julho 25, 2006

Exata uma semana depois do último post. E um bocado de coisa rolando.

Transitei, por motivos que não são meus, por um mundo que desconfiava da existência, mas desconhecia por completo: o das pessoas que fazem cirurgia plástica. Muita gente vai dizer que é o endereço da fogueira das vaidades. Outros podem achar que se trata de superficialidade demais. E vai ter até quem se interesse pelo assunto. Eu fui de xereta e acompanhante.

Fiquei espantada. É um tal de tira gordura de onde está sobrando, põe gordura onde falta. Levanta peito, bumbum e não sei mais o que. Implanta-se cabelos em carecas luzidias. Fiquei o tempo todo lembrando de Nip/Tuck, o seriado da Fox que tem dois cirurgiões plásticos que pelo menos nos programas que vi passam boa parte do tempo aplicando botox na cara de mulheres despencadas. E invariavelmente eles iniciam a consulta com a pergunta: o que você não gosta em você?

De quebra, saiu uma matéria na Cláudia sobre o progressivo número de adolescentes, meninas de 13, 14, 15 anos, que se submetem a cirurgias pra corrigir o que a natureza lhes deu e elas não querem. Presente de aniversário não é mais uma viagem a Disney: é cirurgia plástica. Aí fiquei apavorada: como alguém com tão pouco tempo de vida pode saber do que gosta ou que não gosta em si mesma?

Mas acho que falta a essas pessoas um pouco de informação sobre o que vem antes das melhorias. Todo mundo embarca nessa achando que vai sair da clínica um verdadeiro arraso, já formatada do jeito que queria e entrando naquele traje especial, arrasando. Ledo engano. Na verdade, só engano, porque alegria passa bem longe... Todo mundo sai da clínica se arrastando e gemendo.

Neguinha sai de uma aventura dessas cheia de dores e manchas roxas pelo corpo. Isso logo no primeiro dia. Manchas que vão se acentuando, ficando cada vez mais escuras e concentradas emalgum ponto com o passar dos dias. E inchada – mas não era pra ficar mais magra? –, inchaço que vai durar um bom tempo (de 2 a 3meses) pra sumir. Tudo isso sem falar das dores. Neguinha se esquece que é uma cirurgia, sim. O médico corta a gente, sim – em alguns casos, até quebra ossos pra reconstruir a forma. Médico não usa vara de condão nem é fada madrinha. Usa bisturi mesmo e cobra caro. E as dores? Dói pra caramba, durante um tempo. A sensação, me contaram, é a de que se tomou uma surra homérica – e ninguém foi parar na delegacia.

Ou seja: a parte alegre, de se gostar mais, demora um bom tempo pra vir. E ninguém avisa sobre isso antes. E muita cabeça pirou nesse período.

Diante disso, meu instinto de preservação me fez gostar mais de mim mesma...

***

E hoje o dia foi cheio: acordar às 4 da madrugada já é uma aventura. Sair de casa às 5 pra pegar o metrô é outra. E viajar para a Praia Grande, para enterrar um tio, é triste. Chegar em casa antes do meio-dia e sentir que já fez tudo o que tinha de fazer sabendo que ainda tem um mundo de coisas para fazer não é legal. Pior é descobrir, à noite, que não se fez tudo o que se tinha de fazer, por puro esquecimento.

O dia foi longo e ainda não acabou...

2 comentários:

Flavs disse...

Credo! Lembro que minha irmã queria que eu fizesse cirurgia pra corrigir meus dentes. Eu não quis. Fico com os dentes tortos, mas feliz! :)

Márcia Moreno Placa disse...

Bem que você disse que ia escrever... beijinhos