela, mas – garanto – faz mais bem do que mal. Sei que não estou só, embora não tenha
nenhum humano comigo (os gatos, estão todos por perto).
A alegria nem sempre precisa de companhia....
setembro 03, 2006
Então, é assim: dia de sol fraquinho, mas claro. Dizem que vem por aí uma massa de ar polar que vai baixar as temperaturas – mas claro que isso será no final da tarde, quando eu estiver saindo do meu “castigo”. Trabalhar no final de semana, ninguém merece. Mas eu acho que joguei pedra na cruz e bati na mãe em encarnações passadas. Não consigo me livrar disso.
Tá, aqui é mais espaçado, é um a cada sete – o próximo já está marcado, será em 21 e 22 de outubro. Será que ainda estarei por aqui? Sei não. Meu contrato é temporário, até acabarem as eleições. E como o cara que estou substituindo foi dar assessoria pro Alckmin, desconfio que meu emprego acaba na primeira semana de outubro. Claro que torço pra que não, não pelo emprego, mas pelo Alckmin. Vamos esperar pra ver, de qualquer forma. Pode ser até que surja alguma coisa que me tire daqui antes mesmo das eleições (toc, toc, toc, pé de pato mangalô três vezes!)...
Aí é assim: a gente chega às 10h00 e vai embora às 18h00. E fica sozinho praticamente o dia inteiro, atendendo um ou outro telefonema de algum repórter que acha que tem notícia no final de semana. Sábado ainda dá pra sair, almoçar em algum lugar. Domingo, sem chance. Restaurante no Centro não abre aos domingos. Ninguém vem ao Centro comer no domingo. Ninguém faz compras no Centro aos domingos: o Shopping Light nem abre, assim como as lojas da 25 de Março. O Centro só funciona de segunda a sexta. No mais, está morto.
Meu treino de solidão está cada vez mais intenso...
Tá, aqui é mais espaçado, é um a cada sete – o próximo já está marcado, será em 21 e 22 de outubro. Será que ainda estarei por aqui? Sei não. Meu contrato é temporário, até acabarem as eleições. E como o cara que estou substituindo foi dar assessoria pro Alckmin, desconfio que meu emprego acaba na primeira semana de outubro. Claro que torço pra que não, não pelo emprego, mas pelo Alckmin. Vamos esperar pra ver, de qualquer forma. Pode ser até que surja alguma coisa que me tire daqui antes mesmo das eleições (toc, toc, toc, pé de pato mangalô três vezes!)...
Aí é assim: a gente chega às 10h00 e vai embora às 18h00. E fica sozinho praticamente o dia inteiro, atendendo um ou outro telefonema de algum repórter que acha que tem notícia no final de semana. Sábado ainda dá pra sair, almoçar em algum lugar. Domingo, sem chance. Restaurante no Centro não abre aos domingos. Ninguém vem ao Centro comer no domingo. Ninguém faz compras no Centro aos domingos: o Shopping Light nem abre, assim como as lojas da 25 de Março. O Centro só funciona de segunda a sexta. No mais, está morto.
Meu treino de solidão está cada vez mais intenso...
agosto 29, 2006
O prédio é quadrado. Imagine um quadrado imenso com um buraco quadrado no meio. Coloque isso em 3D e terá uma visão bem próxima do que é o prédio. Funcional, sim. Muito bom para escritórios – para moradias, não consegui chegar a uma conclusão de como seria a divisão interna.
A ficha técnica no site sampa.art diz que o Edifício Matarazzo tem 16 andares e quase 28 mil metros de área construída. “Encomendada pelo conde Matarazzo ao arquiteto italiano Marello Piacentini em 1938, o prédio é um exemplo significativo da influência que a ideologia fascista exerceu na arquitetura. Linhas sóbrias, altos pilares e uma grande massa quadrangular, lembrando um pouco construções medievais”, diz o site. As janelas, amplas, se abrem para o Viaduto do Chá e para o Anhangabaú. Na parte interna, balcões se abrem para o quadrado interno. Daqui do 6.º andar, o piso parece bem próximo: é que só tem balcões do 4.º ao 10.º andar. O 4.º andar é fechado nessa parte interna. Do 10.º pra cima, só janelas.
Daqui de baixo a gente vê alguma coisa do tal jardim suspenso que existe no último andar, com árvores frutíferas, plantas ornamentais e um pequeno lago com carpas. Pelo que me contaram, se a porta estiver aberta, a gente pode entrar e visitar. Mas isso é raro. Visitação pública deixou de ter há alguns anos. E, pelo que parece, ali pousa o helicóptero do prefeito quando ele vai pra algum canto dessa cidade. O barulho é infernal aqui em baixo, imagino como será para quem trabalha mais pra cima...
Mas o que deixa um tanto furiosa é essa mania de o povo daqui manter as persianas cerradas, tampando o mundo lá fora. Quando está sol, tudo bem, a luz reflete no monitor e não dá pra enxergar o que se está fazendo. Mas hoje está cinzento, chuvoso. E mesmo quando tem sol, no final da tarde acaba a luz, dá pra subir as persianas. Mas as persianas ficam baixadas, como se ver o mundo lá fora fosse uma coisa proibida. Assim, sinais do mundo exterior só aparecem em algumas folhinhas secas que o vento empurra para os terraços, onde se fuma. E, mesmo assim, quando a gente consegue ver antes da faxineira...
Odeio janelas fechadas!!!
A ficha técnica no site sampa.art diz que o Edifício Matarazzo tem 16 andares e quase 28 mil metros de área construída. “Encomendada pelo conde Matarazzo ao arquiteto italiano Marello Piacentini em 1938, o prédio é um exemplo significativo da influência que a ideologia fascista exerceu na arquitetura. Linhas sóbrias, altos pilares e uma grande massa quadrangular, lembrando um pouco construções medievais”, diz o site. As janelas, amplas, se abrem para o Viaduto do Chá e para o Anhangabaú. Na parte interna, balcões se abrem para o quadrado interno. Daqui do 6.º andar, o piso parece bem próximo: é que só tem balcões do 4.º ao 10.º andar. O 4.º andar é fechado nessa parte interna. Do 10.º pra cima, só janelas.
Daqui de baixo a gente vê alguma coisa do tal jardim suspenso que existe no último andar, com árvores frutíferas, plantas ornamentais e um pequeno lago com carpas. Pelo que me contaram, se a porta estiver aberta, a gente pode entrar e visitar. Mas isso é raro. Visitação pública deixou de ter há alguns anos. E, pelo que parece, ali pousa o helicóptero do prefeito quando ele vai pra algum canto dessa cidade. O barulho é infernal aqui em baixo, imagino como será para quem trabalha mais pra cima...
Mas o que deixa um tanto furiosa é essa mania de o povo daqui manter as persianas cerradas, tampando o mundo lá fora. Quando está sol, tudo bem, a luz reflete no monitor e não dá pra enxergar o que se está fazendo. Mas hoje está cinzento, chuvoso. E mesmo quando tem sol, no final da tarde acaba a luz, dá pra subir as persianas. Mas as persianas ficam baixadas, como se ver o mundo lá fora fosse uma coisa proibida. Assim, sinais do mundo exterior só aparecem em algumas folhinhas secas que o vento empurra para os terraços, onde se fuma. E, mesmo assim, quando a gente consegue ver antes da faxineira...
Odeio janelas fechadas!!!
Pique, quando chegou em casa, não era Pique. Havia uma dúvida entre Corina e Tiana – branca e preta que era, tinha de ter um nome que lembrasse o Timão.Uma colega no trabalho soube que minha gata (a Tila) tinha caído no mundo na Serra da Cantareira. Contou que havia aparecido uma pequenina no quintal dela, sabe-se lá de onde. Perguntou se eu a queria. Foi mais ou menos como perguntar se macaco quer banana. E lá fomos, Guille e eu, buscar a bichinha.
Já era final de ano e, poucos dias depois de a gatinha chegar em casa, os meninos foram para um acampamento de férias, ainda sem se definir entre Corina ou Tiana. Sozinha em casa com a bichinha, comecei a chamá-la de Pequenina – daí pra Pique foi só uma questão de preguiça. Quando os meninos voltaram, duas semanas depois, ela já era Pique. E assim ficou.
Tinha cara de brava – pelo menos é o que todos diziam. Tinha gente até que dizia ter medo dela. Bobagem. Como uma gatinha pode meter medo em alguém? Mas, como sempre digo, medo é uma coisa subjetiva. Cada um tem o seu e é bom o outro respeitar. Então, pra essas pessoas, Pique tinha cara de brava. Também não vou dizer que não era brava – alguns gatos da casa sentiram isso na pele, com toda a força das unhas dela. Aliás, eu também, quando inventei de levar o Fuji lá pra casa, achando que eles iam se dar bem. Eu é que me dei muito mal: fiquei com o braço marcado por arranhões por um bom tempo porque tentei apartar a briga...
Na verdade, acho que o problema não foi o Fuji (um amarelão mais pra ruivo, grande e lindo), mas a época. Pique não estava no cio – e isso era fundamental pra ela aceitar um macho novo em casa. Quando acertamos a época e o macho, foi a vez um persa preto com queixinho branco, de um casal amigo. Pique foi pra casa deles, passou uma noite e voltou pra casa sem termos a certeza de que tinha cruzado. Tinha. A cria foi uma só: a Nina.
Já nessa época tinha outra gatinha dando sopa pela casa: a Miga. Que era pra ser Mirela, por ser amarela, mas acabou sendo Miga, de amiga. Essa não lembro de onde veio. Só sei que veio e ficou. Era da Ma, mas ficava com todo mundo. Até a hora em que meteu a cabeça no quarto do Guille numa época em que a Pique tinha dado cria. Ela paria dentro do guarda-roupa dele e lá ficava por mais de uma semana, sem sair pra comer ou fazer xixi. Não sei o que houve, mas a Pique saiu de dentro do guarda-roupa feito vaca brava e deu uma corrida monumental atrás da Miga. Daí pra frente, a pobre da Miga não podia mais cruzar o caminho da Pique – se isso acontecesse, era briga na certa. E briga feia.
Chegou uma hora que a Miga teve de ir embora. Mas isso eu conto outra hora....
Já era final de ano e, poucos dias depois de a gatinha chegar em casa, os meninos foram para um acampamento de férias, ainda sem se definir entre Corina ou Tiana. Sozinha em casa com a bichinha, comecei a chamá-la de Pequenina – daí pra Pique foi só uma questão de preguiça. Quando os meninos voltaram, duas semanas depois, ela já era Pique. E assim ficou.
Tinha cara de brava – pelo menos é o que todos diziam. Tinha gente até que dizia ter medo dela. Bobagem. Como uma gatinha pode meter medo em alguém? Mas, como sempre digo, medo é uma coisa subjetiva. Cada um tem o seu e é bom o outro respeitar. Então, pra essas pessoas, Pique tinha cara de brava. Também não vou dizer que não era brava – alguns gatos da casa sentiram isso na pele, com toda a força das unhas dela. Aliás, eu também, quando inventei de levar o Fuji lá pra casa, achando que eles iam se dar bem. Eu é que me dei muito mal: fiquei com o braço marcado por arranhões por um bom tempo porque tentei apartar a briga...
Na verdade, acho que o problema não foi o Fuji (um amarelão mais pra ruivo, grande e lindo), mas a época. Pique não estava no cio – e isso era fundamental pra ela aceitar um macho novo em casa. Quando acertamos a época e o macho, foi a vez um persa preto com queixinho branco, de um casal amigo. Pique foi pra casa deles, passou uma noite e voltou pra casa sem termos a certeza de que tinha cruzado. Tinha. A cria foi uma só: a Nina.
Já nessa época tinha outra gatinha dando sopa pela casa: a Miga. Que era pra ser Mirela, por ser amarela, mas acabou sendo Miga, de amiga. Essa não lembro de onde veio. Só sei que veio e ficou. Era da Ma, mas ficava com todo mundo. Até a hora em que meteu a cabeça no quarto do Guille numa época em que a Pique tinha dado cria. Ela paria dentro do guarda-roupa dele e lá ficava por mais de uma semana, sem sair pra comer ou fazer xixi. Não sei o que houve, mas a Pique saiu de dentro do guarda-roupa feito vaca brava e deu uma corrida monumental atrás da Miga. Daí pra frente, a pobre da Miga não podia mais cruzar o caminho da Pique – se isso acontecesse, era briga na certa. E briga feia.
Chegou uma hora que a Miga teve de ir embora. Mas isso eu conto outra hora....
agosto 28, 2006
O hominho subiu no ônibus bufando. Aparentava ser jovem, embora uma calvície insidiosa lhe desse um ar mais velho. Terno preto, camisa branca, gravata perfeitamente ajustada e uma maleta a tiracolo, daquelas de carregar laptop. Subiu bufando mesmo – e nem estava tão quente assim, embora fosse meio dia e pouco e, portanto, com o sol firme lá no alto.
Nem bem vagou um lugar, ele correu pra sentar. Era o lugar reservado, aquele de encosto amarelo, mas tudo bem, não havia ninguém mais em pé. O lugar podia ser ocupado, sem problemas. Sentou e suspirou. Alívio? Sim, mas também calor. A mão correu para o pescoço pra soltar a gravata, que foi tirada assim, sem cuidado. O colarinho da camisa ficou dobrado para o alto, mas ele nem ligou. Eu liguei: aquele colarinho dobrado para cima me incomodou o caminho todo.
Retirada a gravata – ele a dobrou com cuidado e guardou na maleta -, aberto o botão de cima da camisa, mais um suspiro. Este sim, de alívio mesmo. Mas era pouco. Não demorou e quem saiu foi o paletó. Que também foi dobrado com cuidado e guardado na maleta. Aí, era só dobrar as mangas da camisa pra ficar refrescado.
Pensei (maldosamente) que, nesse ritmo, se ele não descesse logo, ia acabar sem roupa dentro do ônibus. Mas ele parou por aí e desceu no mesmo ponto que eu. Deve ter notado que eu o espiava, porque, quando atravessava a rua, me encarou, sério. O perdi de vista numa esquina da Xavier de Toledo – ainda com o colarinho dobrado pra cima, me incomodando.
Meu lado Monk é mais forte do que eu imaginava...
Nem bem vagou um lugar, ele correu pra sentar. Era o lugar reservado, aquele de encosto amarelo, mas tudo bem, não havia ninguém mais em pé. O lugar podia ser ocupado, sem problemas. Sentou e suspirou. Alívio? Sim, mas também calor. A mão correu para o pescoço pra soltar a gravata, que foi tirada assim, sem cuidado. O colarinho da camisa ficou dobrado para o alto, mas ele nem ligou. Eu liguei: aquele colarinho dobrado para cima me incomodou o caminho todo.
Retirada a gravata – ele a dobrou com cuidado e guardou na maleta -, aberto o botão de cima da camisa, mais um suspiro. Este sim, de alívio mesmo. Mas era pouco. Não demorou e quem saiu foi o paletó. Que também foi dobrado com cuidado e guardado na maleta. Aí, era só dobrar as mangas da camisa pra ficar refrescado.
Pensei (maldosamente) que, nesse ritmo, se ele não descesse logo, ia acabar sem roupa dentro do ônibus. Mas ele parou por aí e desceu no mesmo ponto que eu. Deve ter notado que eu o espiava, porque, quando atravessava a rua, me encarou, sério. O perdi de vista numa esquina da Xavier de Toledo – ainda com o colarinho dobrado pra cima, me incomodando.
Meu lado Monk é mais forte do que eu imaginava...
agosto 23, 2006
Dizia minha mãe, quando eu era menina, que as sardas na minha cara tinham aparecido depois que eu peguei um gato sarnento no colo. Claro, peguei a doença. Depois do tratamento, curada, fiquei com a cara pintadinha, como se tivessem espalhado canela. E quando tomo sol, piora. Não sei se é verdade, se existe alguma relação entre a sarna e as sardas. Mas elas estão aí desde que me conheço por gente...
Com isso, fica clara também minha paixão pelos gatos. Não lembro do tal gato sarnento, nem sei de quem era ou de onde apareceu. Não lembro de minha mãe tê-lo descrito alguma vez. Mas quando comecei a ter gatos em casa, ela logo lembrou da história.
Na verdade, o primeiro da lista que me lembro foi um pretinho que peguei de uma senhora, lá na Vila Carrão, quando ainda era solteira. Nem consultei meus pais. Peguei o bichinho e levei para casa. Minha mãe esperneou, meu pai deu risada, e o bichinho ficou. Era o Michi, um preto que ficou enorme e adorava dormir em cima do muro durante o dia e em cima de mim à noite. Depois de algum tempo, sumiu. Dizia minha mãe que quando gato sente que a morte está próxima, ele foge de casa pra morrer longe. Acho que ela inventou isso pra eu não ficar sentida. Esse gato, aliás, tem uma história das mais curiosas: logo que chegou em casa fez amizade com a cadelinha que minha mãe tinha, uma viralatinha miúda e espevitada. E não demorou para começar a mamar na cachorrinha. O mais incrível é que a cadela, que nunca tinha cruzado na vida, começou a ter leite – e isso foi comprovado por minha mãe, que um dia não agüentou de curiosidade e foi apertar a tetinha da bichinha pra ver se tinha alguma coisa. Tinha. E o espanto foi geral.
Do tempo de solteira, parei no Michi. Só retomei as gatices depois de casada, com o Tiziu, outro preto que nem lembro mais de onde veio. Marcinha era pequena, Guille começava a andar – e se dedicava a puxar o gato pelo rabo, levando da cozinha para a sala e vice-versa, sem nenhum protesto do bicho. Quando mudamos para o apartamento, Tiziu foi para Mogi. Lá viveu um tempão, sempre saindo para as farras noturnas e voltando meio estropiado para casa, para os cuidados de dona Geralda.
No apartamento, a Tila (era Maria Domitila), uma tricolor linda e carinhosa, abriu caminho para uma pletora de gatos. Tila sumiu na Serra da Cantareira. Decidimos que era hora de ela cruzar, então a levamos para a casa de uma amiga, que tinha um preto lindo. Sumiram os dois, mas minha amiga acredita ter visto a Tila algum tempo depois, acompanhada de uma ninhada de gatos, perto de um matagal. Ficamos um tempo chorando a ausência da Tila, mas a Pique veio por fim à tristeza.
Mas essa é outra história, para outra hora...
Com isso, fica clara também minha paixão pelos gatos. Não lembro do tal gato sarnento, nem sei de quem era ou de onde apareceu. Não lembro de minha mãe tê-lo descrito alguma vez. Mas quando comecei a ter gatos em casa, ela logo lembrou da história.
Na verdade, o primeiro da lista que me lembro foi um pretinho que peguei de uma senhora, lá na Vila Carrão, quando ainda era solteira. Nem consultei meus pais. Peguei o bichinho e levei para casa. Minha mãe esperneou, meu pai deu risada, e o bichinho ficou. Era o Michi, um preto que ficou enorme e adorava dormir em cima do muro durante o dia e em cima de mim à noite. Depois de algum tempo, sumiu. Dizia minha mãe que quando gato sente que a morte está próxima, ele foge de casa pra morrer longe. Acho que ela inventou isso pra eu não ficar sentida. Esse gato, aliás, tem uma história das mais curiosas: logo que chegou em casa fez amizade com a cadelinha que minha mãe tinha, uma viralatinha miúda e espevitada. E não demorou para começar a mamar na cachorrinha. O mais incrível é que a cadela, que nunca tinha cruzado na vida, começou a ter leite – e isso foi comprovado por minha mãe, que um dia não agüentou de curiosidade e foi apertar a tetinha da bichinha pra ver se tinha alguma coisa. Tinha. E o espanto foi geral.
Do tempo de solteira, parei no Michi. Só retomei as gatices depois de casada, com o Tiziu, outro preto que nem lembro mais de onde veio. Marcinha era pequena, Guille começava a andar – e se dedicava a puxar o gato pelo rabo, levando da cozinha para a sala e vice-versa, sem nenhum protesto do bicho. Quando mudamos para o apartamento, Tiziu foi para Mogi. Lá viveu um tempão, sempre saindo para as farras noturnas e voltando meio estropiado para casa, para os cuidados de dona Geralda.
No apartamento, a Tila (era Maria Domitila), uma tricolor linda e carinhosa, abriu caminho para uma pletora de gatos. Tila sumiu na Serra da Cantareira. Decidimos que era hora de ela cruzar, então a levamos para a casa de uma amiga, que tinha um preto lindo. Sumiram os dois, mas minha amiga acredita ter visto a Tila algum tempo depois, acompanhada de uma ninhada de gatos, perto de um matagal. Ficamos um tempo chorando a ausência da Tila, mas a Pique veio por fim à tristeza.
Mas essa é outra história, para outra hora...
agosto 22, 2006
Acho que o cara que disse que dinheiro não traz felicidade na verdade estava querendo dizer que dinheiro e felicidade não andam juntos necessariamente. O que se faz para ganhar dinheiro não garante felicidade. A felicidade vem de outras formas – e raramente enche os bolsos ou engorda a conta no banco.
Fiquei pensando nisso no ônibus, depois que alguém me perguntou, em casa, se eu gostava do que estava fazendo. Nem pensei. Respondi não no ato. Não gosto, mesmo. Ainda mais porque me dá a sensação de estar num lugar só para compor quadros. Não há trabalho pra duas pessoas aqui – e este trabalho envolve três pessoas. Bom, se eles querem pagar, alguém tem de receber. No caso, sou eu. Mas que dá a sensação de estar lesando o contribuinte, isso dá. Culpa da maldita consciência profissional, aquela que sempre cobra e em cuja fila acho que entrei duas vezes – porque sei que tem gente que passou direto...
Felicidade, pra mim, tem relação direta com paz, tranqüilidade, sossego. Com poder fazer coisas bonitas, ver ou ler bobagens. Com ver flores desabrochando no meu jardim e acompanhar o desenvolvimento desta ou daquela plantinha.
A Penélope de Os Catadores de Conchas é o meu ideal de felicidade. Como ela, tento bravamente viver minha vida e deixar meus filhos viverem as deles. Nem sempre consigo, quase sempre acabo enfiando a colher torta, mas – juro! – eu tento. Como ela, quero poder se bastar, adorar a própria companhia e, de vez em quando, usufruir de uma conversa jogada fora com alguma pessoa legal. Um boteco, um cineminha... Se der, um teatro, um show, um jantar num restaurante. Penélope não tinha gatos, mas acho que é porque Rosamunde Pilcher, a autora do livro, também não é muito chegada a animais - nunca apareceu um nos livros que li dela.
Na verdade, a minha felicidade depende de patrocínio...
Fiquei pensando nisso no ônibus, depois que alguém me perguntou, em casa, se eu gostava do que estava fazendo. Nem pensei. Respondi não no ato. Não gosto, mesmo. Ainda mais porque me dá a sensação de estar num lugar só para compor quadros. Não há trabalho pra duas pessoas aqui – e este trabalho envolve três pessoas. Bom, se eles querem pagar, alguém tem de receber. No caso, sou eu. Mas que dá a sensação de estar lesando o contribuinte, isso dá. Culpa da maldita consciência profissional, aquela que sempre cobra e em cuja fila acho que entrei duas vezes – porque sei que tem gente que passou direto...
Felicidade, pra mim, tem relação direta com paz, tranqüilidade, sossego. Com poder fazer coisas bonitas, ver ou ler bobagens. Com ver flores desabrochando no meu jardim e acompanhar o desenvolvimento desta ou daquela plantinha.
A Penélope de Os Catadores de Conchas é o meu ideal de felicidade. Como ela, tento bravamente viver minha vida e deixar meus filhos viverem as deles. Nem sempre consigo, quase sempre acabo enfiando a colher torta, mas – juro! – eu tento. Como ela, quero poder se bastar, adorar a própria companhia e, de vez em quando, usufruir de uma conversa jogada fora com alguma pessoa legal. Um boteco, um cineminha... Se der, um teatro, um show, um jantar num restaurante. Penélope não tinha gatos, mas acho que é porque Rosamunde Pilcher, a autora do livro, também não é muito chegada a animais - nunca apareceu um nos livros que li dela.
Na verdade, a minha felicidade depende de patrocínio...
agosto 16, 2006
“A gente faz hora, faz fila na vila do meio dia pra ver Maria”. Não tem nada a ver com a Flor da Idade do Chico, mas a gente faz hora não pro meio-dia, mas para a uma da tarde, quando o povo sai pra almoçar. E aí faz fila, não pra ver Maria, mas para comer (comida, não a Maria).
E como reclamar é exercício diário pra um monte de gente, ouve-se muita reclamação. É tudo muito: trabalho, calor, gente. Verdade verdadeira? O calor é muito, sim, mas só na rua, onde também tem muita gente. Trabalho, não. Mas acho que eu é que sou mal-acostumada com as coisas.
Tudo o que é novo surpreende. No meu caso, estou me acostumando devagar à nova rotina, obrigações, responsabilidades. Fase de adaptação: apara aqui, aumenta lá, ajusta um pouco. E vamos que vamos.
Reconheço: é bem divertido...
E como reclamar é exercício diário pra um monte de gente, ouve-se muita reclamação. É tudo muito: trabalho, calor, gente. Verdade verdadeira? O calor é muito, sim, mas só na rua, onde também tem muita gente. Trabalho, não. Mas acho que eu é que sou mal-acostumada com as coisas.
Tudo o que é novo surpreende. No meu caso, estou me acostumando devagar à nova rotina, obrigações, responsabilidades. Fase de adaptação: apara aqui, aumenta lá, ajusta um pouco. E vamos que vamos.
Reconheço: é bem divertido...
agosto 08, 2006
Uma amiga me escreve perguntando as novidades. Quer que eu conte tudo o que de novo aconteceu. A gente pode tentar – mas não sei se dará pra contar tudo, não... Bom, vai dar pra contar as novidades registradas. Deve ter mais, mas passaram desapercebidas. Aí vale como novidade?
Já contei, pelo menos duas vezes neste blog, que elfo, pra mim, tem a cara do Orlando Bloom. Que, por sinal, está mais bonito no segundo Piratas do Caribe do que no primeiro. Mas descobri um novo interesse cinematográfico. Já tinha descoberto, mas resolvi esperar um pouco, porque um filme só não dá pra se saber ao certo. É Jake Gyllenhaal (segundo o IMDB, o sobrenome pronuncia-se Jill-en-hall), uma criança de 25 anos, que descobri em – pasmem!!! – O Dia depois de Amanhã. Tá bom, ele foi um dos cowboys gays de Brokeback Mountain que, por sinal, ainda não vi. Mas soube que já saiu em DVD, assim o negócio é alugar loguinho, ainda mais que tem outro garoto que me chama a atenção, o Heath Ledger. E paro por aqui antes que alguém comece a me chamar de velha tarada. Ou de comedora de criancinhas, o que não é justo porque só acho os meninos bonitos. E alguns são até talentosos...
E mudando de pato a ganso, volto a ficar séria: nos próximos dias, tomo posse (sim, é sério!) num cargo na Prefeitura Municipal de São Paulo. Chique, né? Pois, mas é temporário. De qualquer forma, não sei se quero pendurar as chuteiras num trabalho desses. Mas é trabalho e a gente tem de garantir aquela graninha no final do mês. Por enquanto, ficamos assim, empossadas mas atentas a outras oportunidades. Que vão pintar, se Deus quiser e ajudar.
O futuro começa a ficar rosado novamente...
Já contei, pelo menos duas vezes neste blog, que elfo, pra mim, tem a cara do Orlando Bloom. Que, por sinal, está mais bonito no segundo Piratas do Caribe do que no primeiro. Mas descobri um novo interesse cinematográfico. Já tinha descoberto, mas resolvi esperar um pouco, porque um filme só não dá pra se saber ao certo. É Jake Gyllenhaal (segundo o IMDB, o sobrenome pronuncia-se Jill-en-hall), uma criança de 25 anos, que descobri em – pasmem!!! – O Dia depois de Amanhã. Tá bom, ele foi um dos cowboys gays de Brokeback Mountain que, por sinal, ainda não vi. Mas soube que já saiu em DVD, assim o negócio é alugar loguinho, ainda mais que tem outro garoto que me chama a atenção, o Heath Ledger. E paro por aqui antes que alguém comece a me chamar de velha tarada. Ou de comedora de criancinhas, o que não é justo porque só acho os meninos bonitos. E alguns são até talentosos...
E mudando de pato a ganso, volto a ficar séria: nos próximos dias, tomo posse (sim, é sério!) num cargo na Prefeitura Municipal de São Paulo. Chique, né? Pois, mas é temporário. De qualquer forma, não sei se quero pendurar as chuteiras num trabalho desses. Mas é trabalho e a gente tem de garantir aquela graninha no final do mês. Por enquanto, ficamos assim, empossadas mas atentas a outras oportunidades. Que vão pintar, se Deus quiser e ajudar.
O futuro começa a ficar rosado novamente...
agosto 03, 2006
Há pouco mais de 12 anos, ela nasceu. Linda, rajada, com a carinha parecendo uma máscara africana. Por causa disso ganhou o nome de Millá, homenagem a Roger Milla, jogador de Camarões. Foi da segunda ninhada da Frozô e quem conhece a história da Frozô sabe o que isso significa. Se não me engano, foi nesse parto que o Fa, que ia viajar para Porto Alegre no dia seguinte, passou a noite em claro massageando a barriga da Frô... Bom, pelo menos, ele conta, deu pra dormir a viagem inteira...
Novinha, Millá decidiu passear pelo mundo. Só que morávamos no 6.º andar e ela saiu pela janela, provavelmente atrás de algum passarinho descuidado. Fiquei muito preocupada. Os meninos saíram pelo quarteirão procurando a bichinha, que apareceu à noite, escondida nuns arbustos do jardim. Assustada, com medo, totalmente estressada. Mas não adiantou: logo depois ela tornou a sumir e só foi aparecer uns dois dias depois, no chuveiro dos funcionários do prédio. Até hoje ninguém sabe por onde ela saiu.
Dessas escapadas ficaram um problema de pele, que nunca foi resolvido. Só controlado. Quando mudamos para a casa, ela já estava mais tranqüila. Não lembro se era de sair para a rua – acho que não. Preferia ficar pelo quintal, bem sossegada. O espírito de aventura se esgotou naquelas escapadas.
Millá tinha a cara da mãe e uma pelagem linda. Miudinha, gostava de ficar aninhada no colo, escondida às vezes dentro do casaco que a gente estivesse vestindo. Nunca foi de brigar, mas não deixava que os outros abusassem dela.
Hoje ela foi encontrar a mãe, lá, onde está o Chiquinho. Que foi camarada: não deixou a bichinha sofrendo por aqui. Foi quietinha, sem transtorno, sem dar trabalho.
Eu não disse nada pra ela, mas espero que ela lembre de mandar um beijo meu para a Frô...
Novinha, Millá decidiu passear pelo mundo. Só que morávamos no 6.º andar e ela saiu pela janela, provavelmente atrás de algum passarinho descuidado. Fiquei muito preocupada. Os meninos saíram pelo quarteirão procurando a bichinha, que apareceu à noite, escondida nuns arbustos do jardim. Assustada, com medo, totalmente estressada. Mas não adiantou: logo depois ela tornou a sumir e só foi aparecer uns dois dias depois, no chuveiro dos funcionários do prédio. Até hoje ninguém sabe por onde ela saiu.
Dessas escapadas ficaram um problema de pele, que nunca foi resolvido. Só controlado. Quando mudamos para a casa, ela já estava mais tranqüila. Não lembro se era de sair para a rua – acho que não. Preferia ficar pelo quintal, bem sossegada. O espírito de aventura se esgotou naquelas escapadas.
Millá tinha a cara da mãe e uma pelagem linda. Miudinha, gostava de ficar aninhada no colo, escondida às vezes dentro do casaco que a gente estivesse vestindo. Nunca foi de brigar, mas não deixava que os outros abusassem dela.
Hoje ela foi encontrar a mãe, lá, onde está o Chiquinho. Que foi camarada: não deixou a bichinha sofrendo por aqui. Foi quietinha, sem transtorno, sem dar trabalho.
Eu não disse nada pra ela, mas espero que ela lembre de mandar um beijo meu para a Frô...
agosto 02, 2006
Agosto começou e já começa a ir. Mais um mês.
Ainda treino pra escrever algo mais sobre a família, mas, por enquanto, não pintou inspiração. Deve pintar mais adiante. Dia 13 é dia dos pais e dia 14 seria aniversário de meu pai.
O velho Isamu, o Ditan dos meus filhos, era de 1920, então completaria 86 anos. Certamente faria uma feijoada pra comemorar. Ele adorava fazer - e comer- feijoada. Abria um buraco no quintal num dia, fazia ali uma fogueira na madrugada do dia seguinte e colocava o feijão pra cozinhar numa lata de óleo de 20 litros (nem sei se ainda existem essas latas). As carnes, de molho pra dessalgar desde o dia anterior, já estavam sendo cozidas na cozinha. Só eram juntadas ao feijão mais tarde, quando já estava quase no ponto. E o feijão ficava lá, apurando, espalhando aquele perfume por todo o quarteirão...
A grande diversão era chegar lá e pescar o paio na feijoada pra comer como aperitivo, acompanhando a cervejinha. A gente passava a tarde toda comendo e ainda levava feijoada pra casa, porque sempre sobrava muito.
Acho que vou comer feijoada no dia 14, em homenagem a ele. Certamente não será igual - mas valerá a intenção, certo?
Quem quiser, apareça...
Ainda treino pra escrever algo mais sobre a família, mas, por enquanto, não pintou inspiração. Deve pintar mais adiante. Dia 13 é dia dos pais e dia 14 seria aniversário de meu pai.
O velho Isamu, o Ditan dos meus filhos, era de 1920, então completaria 86 anos. Certamente faria uma feijoada pra comemorar. Ele adorava fazer - e comer- feijoada. Abria um buraco no quintal num dia, fazia ali uma fogueira na madrugada do dia seguinte e colocava o feijão pra cozinhar numa lata de óleo de 20 litros (nem sei se ainda existem essas latas). As carnes, de molho pra dessalgar desde o dia anterior, já estavam sendo cozidas na cozinha. Só eram juntadas ao feijão mais tarde, quando já estava quase no ponto. E o feijão ficava lá, apurando, espalhando aquele perfume por todo o quarteirão...
A grande diversão era chegar lá e pescar o paio na feijoada pra comer como aperitivo, acompanhando a cervejinha. A gente passava a tarde toda comendo e ainda levava feijoada pra casa, porque sempre sobrava muito.
Acho que vou comer feijoada no dia 14, em homenagem a ele. Certamente não será igual - mas valerá a intenção, certo?
Quem quiser, apareça...
julho 27, 2006
Era uma mulher, Hatsue. E três homens: Tsuneyuki, Yoshiyuki e Naohiro, nomes que lembram nomes de nobres samurais japoneses, para serem ditos com a boca cheia de orgulho. Todos Abe. No Brasil, viraram simplesmente Maria, José, Antônio e Naco. Pra mim, minha mãe e meus tios.
Vieram parar aqui ninguém nunca me contou porque, mas desconfio, por relatos ouvidos no passado, que meu avô, o velho Eijiro, era dado a jogar jogos proibidos pelo governo japonês. A história mais divertida conta que ele voltou para casa, alta madrugada, saltando de um telhado para outro, porque estava fugindo da polícia. Então, acho que eles vieram pra cá mesmo fugindo de uma ameaça de prisão. E não vamos esquecer que lá, como cá, dívida de jogo é dívida de honra. E dependendo de quem é seu credor, paga-se com a vida mesmo... Mas aí é coisa de minha cabeça, que acha mais divertido ter um avô fugido do que um simples imigrante...
Mal chegaram e a dona Masae, a sra. Abe, minha avó, ficou doente e morreu. Hatsue, como a mais velha, foi cuidar dos irmãos – o mais novo, Naohiro, mal tinha completado um ano (só conseguiu vir para o Brasil porque meu avô falseou a data de nascimento dele, só podiam vir bebês com mais de 6 meses) e foi criado por ela, que, na época, tinha uns 12/13 anos.
Depois que se tornaram Maria, Zé, Antônio e Naco (“um pedaço de alguma coisa”, dizia meu tio quando explicava o apelido), ajudaram o pai durante um tempo e cada um foi cuidar da própria vida. Ela casou com Isamu (seu Jorge, o Kosugui-san), teve quatro filhas (a terceira foi levada pela meningite). Zé casou com Sumiê (a Oba-tchan), teve Gilberto, Sérgio, Carlos e Marcelo (todos eles têm nome japonês, também, mas só lembro dos três primeiros; Seiti, Kenji e Sussumu). Antônio desvirtuou: com convites impressos pra casar com uma moça, teve de casar com outra, às pressas: Iracema, além de brasileira, estava grávida. Nasceram, então, Sônia, Emília, Roberto e os gêmeos Marcos e Márcio – a mais velha tem Kayoko como segundo nome, copiando o meu segundo nome, Kioko; Roberto é Minoru; Marcos e Márcio são Eiji e Yuji, não sei se nessa ordem.
Meu tio Naco foi mais ou menos como um irmão mais velho nosso, uma vez que estava sempre por perto e veio morar com a gente quando eu entrava na adolescência. Ele queria casar com Luiza, a Tchan-Tchan (é apelido, não insulto), mas não conseguia juntar dinheiro pra isso, apesar de ganhar razoavelmente bem. Dona Maria não teve dúvidas: botou o cara em casa e ficava com todo o salário dele. Só liberava a graninha da condução e um pouco a mais para eventuais farrinhas. Pouco mais de um ano nessa vida e ele juntou o suficiente para casar, dar uma festança, mobiliar a casa e ainda viajar em lua de mel. Dona Maria não era de brincadeiras...
Fui dama de honra do casamento, com um vestido de laise maravilhoso, branco com forro rosa clarinho. Já era grandinha pra isso, mas minha tia não quis saber: era eu e pronto. Convivi com o casal bastante tempo, passava fins de semana com eles. Era uma viagem: ia
do Paraíso até Capela do Socorro. De bonde, o velho Santo Amaro, a última linha a ser desativada na cidade, até o ponto final. E ainda tinha uma caminhada até a casa deles. Bons tempos.
Patrícia, a primeira filha, foi o primeiro bebê que peguei no colo. Depois vieram Márcia, Eduardo e Simone – esta, mal conheci porque meus interesses já eram outros e precisava fazer meu caminho.
Dos quatro irmãos, minha mãe foi a primeira a ir. Depois foi tio Antônio. Agora foi tio Naco. Restou o velho tio Zé, aquele que sempre tirava uns trocados no bolso pra gente comprar doce. O que abrigou e cuidou do velho Eijiro na casa da Tabapuã, 900, que nem existe mais. O que ficou com meu cachorro Lulu quando ele se revelou incontrolavelmente irascível com pessoas de cor - coisa que em tinturaria não dá nem pra pensar.
Que o tio Zé ainda fique um bom tempo com a gente...
Vieram parar aqui ninguém nunca me contou porque, mas desconfio, por relatos ouvidos no passado, que meu avô, o velho Eijiro, era dado a jogar jogos proibidos pelo governo japonês. A história mais divertida conta que ele voltou para casa, alta madrugada, saltando de um telhado para outro, porque estava fugindo da polícia. Então, acho que eles vieram pra cá mesmo fugindo de uma ameaça de prisão. E não vamos esquecer que lá, como cá, dívida de jogo é dívida de honra. E dependendo de quem é seu credor, paga-se com a vida mesmo... Mas aí é coisa de minha cabeça, que acha mais divertido ter um avô fugido do que um simples imigrante...
Mal chegaram e a dona Masae, a sra. Abe, minha avó, ficou doente e morreu. Hatsue, como a mais velha, foi cuidar dos irmãos – o mais novo, Naohiro, mal tinha completado um ano (só conseguiu vir para o Brasil porque meu avô falseou a data de nascimento dele, só podiam vir bebês com mais de 6 meses) e foi criado por ela, que, na época, tinha uns 12/13 anos.
Depois que se tornaram Maria, Zé, Antônio e Naco (“um pedaço de alguma coisa”, dizia meu tio quando explicava o apelido), ajudaram o pai durante um tempo e cada um foi cuidar da própria vida. Ela casou com Isamu (seu Jorge, o Kosugui-san), teve quatro filhas (a terceira foi levada pela meningite). Zé casou com Sumiê (a Oba-tchan), teve Gilberto, Sérgio, Carlos e Marcelo (todos eles têm nome japonês, também, mas só lembro dos três primeiros; Seiti, Kenji e Sussumu). Antônio desvirtuou: com convites impressos pra casar com uma moça, teve de casar com outra, às pressas: Iracema, além de brasileira, estava grávida. Nasceram, então, Sônia, Emília, Roberto e os gêmeos Marcos e Márcio – a mais velha tem Kayoko como segundo nome, copiando o meu segundo nome, Kioko; Roberto é Minoru; Marcos e Márcio são Eiji e Yuji, não sei se nessa ordem.
Meu tio Naco foi mais ou menos como um irmão mais velho nosso, uma vez que estava sempre por perto e veio morar com a gente quando eu entrava na adolescência. Ele queria casar com Luiza, a Tchan-Tchan (é apelido, não insulto), mas não conseguia juntar dinheiro pra isso, apesar de ganhar razoavelmente bem. Dona Maria não teve dúvidas: botou o cara em casa e ficava com todo o salário dele. Só liberava a graninha da condução e um pouco a mais para eventuais farrinhas. Pouco mais de um ano nessa vida e ele juntou o suficiente para casar, dar uma festança, mobiliar a casa e ainda viajar em lua de mel. Dona Maria não era de brincadeiras...
Fui dama de honra do casamento, com um vestido de laise maravilhoso, branco com forro rosa clarinho. Já era grandinha pra isso, mas minha tia não quis saber: era eu e pronto. Convivi com o casal bastante tempo, passava fins de semana com eles. Era uma viagem: ia
do Paraíso até Capela do Socorro. De bonde, o velho Santo Amaro, a última linha a ser desativada na cidade, até o ponto final. E ainda tinha uma caminhada até a casa deles. Bons tempos.
Patrícia, a primeira filha, foi o primeiro bebê que peguei no colo. Depois vieram Márcia, Eduardo e Simone – esta, mal conheci porque meus interesses já eram outros e precisava fazer meu caminho.
Dos quatro irmãos, minha mãe foi a primeira a ir. Depois foi tio Antônio. Agora foi tio Naco. Restou o velho tio Zé, aquele que sempre tirava uns trocados no bolso pra gente comprar doce. O que abrigou e cuidou do velho Eijiro na casa da Tabapuã, 900, que nem existe mais. O que ficou com meu cachorro Lulu quando ele se revelou incontrolavelmente irascível com pessoas de cor - coisa que em tinturaria não dá nem pra pensar.
Que o tio Zé ainda fique um bom tempo com a gente...
julho 25, 2006
Exata uma semana depois do último post. E um bocado de coisa rolando.
Transitei, por motivos que não são meus, por um mundo que desconfiava da existência, mas desconhecia por completo: o das pessoas que fazem cirurgia plástica. Muita gente vai dizer que é o endereço da fogueira das vaidades. Outros podem achar que se trata de superficialidade demais. E vai ter até quem se interesse pelo assunto. Eu fui de xereta e acompanhante.
Fiquei espantada. É um tal de tira gordura de onde está sobrando, põe gordura onde falta. Levanta peito, bumbum e não sei mais o que. Implanta-se cabelos em carecas luzidias. Fiquei o tempo todo lembrando de Nip/Tuck, o seriado da Fox que tem dois cirurgiões plásticos que pelo menos nos programas que vi passam boa parte do tempo aplicando botox na cara de mulheres despencadas. E invariavelmente eles iniciam a consulta com a pergunta: o que você não gosta em você?
De quebra, saiu uma matéria na Cláudia sobre o progressivo número de adolescentes, meninas de 13, 14, 15 anos, que se submetem a cirurgias pra corrigir o que a natureza lhes deu e elas não querem. Presente de aniversário não é mais uma viagem a Disney: é cirurgia plástica. Aí fiquei apavorada: como alguém com tão pouco tempo de vida pode saber do que gosta ou que não gosta em si mesma?
Mas acho que falta a essas pessoas um pouco de informação sobre o que vem antes das melhorias. Todo mundo embarca nessa achando que vai sair da clínica um verdadeiro arraso, já formatada do jeito que queria e entrando naquele traje especial, arrasando. Ledo engano. Na verdade, só engano, porque alegria passa bem longe... Todo mundo sai da clínica se arrastando e gemendo.
Neguinha sai de uma aventura dessas cheia de dores e manchas roxas pelo corpo. Isso logo no primeiro dia. Manchas que vão se acentuando, ficando cada vez mais escuras e concentradas emalgum ponto com o passar dos dias. E inchada – mas não era pra ficar mais magra? –, inchaço que vai durar um bom tempo (de 2 a 3meses) pra sumir. Tudo isso sem falar das dores. Neguinha se esquece que é uma cirurgia, sim. O médico corta a gente, sim – em alguns casos, até quebra ossos pra reconstruir a forma. Médico não usa vara de condão nem é fada madrinha. Usa bisturi mesmo e cobra caro. E as dores? Dói pra caramba, durante um tempo. A sensação, me contaram, é a de que se tomou uma surra homérica – e ninguém foi parar na delegacia.
Ou seja: a parte alegre, de se gostar mais, demora um bom tempo pra vir. E ninguém avisa sobre isso antes. E muita cabeça pirou nesse período.
Diante disso, meu instinto de preservação me fez gostar mais de mim mesma...
Transitei, por motivos que não são meus, por um mundo que desconfiava da existência, mas desconhecia por completo: o das pessoas que fazem cirurgia plástica. Muita gente vai dizer que é o endereço da fogueira das vaidades. Outros podem achar que se trata de superficialidade demais. E vai ter até quem se interesse pelo assunto. Eu fui de xereta e acompanhante.
Fiquei espantada. É um tal de tira gordura de onde está sobrando, põe gordura onde falta. Levanta peito, bumbum e não sei mais o que. Implanta-se cabelos em carecas luzidias. Fiquei o tempo todo lembrando de Nip/Tuck, o seriado da Fox que tem dois cirurgiões plásticos que pelo menos nos programas que vi passam boa parte do tempo aplicando botox na cara de mulheres despencadas. E invariavelmente eles iniciam a consulta com a pergunta: o que você não gosta em você?
De quebra, saiu uma matéria na Cláudia sobre o progressivo número de adolescentes, meninas de 13, 14, 15 anos, que se submetem a cirurgias pra corrigir o que a natureza lhes deu e elas não querem. Presente de aniversário não é mais uma viagem a Disney: é cirurgia plástica. Aí fiquei apavorada: como alguém com tão pouco tempo de vida pode saber do que gosta ou que não gosta em si mesma?
Mas acho que falta a essas pessoas um pouco de informação sobre o que vem antes das melhorias. Todo mundo embarca nessa achando que vai sair da clínica um verdadeiro arraso, já formatada do jeito que queria e entrando naquele traje especial, arrasando. Ledo engano. Na verdade, só engano, porque alegria passa bem longe... Todo mundo sai da clínica se arrastando e gemendo.
Neguinha sai de uma aventura dessas cheia de dores e manchas roxas pelo corpo. Isso logo no primeiro dia. Manchas que vão se acentuando, ficando cada vez mais escuras e concentradas emalgum ponto com o passar dos dias. E inchada – mas não era pra ficar mais magra? –, inchaço que vai durar um bom tempo (de 2 a 3meses) pra sumir. Tudo isso sem falar das dores. Neguinha se esquece que é uma cirurgia, sim. O médico corta a gente, sim – em alguns casos, até quebra ossos pra reconstruir a forma. Médico não usa vara de condão nem é fada madrinha. Usa bisturi mesmo e cobra caro. E as dores? Dói pra caramba, durante um tempo. A sensação, me contaram, é a de que se tomou uma surra homérica – e ninguém foi parar na delegacia.
Ou seja: a parte alegre, de se gostar mais, demora um bom tempo pra vir. E ninguém avisa sobre isso antes. E muita cabeça pirou nesse período.
Diante disso, meu instinto de preservação me fez gostar mais de mim mesma...
***
E hoje o dia foi cheio: acordar às 4 da madrugada já é uma aventura. Sair de casa às 5 pra pegar o metrô é outra. E viajar para a Praia Grande, para enterrar um tio, é triste. Chegar em casa antes do meio-dia e sentir que já fez tudo o que tinha de fazer sabendo que ainda tem um mundo de coisas para fazer não é legal. Pior é descobrir, à noite, que não se fez tudo o que se tinha de fazer, por puro esquecimento.
O dia foi longo e ainda não acabou...
E hoje o dia foi cheio: acordar às 4 da madrugada já é uma aventura. Sair de casa às 5 pra pegar o metrô é outra. E viajar para a Praia Grande, para enterrar um tio, é triste. Chegar em casa antes do meio-dia e sentir que já fez tudo o que tinha de fazer sabendo que ainda tem um mundo de coisas para fazer não é legal. Pior é descobrir, à noite, que não se fez tudo o que se tinha de fazer, por puro esquecimento.
O dia foi longo e ainda não acabou...
julho 18, 2006
E no fim a vida segue.
O tempo de recolhimento passou, é hora de partir para a luta. Recolhe-se o que sobrou, usa-se o que ainda está bom e firme, joga-se fora o resto. Suspiro fundo pra recobrar o ânimo. E pronto. Companheira, o mundo é o limite.
Mas foi bom parar um pouco. Sempre é bom parar pra tomar fôlego e analisar o que houve com os olhos do distanciamento. Continuo sem saber se pisei na bola ou se foi simplesmente acomodação. De qualquer forma, agora sacudiu geral.
E como a gente ainda depende da graninha entrando na conta todo fim de mês (pode ser no começo ou no meio, sem problema – tem de entrar), o jeito é sair para a batalha. Ainda bem que existem várias frentes de atuação.
A vontade, mesmo, é de continuar assim, à-toa. Como disse um amigo, o ócio parcialmente remunerado é uma delícia. É mesmo. Mas o parcialmente acaba logo. Meu sonho continua sendo o ócio remunerado – e ainda chego lá. Antes, tem umas pedrinhas para serem quebradas e removidas.
Que venha a pedreira. O fôlego pode ser um pouco menor agora, mas devagar e sempre a gente chega lá.
Importante é não desistir. Importante é persistir.
E a vida segue...
O tempo de recolhimento passou, é hora de partir para a luta. Recolhe-se o que sobrou, usa-se o que ainda está bom e firme, joga-se fora o resto. Suspiro fundo pra recobrar o ânimo. E pronto. Companheira, o mundo é o limite.
Mas foi bom parar um pouco. Sempre é bom parar pra tomar fôlego e analisar o que houve com os olhos do distanciamento. Continuo sem saber se pisei na bola ou se foi simplesmente acomodação. De qualquer forma, agora sacudiu geral.
E como a gente ainda depende da graninha entrando na conta todo fim de mês (pode ser no começo ou no meio, sem problema – tem de entrar), o jeito é sair para a batalha. Ainda bem que existem várias frentes de atuação.
A vontade, mesmo, é de continuar assim, à-toa. Como disse um amigo, o ócio parcialmente remunerado é uma delícia. É mesmo. Mas o parcialmente acaba logo. Meu sonho continua sendo o ócio remunerado – e ainda chego lá. Antes, tem umas pedrinhas para serem quebradas e removidas.
Que venha a pedreira. O fôlego pode ser um pouco menor agora, mas devagar e sempre a gente chega lá.
Importante é não desistir. Importante é persistir.
E a vida segue...
julho 05, 2006
Já é julho, mês de férias. Criançada em casa, pais não têm férias.
Eu não tinha férias, mas estou descansando. No post passado, disse que era bom sair um pouco da Economia. Saí de vez. Já disse antes, e repito: cuidado com o que você deseja, você pode conseguir...
Consegui, parece. Um passaralho rápido (rápido pra mim, que já estou fora, tem gente lá sofrendo, ainda, com medo de ser apanhado) e pronto: estou fora. De vez. Out. Mais uma vez.
Junto com o reconfortante pensamento de que não preciso voltar mais, que agora o meu tempo volta a ser meu, ficou o desconforto de ser descartada por ser velha. Ultrapassada. Sem mais serventia. Eu já vinha achando que estava mesmo ultrapassada para o métier, mas não pensei que a constatação ia doer tanto... Junto com isso, vem a inevitável indagação: será que ainda sirvo pra algum lugar? Nessa parte, quem viver, verá. Quem sabe não vou ter de começar outra coisa?
Minha mãe tinha quase 50 anos quando teve de sair de casa pra batalhar a vida costurando pra fora. E depois de algum tempo, foi quem sustentou a casa. Ela costumava me dizer que nunca tinha imaginado que um dia fosse viver de costuras. E muito menos que essas costuras iriam garantir a comida na mesa. A pequena Hatsue era forte, uma gigante diante da vida. Espero que, se for preciso, eu tenha herdado um pouco da fibra dela pra começar de novo e garantir a comida na mesa.
O bom foram as manifestações de solidariedade e de amizade. Posso não ter aprendido muito nesse período, mas acho que fiz mais amigos. E isso é bom.
O bom também – mas sofrido – é que agora eu tenho de decidir o que fazer de minha vida. Ainda vai demorar uns dias, que eu me dei pra não pensar no futuro. A merda é que todo dia seguinte é futuro... Mudanças são boas, sempre. Chacoalham a gente, fazem com que a pessoa se sinta viva.
Mas já não era hora de eu assentar e me preocupar só se vou acordar amanhã?
Seja o que Deus quiser.... Ou, na melhor linha Scarlett O'Hara, amanhã eu penso nisso...
Eu não tinha férias, mas estou descansando. No post passado, disse que era bom sair um pouco da Economia. Saí de vez. Já disse antes, e repito: cuidado com o que você deseja, você pode conseguir...
Consegui, parece. Um passaralho rápido (rápido pra mim, que já estou fora, tem gente lá sofrendo, ainda, com medo de ser apanhado) e pronto: estou fora. De vez. Out. Mais uma vez.
Junto com o reconfortante pensamento de que não preciso voltar mais, que agora o meu tempo volta a ser meu, ficou o desconforto de ser descartada por ser velha. Ultrapassada. Sem mais serventia. Eu já vinha achando que estava mesmo ultrapassada para o métier, mas não pensei que a constatação ia doer tanto... Junto com isso, vem a inevitável indagação: será que ainda sirvo pra algum lugar? Nessa parte, quem viver, verá. Quem sabe não vou ter de começar outra coisa?
Minha mãe tinha quase 50 anos quando teve de sair de casa pra batalhar a vida costurando pra fora. E depois de algum tempo, foi quem sustentou a casa. Ela costumava me dizer que nunca tinha imaginado que um dia fosse viver de costuras. E muito menos que essas costuras iriam garantir a comida na mesa. A pequena Hatsue era forte, uma gigante diante da vida. Espero que, se for preciso, eu tenha herdado um pouco da fibra dela pra começar de novo e garantir a comida na mesa.
O bom foram as manifestações de solidariedade e de amizade. Posso não ter aprendido muito nesse período, mas acho que fiz mais amigos. E isso é bom.
O bom também – mas sofrido – é que agora eu tenho de decidir o que fazer de minha vida. Ainda vai demorar uns dias, que eu me dei pra não pensar no futuro. A merda é que todo dia seguinte é futuro... Mudanças são boas, sempre. Chacoalham a gente, fazem com que a pessoa se sinta viva.
Mas já não era hora de eu assentar e me preocupar só se vou acordar amanhã?
Seja o que Deus quiser.... Ou, na melhor linha Scarlett O'Hara, amanhã eu penso nisso...
junho 19, 2006
De vez em quando a gente dá uma sumida. Mas volta. E nem era falta de assunto. Era preguiça, falta de tempo, essas desculpas que às vezes são até verdade. Na verdade, ensaiei algumas coisas, mas joguei fora porque, por algum bom motivo, não deu pra postar. Tudo bem, ninguém saiu perdendo.
Este mês, estou na Copa. Não na Alemanha - quem dera! -, mas no esportes. Adoro esses eventos esportivos. Saio um pouco da mesmice e caio numa área onde, pelo menos, entendo o que está sendo dito. O quadrado está meio capenga, mas são quatro jogadores cujos eu nunca apalpei (nem tenho vontade, se bem que Adriano é bem interessante...), mas sei que existem e consigo até ver se estão jogando bem. Só isso já dá um conforto enorme para a gente.
A minha parte no latifúndio de espaço que é o caderno de Esportes, porém, não é o Brasil. Estou cuidando da Itália – esses, sim, bastante apalpáveis. Aliás, cuido do grupo da Itália. E todo dia há que se pesquisar notinhas do que está acontecendo com as seleções dos outros países do grupo o que, muitas vezes, rende boas risadas. É sempre divertido trabalhar no esporte e já começo a torcer para voltar a ser reforço no Pan do ano que vem. Aí é mais divertido ainda, porque são vários esportes.
É bom tirar férias da Economia...
***
Nesse tempo de sumiço, muita coisa rolou, mas nada assim de importância que mereça destaque. A não ser Zizou, mon chou.
Zizou é a nova gatinha, aquela que uma vizinha trouxe, que contei no post anterior. Zizou, de Zinedine Zidane, cujo pendura as chuteiras logo depois desta Copa. Que, pra ele, deve acabar logo, ainda esta semana. A França não conseguiu jogar bem nem pra deixar feliz um de seus maiores jogadores.
Allez, Zizou!
Este mês, estou na Copa. Não na Alemanha - quem dera! -, mas no esportes. Adoro esses eventos esportivos. Saio um pouco da mesmice e caio numa área onde, pelo menos, entendo o que está sendo dito. O quadrado está meio capenga, mas são quatro jogadores cujos eu nunca apalpei (nem tenho vontade, se bem que Adriano é bem interessante...), mas sei que existem e consigo até ver se estão jogando bem. Só isso já dá um conforto enorme para a gente.
A minha parte no latifúndio de espaço que é o caderno de Esportes, porém, não é o Brasil. Estou cuidando da Itália – esses, sim, bastante apalpáveis. Aliás, cuido do grupo da Itália. E todo dia há que se pesquisar notinhas do que está acontecendo com as seleções dos outros países do grupo o que, muitas vezes, rende boas risadas. É sempre divertido trabalhar no esporte e já começo a torcer para voltar a ser reforço no Pan do ano que vem. Aí é mais divertido ainda, porque são vários esportes.
É bom tirar férias da Economia...
***
Nesse tempo de sumiço, muita coisa rolou, mas nada assim de importância que mereça destaque. A não ser Zizou, mon chou.
Zizou é a nova gatinha, aquela que uma vizinha trouxe, que contei no post anterior. Zizou, de Zinedine Zidane, cujo pendura as chuteiras logo depois desta Copa. Que, pra ele, deve acabar logo, ainda esta semana. A França não conseguiu jogar bem nem pra deixar feliz um de seus maiores jogadores.
Allez, Zizou!
maio 29, 2006
A menina nova ganhou um nome: Dida. Não é homenagem ao goleiro da Seleção, não. É Dida de escondida - porque ela demorou a explorar a casa. Didinha é amarela e linda, com um olhar tranqüilo, como bem observou o filho que a batizou.
E como ter 15 gatos é pouco, apareceu outra. O Jefferson, veterinário da tropa, diz que na minha casa os gatos brotam. Desconfio que é verdade. Esta de hoje apareceu no colo de uma senhora que, há algum tempo, deixou uma gatinha preta comigo. Essa gatinha era dela e apareceu no jardim da casa da frente, casa cuja dona odeia animais. A faxineira de casa, que trabalhava lá naquele dia, achou que era minha – a família preto de casa é imensa – e soltou a bichinha no jardim. Pra encurtar a história, a Queca, como a chamamos, era mal-humorada e não gostava de gatos. De gente sim, desde que por pouco tempo, em condições de tempo e temperatura controladas. Aí apareceu a dona – essa mulher da qual já falei – dizendo que a gata se chamava Yoko e tinha fugido do apartamento por ciúme, porque ela arrumou outro gato. Aconselhei-a a por tela nas janelas, como medida de segurança, para o outro gato não fugir também. Respondeu que não valia a pena, porque o apartamento era alugado e, como estava agora no 10.º andar (tinha mudado, antes era no 1.º), não tinha perigo porque era muito alto e o gato não ia pular. Mas ela, agora, não queria mais a Yoko, porque o outro gato era muito mais simpático. Queca/Yoko vivia na rua e acabou atropelada. Sentimos, mas não muito porque ela morava em casa, mas não podia ser chamada de nossa...
(Parênteses de maldade: o tal gato mais simpático da senhora que não quis mais a Queca/Yoko pulou da janela do 10.º andar e morreu. Agora, ela disse que vai botar rede na janela antes de pegar um outro gato.)
Mas a tal senhora baixou em casa hoje com uma menina linda, linda. Branca, de manchas rajadas no corpo e rabo inteiro rajado. Os olhos têm um risco que lembra as máscaras egípcias. Um charme. Boazinha, não foge, curte colo. Não por muito tempo – afinal, criança tem de ficar solta. Fuça por todo canto, sem o menor constrangimento. Desconfio que tem dono e escapou da casa por algum bom motivo. Fiquei com ela e vou avisar o vigia da rua. Se não aparecer o dono, a gente fica com ela. E aí dá um nome.
Acho que de 15 pra 16 a diferença não é tão grande...
E ela é tão linda...
E como ter 15 gatos é pouco, apareceu outra. O Jefferson, veterinário da tropa, diz que na minha casa os gatos brotam. Desconfio que é verdade. Esta de hoje apareceu no colo de uma senhora que, há algum tempo, deixou uma gatinha preta comigo. Essa gatinha era dela e apareceu no jardim da casa da frente, casa cuja dona odeia animais. A faxineira de casa, que trabalhava lá naquele dia, achou que era minha – a família preto de casa é imensa – e soltou a bichinha no jardim. Pra encurtar a história, a Queca, como a chamamos, era mal-humorada e não gostava de gatos. De gente sim, desde que por pouco tempo, em condições de tempo e temperatura controladas. Aí apareceu a dona – essa mulher da qual já falei – dizendo que a gata se chamava Yoko e tinha fugido do apartamento por ciúme, porque ela arrumou outro gato. Aconselhei-a a por tela nas janelas, como medida de segurança, para o outro gato não fugir também. Respondeu que não valia a pena, porque o apartamento era alugado e, como estava agora no 10.º andar (tinha mudado, antes era no 1.º), não tinha perigo porque era muito alto e o gato não ia pular. Mas ela, agora, não queria mais a Yoko, porque o outro gato era muito mais simpático. Queca/Yoko vivia na rua e acabou atropelada. Sentimos, mas não muito porque ela morava em casa, mas não podia ser chamada de nossa...
(Parênteses de maldade: o tal gato mais simpático da senhora que não quis mais a Queca/Yoko pulou da janela do 10.º andar e morreu. Agora, ela disse que vai botar rede na janela antes de pegar um outro gato.)
Mas a tal senhora baixou em casa hoje com uma menina linda, linda. Branca, de manchas rajadas no corpo e rabo inteiro rajado. Os olhos têm um risco que lembra as máscaras egípcias. Um charme. Boazinha, não foge, curte colo. Não por muito tempo – afinal, criança tem de ficar solta. Fuça por todo canto, sem o menor constrangimento. Desconfio que tem dono e escapou da casa por algum bom motivo. Fiquei com ela e vou avisar o vigia da rua. Se não aparecer o dono, a gente fica com ela. E aí dá um nome.
Acho que de 15 pra 16 a diferença não é tão grande...
E ela é tão linda...
maio 24, 2006
E lá estava ele. Franzino, cara de povo popular (como dizia o companheiro Ruffatto), agasalho de plush, mochila nas costas e duas rosas na mão, embaladas separadas. Uma, mais caprichada, tinha um enfeitinho a mais. E ele levava as duas flores com o maior cuidado. Pegou o Jardim Brasil, que, felizmente, estava meio vazio. As rosas certamente chegarão inteiras à mão das presenteadas.
Sorte delas.
***
Isso foi ontem. Hoje, dia feio mas deliciosamente frio. Só a chuvinha atrapalhou, mas ela está trazendo mais frio. Maravilha!!!
Em casa, bicho novo. Uma menina amarela e branca, cuja carinha nem vi direito, porque ela chegou e se escondeu embaixo do armário da cozinha. Mas parece que agora, três horas depois de ter chegado, já se atreveu a sair e explorar um pouco a casa. Ainda está assustadinha, mas logo se acostuma. Quando tiver nome, eu conto.
Aqui, alguma coisa está estranha. Não sei se é o frio, se é ressaca de meio de semana, se é o atarantamento normal de quem manda, mas hoje, pelo jeito, a coisa promete ir bem longe...
De qualquer forma, continuo na minha...
Sorte delas.
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Isso foi ontem. Hoje, dia feio mas deliciosamente frio. Só a chuvinha atrapalhou, mas ela está trazendo mais frio. Maravilha!!!
Em casa, bicho novo. Uma menina amarela e branca, cuja carinha nem vi direito, porque ela chegou e se escondeu embaixo do armário da cozinha. Mas parece que agora, três horas depois de ter chegado, já se atreveu a sair e explorar um pouco a casa. Ainda está assustadinha, mas logo se acostuma. Quando tiver nome, eu conto.
Aqui, alguma coisa está estranha. Não sei se é o frio, se é ressaca de meio de semana, se é o atarantamento normal de quem manda, mas hoje, pelo jeito, a coisa promete ir bem longe...
De qualquer forma, continuo na minha...
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