maio 18, 2006

Coloquei um cartaz na minha mesa: Quero de volta a minha cidade!!!

Porque isso que estava por aí nos últimos dois dias não era a minha cidade. Era um arremedo.

***

Parece que as coisas estão voltando ao normal. Na hora em que a gente vê o povo brincando, tirando sarro das coisas que aconteceram, é sinal de que a vida voltou à rotina. Hoje, no ônibus, o maior sarro era da cara do sujeito que vendeu a fita pro PCC por R$ 200,00. Era unanimidade: se é pra se sujar, que seja por, no mínimo, R$ 1 milhão...

Na feira e nas calçadas, os camelôs fazem abatimento: “Foi o Marcola que mandou”, dizem.

Que bom que a minha cidade está voltando!

***

... E quando a gente só quer se lamentar, além de não ser ouvida, é interrompida e podada. Toma bronca. Como alguém se atreve a se lamentar pra mim, diante dos enormes e importantes problemas que estou enfrentando?

Parece que ultimamente os problemas dos outros são sempre menores do que os da gente.

E ‘a gente’, aqui, não sou eu, não...

Por via das dúvidas, por questão de segurança, pro público externo, não tenho problemas e nem porque lamentar as coisas que acontecem.

Xô, urubu!!!

maio 15, 2006

Aí, a cidade parou. Quer dizer, não parou – mas bem que tentaram. Um boato a cada dez segundos, cinco minutos para se espalhar e cinco horas pra ser desmentido. O povo tem reações muito doidas em situações de caos.

Toque de recolher às 20h00? Nunca ouvi falar nisso. Sempre que tem toque de recolher é a partir das 22h00. E, numa cidade como São Paulo, não dá pra se ter uma decisão dessas no meio da tarde para ser colocada em prática na mesma noite. Era só pensar com um pouco de lógica pra se saber disso. Mas a lógica fica bem longe num dia como o de hoje.

Me disseram que alguma boa autoridade ouvida ao longo do dia aconselhou as pessoas a ficarem em casa depois das 8 da noite por uma questão de prudência. E foi preciso só uma emissora de rádio entender e anunciar isso como toque de recolher. Dali cinco minutos a cidade estava em pânico. O desmentido veio depois, mas aí já era tarde.

Fica a lição: com a polícia desorganizada e o crime meio organizado, não seria melhor trocar as bolas?

***

Mas ontem foi dia bom. Dia das mães. Ganhei presentes, fiquei junto com os filhos e o neto. Foi bom, foi lindo.

E antes de sair de casa pra ir à casa da filha, uma surpresa: as vizinhas vieram bater à minha porta com uma coisa fofa e branca, perguntando se era minha. Não era. Pena. Mas a bichinha ficou em casa. Meiga, carinhosa, doida por um colinho. Era só a gente sentar pra ela se aboletar. À noite, a dona apareceu e levou. Disse que a bichinha tem 4 anos e não sabe como ela escapou de um quintal todo telado. É telado em cima, também? Não, mas ela é gorda, não consegue escalar. A dona, pelo jeito, tem muito a aprender sobre gatos...

Pena. Mas, por outro lado, alívio.

Acho que é sinal do meu Chiquinho da porta que já tem gato demais em casa...

***

Aliás, ganhei um Chiquinho novo. Lindo, com um gatinho do lado! E uma caneca de gatinho. E um par de pantufas forradas de pele, quentinhas, quentinhas. E uma camisolinha. E um monte de cortes de feltro.

Vou poder tomar chá quentinho, vestida de camisolinha quentinha, calçada de pantufas quentinhas, costurando coisas com feltro.

Felicidade é ter um inverno com coisas quentinhas...

maio 10, 2006

Jovem amiga indo pra Barcelona domingo. Inveja, inveja... E muita, muita saudade.

Disse pra ela, se tiver tempo e oportunidade, ir a Cadaquès. Sentar num daqueles botecos debruçados sobre o mar e bebericar una copa de viño del pais. Visitar a casa que Dali reformou para Gala em Port Llligat e de onde eles costumavam sair para escandaloso banhos de mar – nus! Se der tempo, sempre é bom comer um prato de frutos do mar – qualquer restaurante beira-mar serve coisas excelentes. O tempo é curto pra ela, as emergências são outras. Vai ver ela nem vai achar Cadaquès tão linda assim...

Mas uma coisa eu pedi, especialmente: que ela vá ao Passeig de La Reina e lá sente em um dos inúmeros quiosques, sob os guarda-sóis. E tome uma orchata de chufa pensando em mim. Essa é a maior homenagem que alguém pode fazer para mim quando estiver em Barcelona, cidade que pra mim é a melhor tradução para louca de pedra. Gaudí é a maior prova disso, mas de lá saiu também Juan Miro e sua alma infantil, tudo temperando a parte antiga da cidade, passagem grátis para o mundo medieval.

Poderia dizer pra ela dar uma paradinha no Paraiguas, comer um pa amb tomàquet – o garçon certamente vai dizer que isso não sustenta, que ela deveria comer alguma coisa mais forte. Mas ela pode pedir um jamón, também...

Conto que ela tenha ouvidos suficientemente sensíveis para captar a beleza da língua catalã, de fácil leitura e difícil entendimento. Disse pra ela, em linhas gerais, que é mais ou menos como se um espanhol lesse palavras em francês. Mas não é só isso. Aqui vai só um exemplo, tirado dos versos de Lluis Llach, um grande poeta catalão dos dias de hoje. Ele nasceu em Vèrges, aldeia do Alto Empordà, região que sofre com o tramontano – e fala justamente de sua cidade, que ele ama de paixão:

El meu país és tan petit
que quan el sol se’n va a dormir
mai no està prou segur d’haver-lo vist.
Diuen les velles sàvies
que és per això que torna.
Potser sí que exageren,
tant se val! és així com m’agrada a mi
i no en sabria dir res més.
(Pais Petit, Lluis Llach)

Dor de cotovelo é duro...

maio 08, 2006

975A, linha Ana Rosa – Vila Brasilândia. Eu pego todos os dias o que passa na Dr. Arnaldo entre 15h20 e 15h30. O Morro Grande também serve, mas está sempre cheio. Já começo a reconhecer as pessoas dentro do ônibus, o que é divertido. E o cobrador já me conhece. Sujeito gordo, bem-humorado, sempre de óculos escuros – até hoje, com o tempo meio nublado.

Outro dia ele disse que ficava constrangido de pedir para eu deixar minha sacola com ele. “Vejo a senhora sempre carregada”, explicou. Disse pra ele que não, que a sacola é grande, mas não é tão pesada. E eu já estou acostumada. Ele sempre brinca com as pessoas, sempre está conversando com alguém. Não esquece nunca de avisar as pessoas dos pontos solicitados. “Aqui é a Cardoso de Almeida! Quem pediu pra descer no primeiro ponto?” Ou: “A senhora que vai ao Fórum Criminal, é no próximo, viu?” Ficava impressionada com o tanto de gente que entra nos ônibus desinformada de onde tem de descer. Agora, por causa desse cobrador, não me avexo em pedir ajuda aos outros cobradores. E todos, sem exceção, me avisaram onde eu tinha de descer. Teve um até que pediu que eu o lembrasse “assim que o ônibus sair da avenida Tal, que aí já vai estar perto”, porque senão ele ia esquecer, que a memória dele era ruim. Ruim é a minha. A dele é ótima.

Hoje o ônibus demorou. Passou era quase 15h40. E veio lotado. O cobrador gordinho me explicou: “Teve um Morro Grande na frente que quebrou. Subiu uma porção de gente. E um pouco antes teve um atropelamento, atrasou todos os carros”. Solícito, avisou: “olha, se a senhora quiser sentar, as duas moças que estão no banco alto lá da direita vão descer na PUC. Elas até me pediram pra avisar, mas a senhora pode ir até lá e dizer pra elas que é daqui a três pontos. Aproveita e senta lá.”

Fiquei meio constrangida, mas acabei indo até as moças. Ele não ia avisar, já tinha me pedido pra fazer isso. Quando ia chegando perto das moças – aí já tinha passado um ponto e, portanto, faltavam dois -, ouvi uma delas comentar que o cobrador devia ter esquecido delas. Fiz questão de desmentir: “Vocês que vão à PUC? O cobrador me pediu pra avisar que está perto. Não é no próximo, é no seguinte.”

Elas agradeceram levantaram e desceram no ponto certo. Da porta, tornaram a agradecer ao cobrador. E eu vim sentada, tranqüilamente. Graças ao meu amigo cobrador.

Saber que tem gente legal no mundo me restaura a fé...

maio 05, 2006

Tem um grupo de rapazes daqui que moram na mesma casa, em Perdizes. E, como se não bastasse morar junto e trabalhar junto, eles se encontram nos botecos da vida. Claro, com muito mais gente. Aquela coisa de confraria, gostosa de viver – e que, em algum momento da vida, é melhor esquecer.

Flagrei dois conversando no fumódromo. E foi hilário. Fingi estar pensando na vida, cara de ausente, mas ouvidos atentos. O clima estava ruim, tratei de ir embora, dizia um. Corinthians, cara, explicava o outro que, pelo rumo da conversa, parece ter passado horas ouvindo os queixumes de uma moça. “Divã total”, definiram.

“Ela está bem hoje, sorridente, simpática... Você não lembra de nada?”

“Nada. File not found. E era um baita arquivo...”

“E aí chegou o Fulano com aquela menina muito estranha, com uma inscrição esquisita na bunda... como era?”

“Sua alegria é minha tumba”.

“Pois é, escrota total, falou um monte de bobagem. Mas a amiga era simpática. Ciscadeira...”

“Cisca muito, sim.”

Os dois riem muito, lembrando da tal ciscadeira. Que nem deve saber que está assim classificada. Mantenho o ar ausente, mas por dentro estou dando gargalhadas.

Sua alegria é minha tumba, gravado no traseiro?

Gente, tô fora...

maio 04, 2006

*** Já não chega a fama: a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) acaba de “sugerir” a uma escuderia japonesa que demita o piloto, o japonês Yuji Ide. Diz a FIA que o cara é ruim de direção. Nós, aqui no Brasil, sabemos que isso não é novidade. Pelo menos é essa a fama dos japoneses aqui... Mas não precisava o aval da FIA.

*** E mais uma vez nosso presidente diz que tudo bem para um país vizinho. Não seria mais fácil ele abrir as portas do país e dizer que quem quiser pode entrar e fazer o que quiser? Isso aqui virou a casa da mãe Joana. Kirchner e Evo Morales que o digam...

Posso não ter votado nele, mas sempre achei que ele seria uma solução. Não foi. Errei de novo.

E como se tudo isso não bastasse, ainda temos de ficar até tarde no trabalho esperando a verborragia do Morales. E agora, do Chávez. Ninguém merece...

*** A filha embarca sábado para Varsóvia. Que coisa, nunca pensei que meus filhos veriam tanto do mundo... Mas eu mesma nunca pensei que veria o tanto do mundo que já vi.

*** Todo dia eu saio do site prometendo nunca mais voltar. Todo dia eu entro no site curiosa pra ver as novidades e pronta pra ficar frustrada por não ter dinheiro suficiente pra comprar todas aquelas coisas lindas... Virou vício. Ficou curiosa? Entre no reino da La Reina Madre.

*** E depois de tanto tempo sem escrever, bem que eu podia cometer alguma coisa mais consistente.

Deixa pra lá, amanhã eu tento de novo....

abril 12, 2006

Aí, a imagem no espelho me assustou: quem é essa tão triste, tão apagada? Houve um tempo em que a imagem era mais alegre, mais viva. Não era assim...

Envelhecer faz parte da vida, mas prega sustos na gente...

E agora a Millá está doente. São Francisco, me ajude e me ilumine!!!

Não é justo...

abril 10, 2006

Encontro de segunda das comadres no fumódromo. E então, como foi seu fim de semana? Antes que os relatórios começassem, surge o maluco que interrompe qualquer conversa, conta um caso e vai embora. Todos já estão acostumados com ele e todos dão muita risada com as histórias que ele conta. Mas a de hoje foi hilária.

“Nem conto como foi o meu fim de semana. Teve até polícia com camburão na porta de casa”. Ele vira as costas, a gente pensa que vai embora. Mas ele volta. “Só porque eu toquei minha irmã de casa, às 4 da manhã. Joguei a TV de 29 polegadas dela pela janela e quebrei as coisas dela que estavam em casa. Aí os vizinhos chamaram a polícia porque acharam que tinha um ladrão que estava me torturando. Ficou assim: quatro carros de polícia na porta da minha casa e minha irmã olhando tudo da janela da casa da minha mãe, que mora lá pertinho...”

Mas você estava fazendo um barulho infernal, não estava?

“Não, nada sério... Até a TV, quando explodiu no chão, foi uma coisa rápida, décimos de segundo... Mas derrubei todos os argumentos da polícia. Lei do Silêncio, só se o barulho for contínuo e só teve a explosão da TV. As coisas que eu estava quebrando eram minhas, portanto eu podia fazer o que quisesse com elas. Não podia atingir ninguém com a TV, porque naquela hora não passa ninguém pela rua e, como eu tive de fazer uma força danada pra apoiar a TV na janela, teria visto se alguém estivesse passando. Eles até deram risada e até me ajudaram a desencalacrar um pufe gigantesco da minha irmã, que eu não consegui fazer passar do quarto para a sala. Eu ia jogar na rua, mas um deles, o soldado Nascimento, perguntou se podia levar o pufe pra ele. Mas o pufe não cabia no carro e ele pediu pra deixar na garagem. Ficou lá. Hoje ele ligou, perguntando se podia passar lá à noite pra pegar o pufe, mas eu disse que trabalhava à noite. Disse que, se ele quisesse pegar o pufe, pra ligar pra mim depois que a gente combinava. E ele até perguntou porque eu tinha jogado a televisão – podia ter dado pra ele...”

Depois disso, ninguém mais contou como foi o fim de semana. Ninguém ia conseguir contar história melhor.

Acho que ele é maluco mesmo. E a irmã é mais maluca ainda, porque sempre volta pra casa dele. Pra lavar a roupa dele, fazer comida pra ele, limpar a casa...

abril 07, 2006

Trautear ou tartamudear?

Enquanto ouvia o rapaz sentado à minha frente, no ônibus, cantarolar ao som que só ele ouvia no CD-player, me peguei lembrando desses dois verbos que ninguém mais usa e acho que muitos nem conhecem. Era uma dessas duas coisas que o cara estava fazendo. Mas – qual?

Porque, na verdade, o cururu não estava cantarolando. Cantarolar é cantar trechos de uma música, ao acaso. O cara, não. Ele cantava a música, mas só através de sílabas – tinha até um grupo vocal jazzista que ficou famoso só fazendo isso (é verdade que não lembro o nome, mas que eles era famosos, isso eram) e o coro do Ray Coniff, nos bons tempos, também fazia isso, com as sílabas se confundindo com os instrumentos.

Jurava que era tartamudear. Mas o bom e velho Aurélio, nosso pai, me indicou que não. Tartamudear é gaguejar. O que o cara fazia era trautear.

Então, era isso: tinha um cara trauteando na minha frente no ônibus. E estava divertido, embora eu não tenha conseguido reconhecer a música. Ele sacudia os ombros, batia com os dedos na perna. Como estava sentado naqueles bancos de um só, não precisava se preocupar com o vizinho. Parecia bem feliz, o rapaz... Mas me deixou uma pulga atrás da orelha.

Ainda bem que a gente tem um Aurélio aqui pra matar pulgas...

abril 06, 2006

O gato subiu no telhado. Aliás, o Bôh subiu no telhado. Aliás, o Bôh vinha dormindo na chaminé da churrasqueira há vários dias. Isso não ia dar boa coisa...

Bôh, historicamente, dorme em lugares altos e cai. Dorme tão profundamente que relaxa, se estica, perde o equilíbrio e despenca. Foi assim quando cismou de dormir em cima da televisão. Depois de alguns, tombos, desistiu. Arrumou outro canto. Foi pra cima do aquário. Também caiu. O ideal seria que ele se fixasse em cima da cama, do sofá, de alguma poltrona. Ou mesmo no chão – do chão não passa, certo?

Mas a larica de altura dele sempre falava mais alto. Gostava de ficar por cima. Nem sei se conseguia observar muita coisa, porque, como bom gato, cumpria religiosamente suas 18 horas de sono. E relaxava, se esticava e se espreguiçava. E caía.

Ontem, ele caiu da chaminé. E hoje ele foi buscar lugares mais altos, onde ele pode se espreguiçar, esticar e relaxar sem problema nenhum.

Bôh se foi.

Diga pro Chiquinho que eu mandei lembranças, Bôh... E vê se não monopoliza o santo, como costumava fazer com as visitas que vinham em casa...

abril 04, 2006

Insumo. Toda vez que trombo com essa palavra lembro de uma designer para quem trabalhei há alguns muitos anos. A matéria não rendia, ninguém queria falar, explicar como aquele determinado produto era obtido a partir de alguma boa matéria prima. Acho que era segredo industrial, mas, claro, a gente é repórter e não me venha com essa de segredo que não cola. Aí eu explicava as dificuldades da tal matéria para a tal designer que calhava de ser a minha empregadora, quando ela me saiu com essa: ‘é complicado, né, escrever sem insumo’.

Pra mim, insumo tem a ver com agricultura, agronegócio, terra, plantação, cultivo. Nunca com informação. Mas, pra ela, era sinônimo. E, em economia, também é sinônimo. No meu ouvido continua soando como grão e adubo. E a matéria que falava em insumo nem era de agronegócio, nome chique que deram para as chamadas atividades do campo.

E teve outra pérola hoje: alguém “fez um alerta ontem de que os spreads dos títulos dos países emergentes estão baixos demais, por causa da enorme liquidez global e podem não refletir corretamente o risco de se investir naquelas economias. Os spreads são o adicional de rentabilidade (que reflete o maior risco) dos títulos em relação aos papéis equivalentes do Tesouro americano”. Como quem escreveu entende do assunto, suspeito que não seja bobagem. Mas eu não entendi nada – e ainda tiver de botar título nisso aí...

E agora, como tomamos um furo com o desejo de nacionalização do petróleo da Venezuela, temos de ficar vigiando todo o noticiário internacional pra não comer bola. Como sempre, sobrou pra mim o bagaço da laranja. Pra mim, só, não. Sobrou pra todo mundo...

Gozado, estava na maior animação quando cheguei, mas murchei. Sei lá...

abril 03, 2006

Primeiro de abril, april fools’ para os de língua inglesa. Passou. Nada aconteceu. Ainda bem. Meu ânimo estava mais para fool do que para april, primeiro ou último. Mas aqui quase ninguém liga mais para a data. O primeiro de abril virou outro dia no calendário brasileiro.

Quando eu era menina, a gente passava dias preparando a mentira que ia pregar no primeiro de abril. Nem sempre dava certo porque todo mundo sabia que o dia da mentira estava por perto e se preparava – pra pregar mentira e receber mentira. Será que é porque as pessoas só mentiam de vez em quando? Bom, eu podia entrar agora com aquele discurso de que naquele tempo as pessoas eram mais ingênuas, menos maliciosas, mais verdadeiras, tal e coisa e loisa. Não vou fazer isso.

Os costumes era outros, isso sim. A época era outra. As pessoas eram diferentes. Nem melhores, nem piores. Diferentes apenas. Não havia tanta TV, as novelas perseguidas vinham pelas ondas do rádio. A Internet era coisa impensável, ficção científica mesmo, daquelas que faziam as pessoas rirem – e olhe que os computadores já existiam, mas eram mastodontes que ocupavam salas inteiras e tinham capacidade de armazenamento igual a qualquer PC chinfrim dos dias de hoje.

Então, não havia tanta informação disponível circulando pelo mundo e enchendo olhos e cabeças. As agências de notícias internacionais mantinham umas poucas máquinas de teletipo nas cidades e havia ocasiões em que a notícia tinha de ser levada às pressas, na corrida mesmo, para as redações dos jornais. A TV se fazia com comerciais e programas ao vivo, o vídeo-tape apareceu bem depois. Transmissão de eventos ao vivo, nem pensar.

Hoje, a notícia da manhã já está ultrapassada à tarde. O jornal diário já é entregue com informações ultrapassadas, atropeladas por meios mais velozes. Mal se tem tempo para apreender uma coisa e já tem um complemento aparecendo. Nem bem se assimila uma novidade, já tem outra atropelando a gente. A vida ficou mais rápida e o slow motion só serve pra algumas coisas.

Dou razão ao poeta:
Amar o perdido deixa confundido este coração.
Nada pode o olvido contra o sem sentido apelo do Não.
As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão
Mas as coisas findas muito mais que lindas, essas ficarão.
(Memória/Drummond)
Só não sei onde ficarão...

março 30, 2006

Chego em casa, tranqüila, desavisada. Nesses momentos, sempre acho uma pena não saber assoviar, porque aí seria mesmo perfeito. Chegar em casa sempre é bom. Hoje não foi.

Susto, sobressalto, a senhora tem de ligar pro seu coisa e pra fulaninha, porque eles estão preocupados, tá todo mundo nervoso, achando que a senhora foi seqüestrada. Eu?!?! Mas eu estava logo ali... Bom, mas isso ninguém sabe porque o coisa e a fulaninha estavam bem longe e nem sabiam o que eu estava fazendo...

Resumo da ópera: o coisa, ex-marido, recebeu uma ligação de um cara dizendo que estava com a mulher dele e que a senhora em questão estava muito nervosa. Não sei se pediram resgate, dinheiro, ajuda, ou sei lá mais o que. Mas o coisa ligou pra casa, ligou para a atual senhora coisa, cuja estava tranqüila e sossegada cuidando da vida dela. Bom, se não é ela, é a anterior... Aí ligou pra cá e a minha boa Adelina disse que eu tinha ido fazer uma entrevista e que ainda não tinha chegado. Se eu não estava em casa, então, a coisa podia ser comigo. Ligou pra fulaninha, a filha, que pra entrar em pânico não precisa muito. Ela sabia onde eu estava, ligou pra empresa e a secretária do cururu entrevistado disse que eu tinha saído de lá há uma meia hora. Trinta minutos não é tempo pra eu chegar em casa, vindo de ônibus, mas fulaninha é estressada e liga aqui pra casa e aproveita pra deixar Adelina apavorada. Seqüestraram dona Lê!!! Pânico geral por uns 10 minutos. Aí eu chego. Era pra ser uma chegada quase perfeita...

Todo mundo sossegado, ligações calmantes realizadas, conversas tranqüilizantes conversadas, fiquei pensando que de fato tem gente que se aproveita do pânico no mundo pra faturar algum. Acho que já comentei aqui mesmo que a grande doença do século é o medo. E parece que não chega a gente viver com medo, tem de aturar esse tipo de coisa, de criaturas sem escrúpulos.

Claro que demos muita risada porque a coisa deu em nada, estava tudo bem. Mas imagino como seria se eu resolvesse me demorar um pouco mais na rua. Bom, não ia mudar muito, porque tenho o hábito de avisar se resolvo desviar do roteiro original. Ou se me atraso, por algum motivo. Pra isso serve o celular que carrego zelosamente – desligado, é verdade, mas carrego – na bolsa. Se não costumasse avisar, o que muita gente faz, aí, sim, a coisa ia ser feia...

Repetindo um monte de gente, em que mundo estamos...

março 29, 2006

Me conta um colega do JT, altamente entendido em flores e plantas, que as flores brancas são as que geralmente desabrocham à noite e têm perfume. Porque são polinizadas por insetos, que são ativos à noite, têm vista ruim e olfato bom. Isso a propósito da minha maravilhosa dama da noite que, ele me contou, é também conhecida por flor de baile, porque dura exatamente o tempo de um baile (dos tempos antigos, claro, que começavam às 22 e iam até as 4 da manhã), e por causa da delicadeza e requinte do seu formato (claro que isso se refere a um tempo em baile era uma coisa requintada e que as moças eram consideradas delicadas). Não é chiquíssimo?

Contou-me, ainda, que Darwin, sem conhecer o bicho, predisse que havia um inseto de tromba muito comprida, porque só assim seria possível polinizar uma orquídea de esporos muito longos. Algum tempo depois, um botânico descobriu uma borboleta que, de fato, tinha uma tromba muito longa e era responsável pela polinização da tal orquídea. A bichinha ganhou aquele nome científico chique, que não lembro mais qual é, mas tem nele o termo ‘predicta’, por causa de Darwin.

Outra coisa que fiquei sabendo é que a ora-pro-nobis que vive ameaçando tirar o sol da Ig, de tanto que cresce, dá flor. Muito bonita, por sinal, mas não conheço flor feia. Nunca vi a tal flor do ora-pro-nobis – e desconfio que as podas constantes não deixam tempo para a planta florescer. Segundo o cururu entendido em flores e plantas, também é uma flor que dura pouco. Agora fiquei curiosa. Vou podar a trepadeira, mas vou deixar uns galhos compridões só pra ver se ele floresce. Problema é que essas folhas, refogadas, ficam uma delícia!!!

Esse colega ficou de me dar mudas de um cacto que também dá flores brancas noturnas e efêmeras. E de um outro cacto, cujas flores aparecem em zigue-zague.

A natureza cuida dos seus seres. Ainda bem que tem alguém que cuida...

*_*

E não tem nada a ver com flores, plantas e natureza, mas esqueci de contar outro avanço tecnológico que me deixou boquiaberta. Me senti assim no meio de um desses seriados que a gente cansa de ver nas Warner e Sony da vida. "Oi, estou aqui no escritório e você está no viva-voz. Minha sócia está aqui do lado, pra participar da entrevista, ok?" - isso foi o primeiro episódio. No segundo, o cururu saca o celular, liga pra uma pessoa pra confirmar uma informação e deixa o aparelho ligado sobre a mesa, com a pessoa falando do lado de lá e conversando com a gente do lado de cá.

Sempre achei meio complicado fazer entrevista por telefone. Gosto de olhar para a cara da pessoa com quem estou conversando, sacar alguma reação, algum movimento, observar os tiques nervosos que o entrevistado nem percebe que tem. Agora, com esse negócio de botar um monte de gente conversando com você ao mesmo tempo, parece que meu gosto se tornou antiquado demais.

Acho que eu estou antiquada...

março 28, 2006

A secretária, poderosa, recomendou: ele está com a agenda apertada, então você tem de chegar pontualmente às 10. Até antes, se possível. A gente não discute com secretária mandona - a gente obedece.

Era do outro lado da cidade, metrô e ônibus dava quase duas horas. Mas acordei de madrugada e cheguei antes das 10, às 9h45. E, claro, o cururu chefe da secretária mandona não tinha chegado ainda. Ligou, disse que estava preso no trânsito. Chegou por volta de 10h30, pediu desculpas - pelo menos é educado...

Executivos, bah!!!

Sentadinha na recepção para um chá de cadeira de 45 minutos - e o prédio era non smoking, existe isso no Brasil, o mundo está perdido!!! - tinha um monte de neguinho entrando. Saindo também, mas era mais entrando. A esmagadora maioria de mochila nas costas e cara de nerd. 60% orientais. Toda a força ao yellow power! Lembrei da mochila que o filho carrega pro trabalho todos os dias, com o lanche, porque não tem nenhum lugar pra se comer durante a madrugada lá, onde ele trabalha.

Pensei que os meninos da empresa eram previdentes. Ali, do outro lado da cidade, também não tem muito lugar pra se comer. Ingenuidade minha. Depois me contaram que os funcionários todos carregam os respectivos laptops de casa para o trabalho e vice-versa. Quer dizer, não era lanche coisa nenhuma. Era trabalho mesmo.

Outra coisa curiosa é a tecnologia dos crachás. Todos têm o seu - e está certo. Mas um carrega num fio pendurado no pescoço e se curva pra passar o cartão na catraca da entrada (eletrônica, claro!). Outro traz pendurado no cós da calça e tira para entrar. E tem aqueles que usam uma espécie de molinete, com o cartão preso na ponta da linha, que se solta e volta a se enrolar conforme é puxado. Fiquei deslumbrada. É a tecnologia de ponta chegando aos crachás. Agora também quero um desses...

E como faço pra ir embora?

março 21, 2006

Então, estava assim: três amigos reunidos numa mesa, todos devidamente acompanhados das namoradas e eu, a mãe, de xereta. O quarto amigo era exatamente o que estava no altar, o protagonista do dia, o noivo. E, de novo, aquele momento de mosquinha que pousa e fica só observando, ouvindo, anotando...

Histórias engraçadas, mas nada de hora da saudade. Eles são amigos, conversam com freqüência, mesmo que não se encontrem. E a grande fonte de gozação era o meio-fraque do padrinho, aquele que até pouco tempo atrás só usava calça de moleton... Ninguém me tira da cabeça que o noivo fez de propósito. Deve ter pensado: “qual o amigo que ficaria mais sacaneado por usar esse tipo de roupa?” A escolha foi fácil... E ser padrinho é uma honra que não se declina.

Mas valeu tudo, do começo ao fim. Festa com direito a música sertaneja - pasmem, o povo dança isso loucamente, foi o que levou todo mundo pro meio do salão! – e até momento I’ll Survive (gozado, todo mundo associa essa música aos gays, mas todo mundo adora dançá-la e solta a franga) e YMCA (com os movimentos copiados do Village People). Decididamente não tem nada mais divertido e brega do que festa de casamento.

Fiquei contente de, mais uma vez – foram dois fins de semana consecutivos! – presenciar um momento feliz da vida do meu filho, de saber que ele é uma pessoa querida por um bocado de gente muito boa. Como disse o pai do noivo, amigos são muito especiais.

A segunda é que foi de lascar. Como se não bastasse ser segunda-feira, a gripe atacou com força e com vontade. E eu fiquei meio de molho, me sentindo profundamente infeliz, alternando momentos de suadouro intenso com calafrios arrepiantes. Hoje a vida está melhor, bem melhor. Então, hoje a vida volta ao normal.

Mas a cabeça está vazia, parece que nada se fixa. Os pensamentos chegam e vão embora, nem dá tempo de pensar direito. Será que o cérebro está todo voltado para produção de catarro? Aliás, se houvesse uso industrial de catarro, eu seria uma fábrica de produção diuturna – e estaria rica. Só que seria passageiro, porque, todo toda boa gripe, essa deve ir embora logo.

Pelo menos, é o que eu espero...

março 13, 2006

Sábado teve churrasco em casa. Eu na churrasqueira – adoro! -, só ouvindo o papo rolar. Descobri muitas coisas interessantes. Nada como juntar velhos amigos do filho pra saber o que ditocujo fazia nos tempos de estudante. E eu que achava que ele nunca aprontava nada... Bom, tem mãe que é cega mesmo... E – acho – mãe de filho calado é mais cega ainda... Mas nada que me preocupasse, nada que me tirasse o sono. E, segundo meu outro filho, tem coisas que a gente não conta nem conversa com a mãe. Tá certo.

Foi bem gostoso, todo mundo numa boa, curtindo, matando saudade do companheiro que agora está do outro lado do país. Se fosse Europa, estaria num outro país, bem distante. E apesar de não ter muito tempo de formados, esse povo já tem histórias pra contar, coisas boas, engraçadas, curiosas. Meu ouvido funcionou a mil e, mesmo assim, tenho certeza de que perdi vários lances. Não tem importância, a gente não precisa saber tudo...

Mas o dia inteiro em pé, na frente da churrasqueira, teve seu preço. Nada fora do comum e, de certa forma, era até esperado. Mas o domingo foi de bode. O que também foi bom, porque fiquei quietinha num canto. O máximo que me permiti foi pedir comida chinesa. E chega, hein!

Há algum (muito) tempo, não teria nenhum problema. Emendaria o churrasco com a feirinha de artesanato que o outro filho me chamou pra ir. E, se bobeasse, até ia à festa da coleguinha no sábado à noite. É, o tempo passa mesmo. A gente sente nos ossos... Se bem que uma extravaganciazinha de vez em quando não mata ninguém. Faz o sangue circular mais depressa, renova os pensamentos, dá novo ânimo (às vezes tira, mas isso é só na hora). Gostei. Se me chamarem de novo, de novo faço. Sem medo de ser feliz.

No mais, a vida segue, tranqüila e sem sobressaltos. Um crochezinho básico ajuda a passar o tempo, o tempo está esfriando, os gatos passam bem. É aquela rotina quase chata, mas reconfortante. Chega um tempo que a gente fica feliz com a perspectiva de que tudo vai continuar do mesmo jeito por algum tempo. Depois enche o saco, mas enquanto o depois não chega, é uma delícia. Algumas certezas são necessárias, dão à gente um certo conforto. é como eu disse: a rotina reconforta.

E mesmo dentro das certezas, sempre tem o imponderável. Aquele que a gente sabe que pode aparecer a qualquer momento, pra deixar a gente mais feliz ou não, mas sempre mais sábia. Que pode mudar tudo ou só algumas coisinhas. Acho que o bom da rotina é isso: saber que, a qualquer momento, ela pode ser quebrada.

E a gente nem precisa se esforçar pra isso.

março 01, 2006

Carnaval passou e foi uma prévia do futuro. Em casa, meus gatos e eu. Mais ninguém. Como teste, funcionou. Foi bom. No fundo, é tudo uma questão de hábito.

Filho agora está em novo endereço - por sinal, ele nem sabia direito qual era, 24 horas depois de estar morando lá. Ainda se adaptando a novas rotinas que ele mesmo tem de criar. Vai ser logo, tenho certeza. Ele tem know-how pra isso. A minha sensação de fracasso continua, mas isso acho que nem o tempo cura. Achei que como ele já tinha ido uma vez seria mais leve. Não foi. É coisa de mãe – e quem tem uma ou é uma sabe que é assim mesmo que funciona. Há muitos anos eu digo que a gente prepara os filhos pra ir pro mundo, só não se prepara pra ver os filhos irem pro mundo. É isso...

Leio no blog de uma nova e jovem amiga que ela acaba de comprar um livro do Saramago e que se prepara para isso há algum tempo, sempre adiando por achar que não estava madura o suficiente. Só pra consolá-la, devo dizer que há livros que não hesito em comprar. Simplesmente não compro. Ou compro e deixo guardado na estante, me desafiando. Mas são títulos que decidi que só vou ler quando estiver bem velhinha, pra ter todo o tempo do mundo pra compreender o que de fato está escrito. A Montanha Mágica do Thomas Mann é um deles. E embora todo mundo diga que Proust é uma maravilha, continuo achando que tenho de ter mais tempo pra ele. Por enquanto, não tenho. Mas desconfio que no fundo é um pouco de preguiça mesmo, ainda mais com essa profusão de leituras mais leves e digestivas que saltam das prateleiras o tempo todo. Coisa pra encher os olhos e esvaziar a cabeça.

Bobagens. É assim que me refiro a esses livros. A denominação foi adotada imediatamente pelo livreiro que freqüenta a redação. E tem o setor drogas pesadas, altamente viciantes, tipo Nora Roberts e outros quetais. Ele chega perto e fala bem baixinho: hoje tem droga pesada... Ele sabe que sou viciada em drogas e bobagens. E é o meu maior credor, hoje em dia.

As manhãs andam reservadas para o crochê, que enche os olhos, ocupa as mãos e a cabeça e dá satisfação imensa quando o trabalho fica pronto. Fui eu que fiz.

A gramática pode estar errada, mas a satisfação é certa.

fevereiro 13, 2006

Volta ao trabalho, semana II. Tudo em paz e em ordem. A cabeça está tranqüila, mas o nariz anda reclamando. Maldito ar condicionado!!! A gente conserta no final de semana e, já na segunda, começa tudo de novo...

Segunda sempre é sossegado. Acho que o povo ainda está meio de bode do domingo, então muito pouca coisa acontece. Felizmente. Meu domingo costuma sempre ser de descanso, mas o corpo acostuma rapidinho e sempre reclama da atividade na segunda.

E por falar em corpo, nada a ver com o meu, claro, passei a manhã vendo corpos fantásticos. Esqueça os super-homens, os homem-aranha, os X-men. Lindos são os atletas que fazem patinação de velocidade nas Olimpíadas de Inverno. E as roupas que eles vestem botam qualquer super-herói no chinelo.

Roupas colantes, que realçam o corpo todo, tudo o que tem de ser realçado. E que coxas, tragam-me meus sais!!! Japoneses e chineses em vermelho e preto; americanos de negro com detalhes cinza e branco; holandeses de cor de laranja e preto; noruegueses de azul claro e vermelho. Os russos, de vermelho com a parte superior em branco com florzinhas estilizadas estavam um tanto viadinhos. Os canadenses, de vermelho, com detalhes em preto e cinza remetendo à maple leaf da bandeira, lindos! Os poloneses colocaram um grifo no peito e lembravam armaduras medievais. Tudo devidamente recheado por rapazes atléticos, bem alimentados, bem treinados... Sai de baixo!!!

Por uma questão de raízes, torci pelos japoneses. Que foram bem, apesar de não levarem medalha: quarto, sexto, décimo terceiro e décimo oitavo, numa lista de 37 participantes. Nada mal.

De vez em quando a TV mostrava flashes de alguma coisa que fiz questão de assistir pra ver se entendia. O tal curling – dizem – envolve precisão e sensibilidade. E é chato pra cacete. Pelo menos para quem está vendo. Acho que jogar deve ser mais divertido. E ainda dizem que tênis é chato...

Mudando de pato a ganso, aliás de pato a gato, Priscila foi embora. Demorou uns dias, a dona dela parecia não querer ter a gatinha de volta, mas acabou indo. Tenho saudades, mas acho que uma a mais, no caso, ia fazer alguma diferença... Pra consolar, Maguinha, minha preta e branca fake, continua firme no viveiro de Ig...

Cada louco com sua mania...

fevereiro 06, 2006

De volta.

Achei que ia ser doloroso, mas nem foi tanto. Provavelmente porque eu também deixei – pelo menos por enquanto – de achar que tudo o que a gente faz aqui é bobagem. Bobagem é a gente questionar o trabalho que faz. Digo por enquanto porque nunca se sabe como vai ser o futuro e vai que em alguma hora uma megabobagem mexa comigo... Férias têm o poder de deixar a gente calminha, calminha...

Bom, mas cá estou, de volta ao trabalho.

Linda (sempre), leve e solta, mas vermelhinha do sol tomado no final de semana enquanto brincava com o neto numa piscina no interior de São Paulo. Um pouco ardida, mas isso passa. E é bom, masoquismo à parte, porque lembra os bons momentos.

O fim de semana também trouxe uma novidade: Ranzinza, na verdade, chama-se Priscila e tem dona. Cuja foi buscá-la em casa, mas não levou. Deixou-a lá, para eu me despedir. Ainda tive uma noite com a bichinha, que, só pra provocar, veio dormir no meu travesseiro... Mas já combinei com a dona dela e ela vai mesmo voltar pra casa. Onde a esperam outros 11 gatinhos!

Quem disse que sou a única tarada por gatos naquela rua?

Minha única bronca nessa história é que Priscila me lembra a rainha do deserto, o filme. Será que a gata ganhou esse nome por causa dos olhos azuis do Terence Stamp? O filme é divertidíssimo, mas acho que a gatinha merecia um nome melhor. Mas, enfim, não sou eu a dona da bichinha e quem dá nome aos filhos são os pais.

Espero que agora Priscila fique em casa, quietinha. E que eu possa visitá-la de vez em quando...